He - CIP
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Capítulo 14 min de leitura

Atenda, por favor

Zayn estava deitado de barriga para cima, as costas tocando os lençóis da cama desarrumada e, em sua cabeça, milhares de coisas passavam e corriam pelos pensamentos, sem nunca se firmar. Em seus lábios, um cigarro pendia, queimando a cada tragada, e na mão um copo de bebida.

O rádio ligado em qualquer estação deveria distraí-lo, mas não estava ajudando em nada. Não conseguia parar de pensar em Louis Tomlinson, em seus cabelos estúpidos e em seu perfume que sempre impregnava suas roupas depois de uma noite juntos.

Imerso pensando no rapaz, quase pensou que estava louco quando ouviu a voz dele vinda do rádio. Ele cantava com o coração a música de Zayn, uma que Zayn tinha escrito pensando nele.

“Ele põe seu espírito em um drinque/ Ele sempre sabe onde a multidão está/ Ele coloca sua boca em volta do cigarro/ Falo para ele parar, pois ele gosta disso”

Zayn puxou o cigarro dos lábios, encarando o pequeno aparelho que fazia a voz de Louis reverberar pelo apartamento solitário. Os olhos se enchendo de lágrimas com as lembranças das inúmeras vezes que o garoto lhe pedia sorrindo para que parasse com aquilo, seguido de beijos.

“Ele sempre dança quando está chovendo/ E quando começa, querido/ Ele olha para mim como se estivesse esperando/ Faz o tempo passar mais devagar/ Quando mostram sua mesa a ele/ Nas luzes brilhantes, ele desaparece”

As lágrimas começaram a cair, o desespero de Louis era quase palpável. Ele precisava de Zayn assim como Zayn precisava dele. Apanhou o celular na cabeceira da cama, deixando o cigarro – que Louis tanto detestava – cair de qualquer jeito no chão.

“Parece tão natural, ele é louco/ Nas luzes brilhantes, ele desaparece/ Parece tão natural, ele é louco”

Com os dedos trêmulos, buscou nos contatos o número dele. Queria pedir desculpas por tudo, por brigar com ele, por brigar com os amigos e por sair da banda, queria dizer que sentia muito por ter terminado com ele como se seu amor fosse nada. As palavras ameaçavam sufoca-lo.

“Ele quer alguém para amar, para abraçá-lo/ Ele quer alguém para amá-lo da maneira certa/ Ele quer alguém para amar, para abraçá-lo/ Ele quer alguém para amá-lo da maneira certa”

— Atende – Resmungou tomando um gole do álcool que ainda repousava em sua mão – Por favor, atende.

Precisava dizer que sentia muito, que Louis não era descartável e que tinha sido um idiota por larga-lo quando saíra da banda, mas o garoto não atendia a chamada.

“Ele está gritando que me ama/ Segurando minhas mãos para que eu não o solte/ Pois ele não quer ficar sozinho/ Ele diz "só quero que você me abrace"”

O choro cortou o ambiente, afogando Zayn. Tinha acontecido exatamente daquele jeito e Louis sabia.

Louis tinha gritado que o amava, pedindo que Zayn não o deixasse no camarim naquela tarde quente. Ele lembrava bem.

— Atende, por favor – Implorou mais uma vez contra o telefone que chamava infinitamente.

“Ele quer alguém para amar, para abraçá-lo/ Ele quer alguém para amá-lo da maneira certa/ Ele quer alguém para amar, para abraçá-lo/ Ele quer alguém para amá-lo da maneira certa”

— ATENDE! – Zayn gritou, as imagens de Louis implorando para que ele não fosse embora corriam por sua mente, o torturando da forma mais cruel que conhecia.

“Da maneira certa, da, da, da maneira, maneira certa, certa/ Da maneira certa, da maneira certa/ Ele quer alguém para amar, para abraçá-lo/ Ele quer alguém para amá-lo da maneira certa/ Ele quer alguém para amar, para abraçá-lo/ Ele quer alguém para amar, para beijá-lo/ Ele quer alguém para amá-lo da maneira certa”

— EU VOU TE AMAR DA MANEIRA CERTA – Gritou mais uma vez para o telefone, o peito carregado com a mágoa e a culpa.

— Alô?

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