HipermetropiaVelutina
Teus olhos perseguiam-no como uma vespa-velutina. Carregados como um enxame, cheios de palavras não ditas.
Quando deixaram de se entender?
Quando foi que tudo se transformou em pó?
Eram inimigos, lados opostos de uma guerra.
“Por quê?”, ele se perguntava. Achou que havia aprendido a lição. Acreditara que nunca mais perderia de vista o que era importante.
Estava errado – deveria ser hipermetrope. Quanto mais perto, mais dificuldade em ver. Nunca conseguia ver a dor refletida nos olhos de quem importava. Antes, o reflexo era azul. Agora, reluziam em âmbar, como o sol nascente.
“Por que, Kiku?"
... Por quê?

