Descobertas
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Capítulo 16 min de leitura

Capítulo Único

Estávamos no nosso jatinho particular voltando de uma série de apresentações no Japão. Da pequena janela vi a cidade lá embaixo e do outro lado Samara dormia tranquilamente ao meu lado com um sorriso nos lábios.

Levantei-me para ir até o banheiro e fiquei pensando em certas coisas. Tinha que conversar com Samara sobre as canções para o novo álbum que havíamos começado. E uma coisa que deixa inquieta. Eu passei a sentir algo que jamais senti por ninguém.

Voltei e me sentei ao lado de Samara novamente. Vê-la dormir daquele jeito tão sereno me deixava tão feliz. Acariciei seu rosto de leve para não acorda-lá. O show da ultima noite tinha sido bastante cansativo. Virei-me para o lado e fiquei pensando em como lhe contar. Acabei adormecendo.

- Teodora, acorde. Já chegamos em Montreal. – Ouvi Samara me chamando e me cutucando ao mesmo tempo.

- Sério? Nossa, acho que dormi demais.

- Não me diga. Vamos, precisamos ir para o nosso apartamento.

Ainda estava meio grogue de sono e me lembrei dessa parte, dividíamos um apartamento desde então. Deixei meu carro no estacionamento do aeroporto. Colocamos nossas malas na porta malas e dirigi até o nosso apartamento.

- O que você tem Tee?

Pronto. Isso acabava comigo. Apelido carinhoso vindo da minha irmã gêmea.

- Nada Sasa. – Menti. Ela só deve ter perguntado isso porque me viu muito quieta dentro do carro. Eu bolava uma maneira de como conversar a conversa.

- Eu acho que você está mentindo. – Ela começou.

- Samara, não começa. Será que não posso ficar em silêncio? – Desviei o olhar para ela por alguns segundos e voltei a prestar atenção no trânsito. Ela se acomodou no banco e virou olhando para o outro lado. Nesse momento eu percebi a besteira que eu tinha acabado de fazer. Eu não queria ter magoado ela. De nós duas, ela sempre foi a mais sentimental. – Samara, me desculpe, por favor. Eu não queria ter te machucado, não era a minha intenção.

- Se não era, então porque o fez? – Ela respondeu.

- Eu não sei. Só sei que não queria ter feito. Me perdoa por favor.

- Tudo bem, você sabe que eu consigo viver sem a minha maninha gêmea. – Falou e me beijou no rosto. Olhei para ela, dei um sorriso e continuei a prestar a atenção no trânsito. Pouco depois chegamos ao nosso apartamento. Coloquei o carro em nossa garagem e tiramos nossa mala , minha guitarra e seu violão. Colocamos tudo no elevador e apertamos o número do nosso andar.

- Como é bom estar em casa. – Ela falou.

- Concordo. – Coloquei minhas coisas em um canto e fui tomar um banho.

- Vou preparar alguma coisa para a gente comer. – Ela falou.

- Tudo bem. – Fui para o meu quarto, peguei minha roupa de dormir e fiquei no banheiro um bom tempo pensando em como era torturante sentir algo e não saber como se declarar.

- Achei que não ia sair mais do banheiro. – Ela falou quando me viu parada na porta da cozinha. – Vou tomar banho e depois comemos, tudo bem?

- Vai lá. – Falei e sorri.

Fiquei na sala tocando uma música qualquer até ela sair do banheiro. Ela parou e ficou me olhando de um jeito esquisito.

- Samara?

- Que foi Tee?

- Eu preciso te falar uma coisa.

- Aconteceu alguma coisa? – Ela perguntou preocupada ao sentar-se do meu lado no sofá.

- Sasa, eu te amo.

- Também te amo Tee.

- Não é desse jeito que você está pensando Samara. Eu te amo de verdade. Estou atraída fisicamente por você e todo esse tempo eu não disse nada foi uma tortura não poder te tocar, não poder te beijar, não poder te amar. Estou apaixonada pela minha irmã gêmea, que é meu tudo e meu mundo. Só espero que não me odeie por isso, mas eu precisava lhe dizer antes que esse sentimento acabasse comigo.

Vi os olhos de Samara ficar marejados por conta das lágrimas e não entendia o por que. Ela secou as lágrimas e parou de chorar. Olhou para mim, sorriu e tocou meu rosto delicadamente.

- Era por isso que você estava estranha, não é?

Apenas assenti. Tudo o que eu queria era ter uma resposta dela, o que não aconteceu. Ao invés disso ela aproximou-se de mim e meus olhos se encontravam com os seus. Olhei para seus lábios e para seus olhos. Li no seu olhar o que ela queria que eu fizesse. Toquei seus lábios com os meus e aproveitamos cada segundo desse momento. Aos poucos o beijo se aprofundou. Samara colocou a mão em minha nuca e me puxou para mais perto de si, toquei sua cintura encaixando nossos corpos. Sem interromper o beijo, guiei-nos até a cama e ficamos ali desfrutando cada momento perdido.

- Posso te fazer uma pergunta? – Perguntei.

- Até duas se quiser. – Ela riu.

- Você sentia o mesmo por mim?

- Pode-se dizer que sim.

- E porque nunca me falou nada? – Perguntei confusa ao lhe cariciar o rosto.

- Não sei. Só sei que te amava em silêncio e agora a minha maior descoberta foi saber que você sente algo por mim.

- E a minha foi saber que temos sentimentos idênticos.

- Tee, já parou para pensar que isso pode ser coisa de gêmeas?

- Não Sasa, não quero nem pensar. – Ela me beijou no rosto.

- E como fica todo o resto? – Ela perguntou.

- Você está querendo dizer sobre a gente?

- Isso.

- Bem, ninguém precisa saber que temos um relacionamento secreto. Isso pode ser uma coisa só nossa e que acontece fora dos palcos onde ninguém possa ver. – Sorri.

- O que seria de mim sem minha maninha inteligente. – Me beijou nos lábios.

- Sasa, acho que poderíamos comer o que você preparou, não acha?

- Se você está dizendo isso, é porque está com fome. Levantamos e nossas mãos se encontram. Fomos até a cozinha. Arrumei a mesa enquanto ela guardava algumas coisas que não iria mais usar para cozinhar.

Impossível era não saber nada sobre ela. Convivíamos a maior parte do tempo juntas e sabíamos o suficiente da vida da outra. Fui até ela, passei meus braços em sua cintura, aproximei nossos corpos e a beijei. Pude ver que não era só eu que estava feliz com a situação. Ver ela feliz era o meu maior presente. Dei mais um beijo nela e depois fomos comer, o resto da noite acabou sendo perfeito. Ficamos deitadas no sofá, ela entre minhas pernas, trocando caricias enquanto assistíamos um filme qualquer na televisão.