Destinos Cruzados
Destinos Cruzados
Capítulo 125 min de leitura

We Remain

- Corre Katniss! Corre! Vamos ser apanhados! Corre sua idiota! — Meu namorado gritava comigo enquanto fugíamos do shopping que acabávamos de assaltar.

Não era a primeira vez que cometia qualque tipo de delitos, na verdade meu cadastro já era bem extenso para quem tinha apenas 21 anos. Eu não poderia ser apanhada de novo ou desta vez não teria escapatória possível. Seria presa de vez. Me xinguei mentalmenge por ter concordado em fazer este último assalto com Cato. O idiota só me metia em problemas. Bem dizia o Gale e a Johanna para me afastar dele mas eu alguma vez dou ouvidos a eles? Não, claro. Katniss, sua burra! Continuamos os dois a correr por entre as ruas de Miami. Então me apercebi que teríamos mais hipoteses de escapar se nos separássemos. Sem ao menos lhe avisar eu virei numa esquina enquanto Cato corria em frente. Vi a polícia seguir atrás dele sem ao menos reparar em mim. Para passar despercebida entrei na porta traseira de um edificio. Lá dentro era o caos, pessoas correndo de um lado para o outro. Fiquei especada à porta olhando a confusão até alguém me agarrar o braço.

- Até que enfim! Você deve ser a Octávia, a modelo em falta — um cara alto e com eyeliner nos olhos constatou continuando a puxar-me. Larguei-me do seu aperto e o encarei de frente.

- Octavia? Modelo? Não, eu...- não continuei pois ele passou a olhar-me de cima a baixo como que me inspecionando.

- Bom, não interessa. Você pode substítuí-la. Tem o corpo ideial. O Snow vai gostar. O que acha? Será bem paga. — pensei por um momento. A policia não me iria procurar no meio de um desfile de moda, eu acho. Estendi a mão para ele fechando negócio.

- Combinado. Katniss Everdeen — me apresentei.

- Eu sou o Cinna. Agora se senta aí que as minhas garotas irão tratar de você. — Me obrigou a sentar numa cadeira que ali se encontrava e desapareceu. As tais garotas vieram e começaram a tratar do cabelo e da maquilhagem. Elas falavam entre si sem me ligar e eu agradeci por isso. Assim podia apenas concentrar-me em controlar a respiração e o meu coração descompassado. Eu estava diferente nas mãos das garotas. Eu já não parecia Katniss, a garota de cabelos rebeldes, face sem vida. Agora eu era uma modelo, de cabelos compridos lisos e sedosos, olhar brilhante marcado por sombra preta e boca carnuda em tom vermelho escuro. Eu negaria isso a qualquer pessoa mas a verdade é que me adorei ver assim, como se fizesse parte de algum lugar, como se realmente pertencesse ali. Cinna voltou e pediu a atenção de todos nos bastidores.

- Minhas divas, lamento informar que Snow não virá hoje para verificar nosso trabalho. Então virá em seu nome o seu filho. — As meninas começaram todas aos gritinhos, tentando ficar ainda mais bonitas. Todas menos a garota loira ao meu lado que parecia até mesmo aborrecida.

- Qual o motivo de tango alarido? — perguntei para ela. Ela reparou em mim pela primeira vez e lançou um pequeno sorriso. Ela se inclinou um pouco em minha direção.

- O filho do Snow é um gato, um Deus grego! Totalmente irresistível. — lança uma gargalhada — Essas aí se matam por um pouco da atenção dele.

- Ele deve pegar geral então — deduzi. — a garota gargalhou ainda mais.

- Se ele quisesse sim, elas não ligariam ser usadas. Mas ele não presta atenção em nenhuma de nós. Apesar de ser lindo, jovem e rico, é uma pessoa fria, sem emoções.

Assenti e deixei que terminassem de me arrumar. Me colocaram um vestido que era no minimo intrigante. Pareceria um vestido de noiva se não fosse pelas várias aplicações pretas que circundavam o vestido. Na parte de cima do vestido renda preta tapava metade do meu busto e nas mãos tinha também uma especie de luvas de renda preta também. Me coloquei em frente ao espelho rodopiando vagarosamente admirando o vestido. Eu sempre fui apaixonada por moda mas minha vida não permitia que eu ligasse a muito a ela. Mas agora, me maravilhando com o vestido, percebi que ninguém podia suprimir esse meu lado de "patricinha".

