Falling In Love Again
Falling In Love Again
Capítulo 19 min de leitura

Um; desespero.

Sentiu quando sua cabeça relaxou um pouco e cair, levantando-se rapidamente com os olhos bem abertos e procurando sua xícara de café. Usual para uma sexta-feira, Frank trabalharia até tarde em sua loja de cupcakes enquanto Gerard ficaria em casa trabalhando em seus livros e seus gibis. Era sua vida, já estava acostumado.

Mas quando seu olhar desceu ao relógio, seu coração saltou. Já passava das 03h47min da manhã. Havia algo muito errado ali, Frank chegaria até no máximo a meia noite.

Três horas e nada do futuro marido – afinal, estavam noivos havia cinco meses e o casamento seria em semanas – e Gerard já estava preocupado. Sentiu quando seu coração palpitou mais ainda ao ver seis chamadas não atendidas de Frank em seu celular. Ele o ligou e ele não entendeu.

Suspirou trêmulo e ligou de volta, seu coração mais acelerado do que tudo naquele momento.

- Alô? – a voz sonolenta de Mikey, irmão de Gerard, soou do outro lado da linha.

- Mikey? – perguntou confuso – cadê o Frank?

- Gee... – suspirou – ele tá no hospital.

Se seu coração já estava disparado antes, naquele segundo em que ouviu a palavra hospital, seu coração parou de repente. Frank. Hospital. Sua mente parecia trabalhar lentamente tentando absorver que seu futuro marido estava no hospital.

- Estamos no hospital de NYC – falou antes mesmo que Gerard perguntasse e ele logo desligou pegando as chaves do carro.

Iria dirigir daquela maneira mesmo! Saiu de seu apartamento no centro de New York City em seu carro e foi dirigindo em direção ao hospital principal da cidade. Sua mão tremia violentamente, seu corpo todo sentia arrepios e ele estava suando. Estava com medo do que poderia acontecer ali.

Ele dormiu. Se não tivesse adormecido após ler um livro esperando por Frank, ele estaria do lado de Frank o tempo todo. E se Frank não estivesse mais entre eles?

Esse pensamento quase o fez bater o carro, mas continuou seguindo murmurando a si mesmo que tudo daria certo, que Frank estaria vivo e bem. Chegaria lá e foi apenas um susto, ele o abraçaria e diria o quanto o ama. Tudo ficaria bem.

Estacionar em frente ao hospital e quase voar até a recepção pareceu fácil, mas ao ver Mikey com a cabeça baixa e cara preocupada, suas pernas fizeram questão de falhar naquele momento. Nada estava bem. E Gerard duvidava se ficaria.

.

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As palavras carinhosas de Mikey durante cerca de horas – dizia que foi apenas um acidente, ele bateu a cabeça, mas ficaria bem – eram quase inúteis. Gerard sabia que eles não ficariam tanto tempo apenas em exames de rotinas e sem nenhuma notícia. Era muito estranho.

Alicia, esposa de Mikey, esteve ali e desejou que Frank ficasse bem, embora todos soubessem que isso era algo que não parecia que iria acontecer. Christa e seu marido Ray, amigos dos quatro, foram até lá e visitaram Gerard. Tiveram que deixar o hospital cedo por questões de negócios.

Gerard não se importava. Suas mãos estavam juntas e seus olhos fechados, ele tentava imaginar como seu pequeno estaria, se ele estaria vivo, se estaria respirando. Era ruim imaginar que algo poderia acontecer com ele, mas não podia dizer que estava tudo bem para receber o pior. Tinha que se preparar.

Viu várias pessoas serem atendidas e logo saírem, algumas entrarem e nunca saírem, algumas entrarem desesperadas. Viu sua mãe, viu seu irmão, seus amigos, mas nenhum médico nem seu Frank.

Enquanto as horas iam, Gerard continuava ali sentando lembrando-se de todos os momentos de sua vida. Quando ele e Frank se conheceram dois anos atrás, começaram um relacionamento algum tempo depois, um ano depois e foram morar juntos e fazia quase seis meses que Gerard havia pedido Frank em casamento. Era quase impossível esquecer qualquer momento se quer com Frank, era tudo bem gravado em sua memória, escrito ali, arquivado. Cada sorriso, cada lágrima, cada riso, cada grito, cada música, cada gemido, cada olhar. Jamais esqueceria um detalhe se quer de Frank e seus momentos.

Seus pensamentos só foram interrompidos quando o médico o chamou até sua sala. Um neurologista.

- Gerard – suspirou deixando Gerard nervoso – Frank teve um pequeno traumatismo craniano e passa bem, porém... Há sequelas.

- Sequelas? – perguntou trêmulo.

- Sim – mostrou uma cabeça de manequim aberta no meio com divisórias do cérebro – aqui nessa região – apontou para certa parte – é onde ele bateu. Acreditamos que ele possa perder memória, provavelmente esquecer-se de tudo ou não esquecer-se de nada. Não sabemos até você falar com ele.

- Ele está acordado? – já se sentia feliz um pouco quando viu o médico sorrir.

- Me acompanhe.

Seguiram até um quarto privado e deixaram Gerard a sós com Frank. Ele entrou devagar não querendo assustar o menor, e viu quando ele observava a janela de sua cama. Ele parecia confuso, mas estava com expressão calma e serena. Lindo como sempre.

- Frank? – ele virou o rosto – ei... Posso entrar?

Ele acenou e sorriu tímido, Gerard fechou a porta, e se sentou na cadeira perto de sua cama, ambos em silêncio sem saberem o que dizer.

