Eu Lhe Daria Um Abraço - Série Ragnarok I
Eu Lhe Daria Um Abraço - Série Ragnarok I
Capítulo 14 min de leitura

Capítulo Único

Seu irmão jamais fora um para contar a verdade e algumas coisas não mudam; Loki não mudara, e nem mudaria.

Sentia o peso da tristeza e tragédia ao observar mais um daquelas ilusões na exata forma de seu irmão. Chegara a esboçar um sorriso derrotado na perspectividade da tragédia. Porque não importava o que fizesse ou dissesse, Loki era como um animal selvagem indomesticável, agindo sempre pelo instinto traiçoeiro, esperando para dar o bote e aquilo era tudo o que ele era, como ser, em sua essência.

"Eu lhe daria um abraço," comentara com decepção no tom de voz, desesperançoso. "Se você realmente estivesse aqui" concluíra com o arremessar do objeto na direção da ilusão com imagem do mais novo.

Embasbacara-se ao ver o objeto não atravessar a miragem, como esperava, mas, sim, ser segurado pelo punho do irmão, físico e sólido. Este, ainda, entortara o canto dos lábios em um sorrisinho provocativo e debochado.

"Eu estou bem aqui."

Fora instintivo e automático seu próprio sorriso, formigando em calor e felicidade não-controlável. Sua resposta não fora verbal, mas, sim, gestual, abrindo os braços em um convite, avançando dois passos na direção do moreno. Observara com satisfação que o irmão não protelara em também avançar, vindo ao seu encontro e passando os braços pela sua cintura. Imediatamente retribuíra, fechando os próprios sobre os ombros do menor, com carinho e devoção. Fizera questão de manter o abraço firme e apertado, para que o menor não pudesse fugir após breves segundos, mantendo-o ali, junto de seu peito, próximo como há anos não o sentia...

"Senti sua falta, irmão" segredara em um tom quase baixinho, respirando fundo pelo nariz, sentindo o cheiro inconfundível de mirra, a qual sempre considerara encaixar tão bem com a personalidade: cheiro perigosamente agradável; gosto amargo.

Conhecia bem o suficiente para saber que Loki não lhe responderia verbalmente, porque a língua deste não era capaz de elaborar nada além da mentira; logo, não lhe seria possível dizer nada, porque a verdade não fazia parte do vocabulário de seu irmão. E estava bem assim, porque, pelo menos, Loki não estava lhe mentindo mais...

"Eu também, irmão..."

... Mas talvez estivesse errado durante toda sua existência.

E nunca estivera tão feliz e satisfeito por estar errado.

Porque talvez pudesse, finalmente, desenterrar aqueles sentimentos reprimidos e afogados os quais segredava dentro de si próprio por tanto tempo quanto se conhecia...

"Loki" chamara pelo nome do irmão, sério, recebendo um resmungo de quem estava ouvindo.

Perante sua falta de réplica, o moreno levantara a cabeça, na sua direção. No mesmo instante empurrara uma das mãos para encaixar no rosto magro e ossudo, de pele pálida, enredando os dedos nos fios de cabelo enegrecidos e colidindo seus lábios com uma falta de delicadeza grosseira. Repreendera-se por ser tão brusco e, ao mesmo tempo, não conseguia fazer por menos, principalmente perante o receio real e possível de acabar sendo repelido pelo irmão.

Mais uma reviravolta muito bem-vinda: sentira os dez dedos magricelos apertarem com força a capa nas suas costas, cada uma das digitais forçando os músculos firmes escondidos pelo tecido, mantendo a si próximo. Um mínimo e singelo sorriso entortara o canto de seus lábios, mesmo pressionados contra os do menor: não pretendia ir a lugar algum em que o irmão não fosse.

Quando lambera os lábios do irmão, imediatamente lhe fora permitida passagem. Sentir o gosto da famosa 'língua de prata' enviara um arrepio cálido por todo seu corpo, semelhante e ao mesmo tempo contrastante com quando sentia o poder dos trovões passarem por seu corpo. Era de empoderar, instigante e excitante.

"Goddamn fuck" o moreno soprara assim que seus lábios separaram-se minimamente, com as testas encontrando-se, mantendo-os unidos, ambos igualmente extasiados por aquela nova experiência. "Eu estava esperando apenas pelo abraço, mas isto..." ele sorrira, provocativo, preparando-se para fazer alguma piada infame e provocativa.

"Oh, cala boca" reclamara sem real grosseria, avançando novamente e encontrando seus lábios, então na forma menos agressivamente desesperada.

Encontrara uma nova, mais eficiente e centenas de vezes mais proveitosa forma de calar e ocupar a língua de seu irmãozinho.

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