- Quem é responsável por estas criações? São incríveis! — Falei olhando em redor para os outros vestidos. A modelo com quem falara à pouco olha para mim estupefacta e de olhos arregalados. Elas não gostam dos vestidos? — É serio! Olha para estas texturas, estas cores... Não sei como e quem o conseguiu mas fez um excelente trabalho. Tudo contrasta harmoniosamente...

Ela continuava de boca aberta mas agora não era só ela mas todo o mundo ali, inclusive Cinna. Mas ao olhar para o espelho reparei que eles não me olhavam, mas sim ao loiro atrás de mim. Seus olhos me encaravam com uma expressão indecifrável, frios. Este devia ser o famoso filho de Snow. Me senti acanhada com o olhar profundo dele em mim.

- Nunca vi uma modelo falar tão entusiasticamente do trabalho de um estilista. Achava que vocês se limitavam a vestir e desfilar — proferiu ele. Sua voz me fez um arrepio percorrer toda a minha espinha. Sua voz era sem emoção, porém, bastante sedutora. — Importaste de dar uma voltinha?

Assenti e rodopiei lentamente enquanto todo o mundo se mantia calado e sem se mover. Pareciam nem respirar. O loiro á minha frente olhava para toda a extensão do meu corpo mas sempre voltava para meu olhar. Terminei a volta e fiquei sem o que fazer. Ele se aproximou devagar e colocou suas mãos na minha cintura, agarrando o tecido do meu corpo.

- Cinna, me traga o kit de costura. A aplicação da renda está a descoser neste ponto. — Cinna logo desapareceu ás pressas para logo aparecer do volta com o kit. As pessoas começaram a mover-se novamente aos poucos. O homem que trabalhava no meu vestido terminou e se levantou — Respondendo à sua pergunta, eu faço os esboços e depois Cinna aplica eles, lhes dá vida.

Concordei com a cabeça e ele foi falar com Cinna. Me deixei olhar aquele homem. Ele não era muito mais velho que eu, mas sua frieza o fazia parecer mais velho. Ele vestia umas calças de ganga preta simples, camisa social branca, sapatilhas brancas e um casaco de cabedal preto lhe dando ainda mais o ar de misterioso. Percebo agora porque as garotas se babavam por ele.

- Garota! Você tem noção que ele nunca arranjou um vestido ele mesmo? Ele sempre manda Cinna fazer isso. — A loira parecia atónica. Eu apenad encolhi os ombros. — Eu sou a Madge.

- Prazer. Eu sou Katniss. -respondi

- Nome exótico... Gostei! — Ela terminou de arrumar seu vestido e depois fomos chamadas para começar o desfile. Comecei a entrar em pãnico. Eu não sabia desfilar. Mal sabia andar em saltos deste tamanho! Olhei para as outras garotas que entraram primeiro e achei rídiculo a maneira como elas andavam. Respirei fundo e resolvi ser eu própria. Chegou a minha vez. Ergui a cabeça, me mostrando altiva e um pouco arrogante e movi meus pés com confiança, como se estivesse no meu bairro mostrando para eles quem manda aqui. Terminei o meu percurso e as outras modelos olhavam para mim. Ignorei e adentrei para os bastidores. Reparei no loiro forte num canto olhando diretamente para mim. Pois, acho que não fui tão bem quanto achava, pois todo o mundo me encarava. Me sentei e comecei a descalçar os sapatos quando vi Cinna na porta das traseiras conversando com dois policias. Agora já era. Me preparei para correr mas Os policias se foram e Cinna fechou a porta e continou as suas tarefas.

- Você vai-me explicar tudinho mocinha. Nem pense em sair daqui ou conto para Peeta e ele te manda para a cadeia- Cinna falou ao meu ouvido me arrepiando. Peeta... então era esse o nome do filho do Snow. Ele encarava a mim e Cinna com uma expressão curiosa. Eu assenti para Cinna e nem me atrevi a sair dali mesmo quando as outras começaram a ir-se embora.

-Bem, Katniss, espero voltar a ver-te por aqui. — Delly falou com seus cabelos ondulados soltos. — És bem mais suportável que a Portia.