- Você sofreu um acidente – falou baixinho – não teve nada gravíssimo, apenas um pequeno traumatismo e vai ficar bem – o menor sorriu – mas não parece que queria isso.

- Não é isso – murmurou – estou apenas confuso.

- Confuso? – ele fez menção de pegar na mão de Frank, mas o menor recuou a mão e arregalou os olhos – espera Frank...

- Desculpe-me! – falou baixo ainda – eu não consigo me lembrar de quem você é!

- Como? – ele agarrou seus cabelos sentando-se no sofá ali apoiando os cotovelos nos joelhos – isso não está acontecendo agora – murmurava consigo mesmo.

Frank apenas observou enquanto Gerard agarrava seus cabelos, passava a mão em seu rosto e continuava dizendo isso é um sonho, não está acontecendo, por quê?Era preocupante para Frank – embora mal o conhecesse –, ele havia gostado do homem.

Suspirou sentando-se no sofá encarando o menor com lágrimas nos olhos. Toda sua vida e seu futuro pareceram sumir por questão de segundos.

Por que Frank me esqueceu, eu perdi tudo e suas palavras mexiam consigo mesmo. Construiu seu futuro por Frank e pelo futuro deles juntos, mas se Frank esqueceu quem Gerard era então como conseguiriam algo? Era um beco sem saída.

— Do que se lembra? – murmurou com cabeça baixa enquanto Frank fez uma careta.

- Lembro um pouco de você, seu rosto apenas. Tinha algo de você rindo sobre uma piada de cupcakes e me criticando – sorriu – e... É.

Gerard sentiu seu coração palpitar. Havia chance, mínima. Ele poderia se lembrar de tudo, poderia só ser passageiro e logo voltariam a sua rotina.

Cupcakes. Frank talvez se lembrasse de que tinha uma loja famosa, se lembraria de como fazia cada cupcake seu ser o melhor. Talvez, mas era engraçado ele se lembrar disso. Gerard lembra bem de quando ele comeu pela primeira vez o cupcake do Frank e o criticou. Ele riu, pois era uma piada.

Tão lentamente as lágrimas voltaram aos olhos de Gerard. Sentia-se totalmente indefeso, acabara de quase – se pudesse falar assim, ele está vivo – o amor da sua vida. Ele poderia não ter nada, e não tem. Frank está sem memória dele.

Não consegue se lembrar de Gerard.

- Certa – engoliu seco – lembra-se de Mikey, Alicia, Ray ou Christa?

Frank deitou um pouco a cabeça para o lado e pareceu pensar, o coração de Gerard ainda palpitava dentro de seu peito enchendo-se de desespero.

- Ah! – sorriu fraco – Mikey é seu irmão, me lembro de Ray e sua esposa Christa e da esposa de Mikey, Alicia.

Gerard não sabia o que pensar.

Passou mais alguns minutos perguntando coisas a Frank, ele sempre se relembrando de quase tudo. Quase. Ele não conseguia se lembrar de Gerard e seus momentos com ele, não conseguia lembra-se de nada sobre Gerard além da falha memória dos cupcakes.

- Tínhamos algo? – perguntou baixo para Gerard – eu vi que eu uso uma aliança de noivado e... – ele engoliu seco – você também.

- Tínhamos – falou baixo com a cabeça baixa – não quero que se sinta obrigado a casar comigo por isso Frank, mas tínhamos.

Continuou a perguntar sobre a vida de Frank. Lembrava-se de sua infância, o divórcio dos pais, sua guitarra Pansy, seu amor por filhotes de cachorros, lembrava-se de quando quis começar uma banda. Gerard apenas escutava.

Uma hora, cansou. Não havia esperança em Gerard que acreditava que Frank se lembraria de tudo e que um dia acordaria e diria Gerard eu me lembro de você, ele duvidava que isso acontecesse. Então, pediu desculpas e disse ir buscar água para Frank.

Como Frank poderia se lembrar de tudo – ou quase tudo, não conseguia lembrar-se de alguns fatos recentes e um pequeno pedaço de sua infância – menos dele? Eles tinham uma vida, um sonho, um futuro e iriam ser felizes, por que não conseguia se lembrar?

Não. Ele foi atrás do médico, queria respostas, queria certezas, queria uma esperança. Não tinha nada além de Frank e sua memória falhada, nada além da morte dentro de si e todo seu futuro sumindo de sua cabeça.

- Receio dizer que pode não acontecer de ele se lembrar – suspirou – mas pode acontecer de ele se lembrar, porém. Não há certezas Gerard, se você realmente ama o rapaz, faça-o se apaixonar por você novamente.

Sentia seu corpo cair ao ouvir tais palavras, mas algo esquentava dentro dele. Faça-o se apaixonar por você novamente. Seria fácil?

Fez uma vez, por que não conseguiria mais uma? Ele não podia desmarcar o casamento faltando duas semanas e meia, ele tinha esperanças de que ele conseguiria seu Frank de volta, conseguiria ter sua vida de volta.

Pegou seu copo de café – vício e não foi uma mentira, afinal – e voltou para o quarto. Frank parecia normal ainda, então se sentou perto dele e entregou-lhe um copo de água que a enfermeira o entregou antes.

- Tive uma ideia – falou com um pequeno sorriso – eu vejo que não consegue se lembrar de mim, então... Poderíamos começar de novo?

Aquele sorriso simpático no sorriso de Frank quando ele aprovou sua ideia com a cabeça fez o rosto de Gerard iluminar-se. Ele iria fazer de tudo para ter seu Frank de volta, nem que tivesse que reconquistá-lo em apenas duas semanas.

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