Entrelinhas
Entrelinhas
Capítulo 13 min de leitura

Capítulo único

Entrelinhas

{por FranHyuuga}

Os dedos dele eram frios.

Ela sempre pensava nisso quando os sentia em sua face corada.

— Você é quentinha, Hinata.

A brincadeira se repetia desde a infância, mas ela sabia ser uma desculpa para tocá-la. Será que Sasuke nunca confessaria seus sentimentos? Ele sempre estaria satisfeito em ser apenas um amigo?

Hinata sorria quando o via agir assim, tão infantil na ausência dos demais amigos. Despreocupado. Quase como se soubesse que as coisas seriam as mesmas hoje, amanhã, depois e depois... Ele contava com a rotina que os envolvia. Ele a preservava.

Mas ela...

Ela não.

SLAPT.

Um tapa. A mão dele mal chegou ao seu rosto quando Hinata a afastou. Os olhos negros a encararam assombrados.

— Se seus dedos estão frios, use seus bolsos.

Ela continuou a andar, as pernas trêmulas pela iniciativa brusca. Foi algo que não conseguiu conter, um ímpeto que pedia mudança.

Qualquer uma.

— Ei, espera! – Sasuke gritou. – O que está acontecendo com você?

A pergunta foi feita de frente, face a face. Ele a alcançou tão rapidamente com seus longos passos, uma piada.

— Nada.

Tudo.

— É sério, você está estranha – reclamou. – Eu fiz algo errado?

— Não.

Sim.

Encararam-se. Silêncio nas palavras, barulho nos sentimentos.

Hinata manteve a expressão impassível, Sasuke franziu o cenho.

— Está difícil ler você hoje.

Ele sempre achou que a conhecia como um livro aberto, mas Hinata estava cansada de esconder as entrelinhas.

— Talvez precise se esforçar mais – alfinetou.

Ele riu, achava graça quando Hinata estava brava. Era algo que só acontecia na intimidade, os outros jamais a veriam com aquela amarga carranca.

— Okay – Sasuke cedeu.

— Okay? – Muito fácil.

— Eu farei.

Qual era a dele? Sasuke era sempre irredutível quando recebia um comando. Odiava que lhe mandassem fazer qualquer coisa, por mais óbvia que fosse. Era teimoso e autoritário demais para negociações.

— Agora é você quem está estranho – comentou nervosa.

— Dois podem jogar esse jogo, Hinata.

E deu-lhe as costas, caminhando de um jeito que a impedia de retrucar. Ela apressou o passo para segui-lo, confusa demais.

Na manhã seguinte, SLAPT.

Ele não aprendeu nada?

— Você não quer que eu a toque.

Sasuke não parecia chateado.

— Não.

SIM!

— Devo parar de tentar?

Ele sorria.

— Talvez.

Nem pensar.

— Isso é interessante, Hinata.

Não, para ela, não era.

Outro dia e... SLAPT.

Sua mão atingiu o ar.

Demorou a entender, mas não foram os dedos frios de Sasuke que tocaram sua face desta vez. Foram... papéis.

— O que é isso?

Sasuke parecia muito satisfeito com o olhar curioso dela.

— Ingressos.

— Para quê?

Ele a observou longamente, antes de se inclinar e beijá-la.

Hinata corou pelo toque sutil de seus lábios, embaralhada em pensamentos.

— Nosso primeiro encontro.

Não sabia como responder. Por que Sasuke concluíra que ela o desejava daquela forma?

— Eu sempre recebi de você o que estava disposta a dar, Hinata – explicou. – Amizade, companhia, diversão... Para mim, desde que fosse seu, não importava.

Dessa vez, não houve tapa quando os dedos frios acariciaram a face quente.

— Agora que me deu o que eu mais queria – abraçou-a –, não poderá tomar de volta.

Em meio à carícia das línguas, Hinata finalmente entendeu...

Nunca houve entrelinhas para Sasuke.

FIM

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