Eu sorri e acenei para ela. Já todo o mundo tinha desaparecido. Retirei com todo o cuidado do mundo o vestido e o coloquei ao lado dos outros. Enquanto esperava por Cinna fiquei a ver os vestidos, tocando eles, sentindo os tecidos finos entre as minhas mãos. Se era realmente Peeta que os desenhava, ele tinha imenso talento.

- Não sei se te disseram mas você está livre para ir embora quando quiser. — Peeta apareceu atrás de mim me assustando. Vi um indicio de um sorriso nos seus lábios, mas logo ele desapareceu.

- Sim, eu sei. Estou só à espera de Cinna. — esclareci desviando o olhar

- De Cinna? — ele levantou uma sobrancelha — Porquê?

- Porque ela é a minha prima querida que veio do Kentucky. — Cinna apareceu me abraçando os ombros. — Prima, para onde você está pensando em ir?

Aquela pergunta tinha uma outra pergunta implicita, eu tinha a certeza.

- Eu não sei muito bem, minha mãe ainda deve estar por aí à minha procura — Ele percebeu que com mãe, eu quis dizer a policia. Ele assentiu, mostrando que percebeu.

- Você fugiu? — Peeta perguntou tentando parecer indeferente ainda assim. — Porque não vem para o nosso apartamento?

- Nosso? — questionei surpresa — Vocês são um casal?

- Ai prima, bem que eu queria, mas esse aí não joga no meu time querida. É totalmente hetero. Apenas partilhamos casa. É mais fácil sabe? — Cinna gargalhou enquanto Peeta apenas se encostou na mesa atras dele cruzando os braços sobre o peito. Nesse momento desejo queimou em mim e me imaginei a deitá-lo sobre a mesa enquanto arrancava sua camisa e o beijava ferozmente... MAS O QUE FOI ISTO? Balancei a cabeça para clarear as ideias.

- Hum entendi — falei um pouco envergonhada com meus pensamentos nada inocentes.

- Então prima, você vem connosco sim, Tem muito que me contar. — Seu olhar sugeriu que não havia como eu negar seu convite.

- Nesse caso, e se o senhor Peeta não se importa, vou sim — murmurei

- Pode me chamar de Peeta apenas. Aliás não devo ser muito mais velho que você — De novo ele lançou apenas um meio sorriso. Como eu queria poder ver seu sorriso. Aposto que era lindo. Todo ele era lindo. Ir para casa com Cinna não vai ser tão mau assim afinal.

Nos dirigimos para o parque de estacionamento e eu entrei no Mercedes de Cinna enquanto Peeta entrou no seu Audi A1 branco. Eu tenho uma queda louca por Audis. As ruas estavam desertas pelo que logo chegámos no apartamento luxuoso mas reconfortante deles. Cinna me levou para o quarto de hóspedes que por ironia ficava em frente ao de Peeta. Os dois foram para a sala tratar de uns negócios enquanto eu resolvi tomar um banho. Meu quarto não tinha banheiro então tive que sair do quarto. Enquanto tomei banho pensei em como hoje foi um dia louco. Quase fui presa, não sei o que aconteceu com meu futuro ex-namorado.. Sim, ex-namorado. Depois dessa, para mim chega, chega disso. Ele não é meu dono. Cansei de levar na cara quando as coisas não correm como ele quer. Lágrimas começaram a cair quando me lembrei de tudo que ele me já fez sofrer, das coisas que me obrigou a fazer, da porrada que me deu. Quando saí do banheiro ainda estava a limpar as lágrimas e tropecei em Peeta. Ele olhou para mim e sua expressão enigmática desapareceu. A sua expressão era puramente de preocupação. Eu não esperava isso mas ele me abraçou sem uma palavra e ficou assim um tempo. Ainda nos braços dele ele sussurrou para mim:

-Está melhor agora Katniss?

- Larga minha prima seu viado! — Cinna faz escândalo. E se coloca entre nos teatralmente.

- Que eu me lembre o viado aqui é você. E eu estava apenas ajudando sua prima. Boa noite gente. — Sua expressão voltou a ser fria e impassivel. Ele entrou no seu quarto e fechou a porta. Eu queria bater em Cinna por ter estragado tudo. Era a primeira vez que via Peeta expressar alguma emoção e o bicha resolveu se intrometer.

- Agora nós dois! Vem comigo para a cozinha. — o segui e quando nos sentámos ele começou — Pode me explicar porque a polícia estava à sua procura?

