Coração De Coelho
Coração De Coelho
Capítulo 13 min de leitura

Interlúdio

Durante incontáveis eras, sussurrara os ventos uma magnifica história, que fora contada em forma de belas canções por antigas e sábias árvores. Narrava esta os curtos passos de um jovem garoto, que possuía como seu único e precioso sonho adquirir a capacidade de sonhar ao deitar-se no anoitecer de cada dia, para quem sabe desta maneira, refugiar-se da tristeza e crueldade que caminhava sua vida, no esvaecer do tempo a cada fim de um novo sol. Este ingênuo menino, caminhava cegamente sobre devaneios de quem sabe algum dia, poder ele com seus cálidos e ansiosos dedos, tocar os incontáveis sonhos que dançavam ao planarem entre o vazio cinza das cidades no cair da noite. Pertencia ele a uma humilde família, em sua total plenitude e que de poucas refeições e incontáveis provações sempre vivera...

Mas o que esta simples cantiga ou mesmo as árvores jamais souberam cantar, é que em um tênue entardecer de uma longa e floral primavera, onde majestosos raios de sol de um belo laranja avermelhado presenteavam a todos naquela simplória cidadela, este pequeno garoto de sonhos um tanto humildes á demasiado, pode encontrar-se com uma bela borboleta, que ao vê-lo, o confidenciara que jamais havia sido ela uma lagarta, pois fora sim uma criança, uma garota como qualquer outra e que de mesma modo, carregava consigo um lindo sonho:

"O de ganhar os céus sob a bela forma de uma borboleta..."

Neste mesmo instante, enquanto o "Jovem que jamais sonhara" como fora o garoto apelidado pela viajante dos ventos, ouvia a história desta sendo narrada por sua suave voz. Este então pode perceber “o por quê?” de sua cabeça ser tão divergente de tudo aquilo que se aguardava de todas demais, o "por quê?" que jamais poderia ele mergulhar nas profundezas inertes de sua imaginação, enquanto entregava-se ao seu leito de descanso durante as delongadas noites. Tudo lhes era evidente. Ele não era apenas o garoto de um único sonho, mas o encarregado de criar e controlar seus diversos mundos, onde apenas cada um obtém o poder de ditar suas próprias regras e leis.

Ainda um tanto preso ao levante de ideias que lhe vinham á cabeça e de modo inocente e um tanto curioso em seus gestos, este pergunta ao majestoso animal dos ares:

"Poderia você me responder, sobre quantos mundos e realidades é regido este nosso universo?"

E entao, a pequena borboleta ao pousar-lhe delicadamente em seu ombro, o responde como em um breve sussurro, enquanto definhava diante dos cobaltos e profundos olhos azuis do curioso garoto:

"Posso simplesmente falar-te, que existe um para cada bater de asas de um beija-flor na floresta..."

E fechando os olhos para o mundo ao seu redor, o pequeno menino pôde finalmente encontrar sua liberdade em seus inúmeros mundos e realidades, enquanto mantinha consigo, o seu forte desejo a cada breve abrir de pálpebras, de poder continuar: a sonhar mais um sonho... ~

Continua ~

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