- Porque eu assaltei o shopping com meu ex-namorado. — suspirei e ele olhou incrédulo para mim. — Ele falou que se eu não o fizesse ele me batia de novo.

- Menina! Nunca pensaste em fazer queixa desse grosso? — ele questiona.

- Quem iria acreditar numa garota com um cadastro tão extenso como o meu? — bufei frustrada. Ele tentou me consolar falando que tudo ficaria bem e que poderia ficar ali enquanto decidia o que faria a seguir. Depois foi para o quarto e eu fiquei ali sozinha. Me dirigi para a sala de estar com uma caneca de café fumegante. No canto da sala tinha uma secretária cheia de papeis. Esboços. Tinham o nome de Perta no canto. Ele realmente desenhava muito bem e era bastante criativo. Terminei de beber o café e resolvi pegar num papel em branco e fazer um esboço eu mesma. Estava tão absorta que nem reparei nas horas passando. Nem sequer reparei Peeta chegar.

- Você tem talento — ele conclui enquanto examina meu desenho. Ele deixa meu desenho e sai. Eu continuo desenhando quando ele volta com duas chávenas de café e se senta na cadeira ao meu lado. Ele me mostra alguns truques que ele usa para desenhar, eu lhe mostro minhas ideias e entre cafés e esboços já é de manha.

- Vocês dois por acaso dormiram sequer? — Cinna aparece ao nosso lado.

- Dormir para quê? — Peeta lança um sorriso leve, mas um sorriso. Me derreti com aquele pequeno sorriso. — Cinna, liga para meu pai. Eu quero Katniss como minha ajudante e como nossa modelo oficial. — Peeta fala calmamente como se fosse a coisa mais normal do mundo. Abro a boca para falar mas Cinna se intromete.

- Que bom Katniss! Isso é o que você precisava para reconstruir sua vida. — Cinna me encara como se falasse "não desperdiça garota!". Ele tinha razão, estava na hora de mudar minha vida. E essa era uma oportunidade perfeita.

- Obrigada pela oportunidade — falei olhando bem no azul de seus olhos. De novo ele deu um pequeno sorriso e eu não resisti. — você não sorri muito pois não?

- Não tenho muitos motivos para sorrir. – ele encolhe os ombros em sinal de indiferença mas reparo nos seus olhos marejados.

- Desculpa, eu não queria me intrometer. Eu vou ficar quieta e calada agora. – falei mas minha vontade era abraçá-lo para não o largar mais.

- Não, não tem importância. Eu sei que só nos conhecemos ontem mas sinto que posso confiar em ti. Aliás, Cinna deve ter-te contado o que aconteceu. – ele profere olhando bem profundo em meus olhos. Engulo em seco. Eu queria a confiança do homem à minha frente mas ele não podia confiar em mim! Tudo o que fiz até agora foi mentir para ele.

- Não, ele não me contou nada. Nem tu tens que o fazer. Não devias confiar em estranhos – forcei um sorriso mas ele manteve sua expressão fria.

- Eu fui abandonado no altar. Minha noiva fugiu me trocou por meu pai. As pessoas em quem mais confiava me traíram. – Minha boca se abriu em choque. Como uma mulher pode ser tão burra a ponto e trair Peeta? E pelo seu pai?

- E você continua trabalhando com ele como se nada tivesse acontecido? – questiono erguendo a sobrancelha.

- Sim, e todos os dias me sinto humilhado por isso. – ele baixa a cabeça envergonhado. – Eu queria abrir meu próprio atelier de estilismo mas eu tenho medo de falhar.

- Mas se nunca tentar, nunca saberá – coloquei minha mão sobre a dele. Ao contrário do que eu pensava, ele apertou-a junto dele.

- Eu sei. Cinna já falou que irá para onde eu for e eu acho que isso é um voto de confiança em mim – Peeta passava seus dedos por minhas mãos distraidamente. Seu toque despertava todo o meu corpo, algo que nunca aconteceu com Cato.

- Eu acho que você deve seguir seu coração – dito isto retiro minha mão das dele e coloco obre seu peito, bem onde o coração está. Olho para cima e ele está me encarando muito quieto. Eu não resisto e delicadamente coloco meus lábios sobre os dele. Ele não se afasta mas também fica imóvel, surpreso. Me aproximo um pouco mais dele mas mal percebo o que estou fazendo me afasto. Escondo a minha cara na cortina formada por meu cabelo. Ficamos os dois quietos, imóveis pelo que parecem minutos até que sinto sua mão em meu queixo me puxando para cima e logo seus lábios estão novamente nos meus. eu nem sei decifrar o que senti ao perceber que ele também sentia algo por mim, atração.

- Peeta!! Resolve ficar em abstinência total desde a idade da pedra e resolve do nada pegar Minha prima? Logo Katniss? – Porque este idiota dó aparece quando não deve? Agora Peeta vai voltar a refugiar-se no seu casulo.

- Cinna, você mesmo que disse para eu seguir em frente. Encontrei alguém com quem poderei eventualmente seguir em frente – Cinna fica sem reacção perante as palavras de Peeta e eu fico exatamente igual.

Nesse dia Nenhum dos dois tinham que ir trabalhar e então Cinna resolveu sair com suas cadelas como ele mesmo falou e Peeta ficou fazendo uns esboços. Quanto a mim fiquei no sofá vendo um filme super cómico. Eu tentava permanecer calada para não incomodar Peeta mas não conseguia reprimir as gargalhadas. Peeta largou os desenhos e se sentou ao meu lado.

- Desculpa, não queria incomodar você e seu trabalho. – falei me sentindo culpada.

- Não tens que pedir desculpa. Eu estou sem inspiração, por isso que parei. – disse colocando meus pés no seu colo.

- Tem certeza? – perguntei incerta. Ele colocou meus pés de volta no sofá e se inclinou por cima de meu corpo até seu rosto se encontrar perto do meu.

- Absoluta. – Então ele agarrou minha cintura e me beijou com voracidade. Fiquei bastante surpresa mas também bastante animada com sua mudança de humor. Ontem e hoje ele era um homem totalmente diferente. Suas mãos tocavam todas as partes de meu corpo e as minhas também não se fizeram de rogadas.

Com ambos no sofá e com pouco espaço nele acabamos os dois por cair no chão. Peeta nos rodou para que ao cair eu não tocasse sequer no chão para não me magoar. Caímos os dois nas gargalhadas. Me sentei por cima dele e fiz menção de o beijar. Ele fechou os olhos e eu aproveitei a sua distracção e saí de cima dele às gargalhadas. Ele ainda tentou agarrar-me o pé mas eu consegui escapar. Foi o que fiz toda a minha vida: fugir e escapar. Ele logo estava em pé correndo atrás de mim e me apanhou na cozinha. Eu estava encurralada. Ele lançou um sorrisinho malicioso e me colocou na banca da cozinha. Ele passou os lábios por toda a extensão do meu pescoço me fazendo arrepiar. Ele era bastante carinhoso ao tocar-me mas eu não queria gentilezas. Eu queria ele! Eu queria ele na sua totalidade. Agarrei sua camisa com força o puxando para perto e ataquei seus lábios como se não houvesse amanha. Meus dedos passeavam por seu abdómen definido enquanto desabotoava a sua camisa. Peeta lançou sua camisa para trás e nesse pequeno gesto pude ver seus braços perfeitos, seus ombros largos e pensei comigo mesma que eu não conseguiria passar muito mais tempo longe dele. Ele passou a beijar minha barriga subindo sempre até chegar a minha boca. Nos amamos ali mesmo, na bancada da cozinha. Graças a Deus, nenhuma bicha nos interrompeu dessa vez. Eu e Peeta estávamos sentados no chão da cozinha tentando recompor nossas respirações. Ele pode parecer frio, sem sentimentos, mas ele é fogoso. Ele é apaixonante. Ele é o homem que eu sonhava casar antes de ter que crescer e esquecer meus sonhos. Mas nós somos de dois mundos diferentes. Ele é perseguido pelos paparazzis, eu pela polícia. Ele tem posses, a única coisa que possuo é minha própria vida. No entanto, estou decidida a aproveitar o momento e ver onde ele me leva. Nos levantamos e fomos a correr para o duche. Como não nos decidíamos sobre quem tomaria primeiro um duche acabamos por ir juntos. Quando Cinna voltou cheio de sacos de compras eu e Peeta já estávamos devidamente vestidos. Porém Cinna percebeu que algo havia-se passado porque Peeta estava todo sorridente e alegre.

- Katniss, trouxe umas coisinhas para você – ele me entregou as sacolas. Tenho que admitir, o bicha tem bom gosto. – E não precisam disfarçar seus safados que pelo sorriso desse aí vocês fizeram muito mais que falar do tempo.

Então caímos os três na gargalhada e Peeta me abraçou. Nessa noite eu acordei quando Peeta resolveu vir para a minha cama. Segundo ele, já passou tempo demais sozinho. Eu não me importei nem um pouco de dormir nos braços dele. Acordei nessa manhã sentindo a falta do calor do corpo dele. Olhei em volta e ele estava sentado num canto da cama virado para mim e com um bloco de desenho nas mãos. Me aproximei curiosa pelo que ele estava fazendo. Quando viu que eu estava acordada abriu os braços me dando espaço para me sentar no seu colo. Me deu um beijo apaixonado e continuou a desenhar, mesmo comigo em seu colo. Olhei e vi que era eu. Mas eu não era o principal do desenho. Eram as vestimentas que me cobriam. Um vestido lindo azul-escuro aberto nas costas e delineando todas as minhas curvas. Ele desenhava os últimos pormenores quando eu tirei o lápis da sua mão. Ele ficou surpreendido mas logo se concentrou no que eu estava a fazer no papel. Quando terminei Peeta pareceu bastante satisfeito com os últimos retoques que eu dei. Ele me abraçou ainda mais.

- está lindo! – declarei – você não disse que estava sem criatividade?

- E estava! – confessou me dando um beijo na bochecha. – Mas você me inspira Katniss.

Me virei e enlacei minhas pernas na sua cintura antes de o beijar. Nesse momento Cinna irrompe pelo quarto.

- Sem safadezas logo pela manhã por favor! – ele fala colocando a mão na boca se fingindo escandalizado. Eu grunhi saindo de cima de Peeta e este gargalhava. Cinna viu o desenho em cima da cama e pegou nele. – Peeta, está lindo! É para a nova coleção de seu pai?

Enquanto Cinna se maravilhava com o esboço, eu comecei a me arrumar no banheiro.

- Não, esse é o primeiro esboço para minha própria linha. – achando que ouvi mal, saí do banheiro ainda sem a camisola vestida. Porem, Cinna estava de boca aberta, então eu ouvi bem. – Cansei de me matar a trabalhar para o ingrato do meu pai e ele receber os lucros pelo meu trabalho.

Então o bicha começou a bater palmas e fazer vénias ao loiro à minha frente. Ele começou a abrir um sorriso e quando me viu sorriu mais ainda me abraçando e sussurrou um “obrigado”.

Tomámos o pequeno almoço todos juntos. Hoje eles não tinham folga e eu fui com eles já que Peeta me contratou.

Hoje não entrámos pelas traseiras e fomos para os andares de cima, para a zona dos escritórios. Eu hoje iria com Cinna para a secção dos modelos. Tentei me despedir de Peeta mas uma secretária já estava empurrando ele para o escritório.

- Katniss, você está de volta! – Delly gritou do outro lado da sala e vindo me abraçar.

- Minhas lindas, essa é Katniss, nossa nova modelo. – Cinna me apresentou. Depois disso o tempo passou a correr. Entre experimentar roupa, despir roupa, arrumar cabelos, desarumar cabelo. Só pude respirar quando chegou a hora de almoço. Antes de dar a hora para almoço, Peeta apareceu lá. Eu sei, não porque o vi mas pelos guinchinhos das garotas.

- Me desculpe. Eu não queria ter ido embora sem me ter despedido – confessou ele sentando-se à minha frente e pegando na minha mão, fazendo as garotas parar o que estavam fazendo e encarar atónicas.

- Tude bem Peeta! – sorri para ele – acho que as garotas estão encarando…

- Então daremos um motivo para encarar – mal termina de falar ele lança-se sobre a minha boca me dando um beijo de perder o fôlego.

- Está definitivamente perdoado – gargalhamos juntos enquanto as modelos cochichavam sem ao menos disfarçar. Porém eu me senti bem. Ele era meu, aquele que todas queriam! Era meu. E eu era dele. – Eu vou almoçar. Você vem?

- Vou sim. Quero levar você ao restaurante italiano da esquina. Nunca lá fui mas me disseram que fazem uma lasanha divinal! – ele explicava enquanto saíamos do edifício.

- É ELA! PARE OU EU ATIRO! – um policia parou bem em frente a nós de arma em punho. Eu ergui meus braços no ar em rendição sem olhar para Peeta. Não conseguia. Era humilhante. Ele devia estar confuso ou com ódio de mim por ter mentido para ele.

Me levaram para a esquadra e me colocaram numa cela sozinha. Acharam que eu podia ser um perigoso para as outras, imaginem. Passei horas e horas ali sozinha esperando que me transferissem para um instituto prisional. Claro, minha vida estava boa demais para ser verdade. Tudo estava correndo bem demais para mim. Peeta vai me odiar para o resto da vida e eu não o culpo por isso. Até eu própria me odiava neste momento. Um guarda aproximou-se da cela e a abriu. Eu não me mexi. Ele não se moveu.

- Você pode sair garota! – finalmente ele falou. Eu olhei para ele e não havia sinal de piada ou brincadeira em seu rosto.

- Como assim posso sair? – perguntei me movendo para fora.

- Anda logo garota! – ele murmurou sem paciência enquanto me puxava para fora. Saí e então eu vi Peeta encostado à parede olhando na minha direcção e sorrindo. Ele estava sorrindo? As peças começaram a encaixar-se. Ele havia pago a minha fiança.

- Peeta, eu… — comecei mas ele me cortou a palavra.

- Shhh, não te preocupes. Está tudo bem. – ele me sossegou me abraçando.

- Tu devias odiar-me! Eu menti-te desde o inicio. Eu não sou modelo, sou apenas uma reles delinquente. – as lágrimas rolavam pelas minhas bochechas.

- Katniss, eu sabia de tudo desde o inicio. Eu sabia que estavas a fugir. – ele esclareceu. Eu continuava nos braços dele, chorando sobre o seu peito.

- Sabias tudo desde o inicio? Como assim? – como ele poderia sabe e mesmo assim deixar-me entrar na sua casa?

- A polícia abordou-me a caminho do desfile. Me mostraram sua fotografia e me disseram para estar atento. Então quando cheguei vi você numa de minhas criações e não acreditei que poderia ser a mesma pessoa. Me aproximei e ouvi você falar tão entusiasticamente das obras que não consegui denuncia-la. A observei durante todo o desfile, todos os seus movimentos. Então Cinna falou que você era prima dele e tal e eu decidi continuar com a jogada. Apesar de você ter cometido um crime, não queria que fosse parar à cadeia. Quanto mais a conhecia, mais eu queria você por perto. Pode ser um pouco precipitado mas eu estou a apaixonar-me por você. E não podia deixar você passar metade da sua vida na cadeia. Então aqui estou eu, seu princepe no cavalo branco salvando-a.

- Peeta, eu não mereço tudo isso. Você tem todas as garotas babando por você e você escolhe a mim? Uma criminosa que não merece o amor de ninguém? – Peeta não podia me amar mas eu era egoísta o suficiente para querer que ele me amasse.

- Não diga isso katniss. Você é quem eu quero. Você que me tirou da escuridão, me fez ver o sol brilhar de novo apenas com um sorriso seu. – Peeta me beijou suavemente – depois que esses grossos levaram você eu fui até meu pai. Eu me despedi. Eu quero formar minha própria empresa. E eu quero você e Cinna comigo nesse projecto. Eu tenho confiança em você. Eu acho que será uma excelente designer com o professor certo.

- Humm, onde eu irei encontrar um professor super talentoso, criativo, lindo, gato… — brinquei e ele gargalhou. – Serio, Peeta. Obrigada. Nunca ninguém depositou tanta confiança em mim.

- Isso é porque você nunca conheceu alguém que reconheça seu valor. – ele falou. Entretanto chegámos ao seu apartamento e de Cinna onde este esperava com uma garrafa de champanhe na mão e três copos na outra.

- Bem vindos ao inicio das nossas vidas!! – pegamos nos copos brindamos. Peeta e eu nos beijámos. Cinna dramatizou e começou a limpar as lágrimas.

- eu e você seremos nós a partir de agora. – Peeta falou enquanto entrávamos no seu quarto.

- Seremos nós, um só. O sol e a lua num eclipse. Juntos – confirmei.

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