Com Bênção ou Sem Ela
Com Bênção ou Sem Ela
Capítulo 116 min de leitura

Único

Com Bênção ou Sem Ela.

Capítulo Único...

A primeira coisa que Naruto Uzumaki decidiu sobre conhecer oficialmente o pai de sua namorada foi simples: Não falaria nenhuma merda.

A segunda decisão era ainda mais importante. Não iria vomitar.

Naruto encarou o próprio reflexo no pequeno espelho preso na parede do quarto. A camisa branca parecia certa. Pelo menos achava que estava. Tinha passado quinze minutos tentando decidir se deveria colocá-la por dentro da calça ou deixar para fora. Dentro parecia formal demais, fora parecia desleixado. Aí tentara metade dentro, parecia um idiota.

Então voltou para dentro.

O celular vibrou sobre a cama. Naruto olhou, viu que era uma mensagem de Hinata. Seu estômago imediatamente resolveu lembrar que existia.

Hina ❤: Já saiu?

Ele olhou para o canto superior da tela, 18:37. O jantar tinha sido marcado para às dezenove. A casa dos Hyuuga ficava a aproximadamente vinte minutos dali.

Naruto respirou fundo.

Naruto: Sim.

Ficou encarando a própria resposta, era claramente uma mentira, mas quem poderia julga-lo afinal. E de certo modo já estava prestes a sair mesmo.

Outra mensagem.

Hina ❤: Naruto.

Naruto estreitou os olhos para tela. Como ela sabia?

Naruto: Estou colocando o tênis.

Hina ❤: Então não saiu.

Naruto: Tecnicamente estou no processo de sair.

Os três pontinhos apareceram.

Hina ❤: Meu pai gosta de pontualidade.

Naruto fechou os olhos, claro que gostava. Porque conhecer o sogro ainda não era assustador o suficiente. Pegou carteira, chave e o perfume que quase derrubou tentando alcançar o celular.

Nova mensagem.

Hina ❤: E Naruto?

Naruto: Oi?

Hina ❤: Respira.

Ele parou, ficou olhando a ultima mensagem por alguns segundos. Hinata o conhecia há tempo demais, sorriu.

Naruto: Estou tranquilo.

A resposta veio quase instantaneamente.

Hina ❤: Mentiroso.

Achou meio ofensivo, mas completamente verdadeiro, bom pelo menos naquela ocasião.

(...)

Naruto permaneceu dentro do carro por exatos três minutos e quarenta e dois segundos. Não porque estivesse nervoso, longe disso. Só estava observando a casa.

Grande, muito grande, e muito bonita também. Jardim perfeitamente cuidado, algumas pedras formando o caminho até a entrada e uma árvore pequena perto da varanda que Hinata uma vez dissera ter sido plantada pela mãe.

Uma casa normal, o problema era o morador. Naruto olhou para o banco do passageiro, e viu as flores que comprou para Hinata e uma garrafa de vinho para Hiashi.

Não sabia se Hiashi bebia vinho, por isso recorreu aos amigos, primeiro ligara para Sasuke, que respondera por que diabos ele saberia. Foi quando lembrou que o pai de Sakura odiava Sasuke com todas as forças que se pode ter pra odiar alguém.

Tentou Shikamaru, talvez o único do grupo num relacionamento que durava mais de seis anos, para muitos ele estava enrolando Temari. Na primeira tentativa o Nara nem se deu o trabalho de atender, o que fez Naruto insistir uma segunda vez. O amigo o aconselhou a comparar qualquer uma que parecesse cara e disse que por experiencia poderia ser uma maneira amigável de começar as coisas mesmo que Hiashi não fosse adepto da bebida.

Naruto então comprou uma garrafa com uma árvore no rótulo, árvores pareciam dar um ar de produto sofisticado. Era o melhor que podia fazer.

O celular vibrou.

Hina ❤: Estou vendo seu carro.

Naruto ergueu os olhos. Uma cortina do segundo andar mexeu.

— Traidora.

Pegou as flores, o vinho. Contou até dez, respirou fundo, desejou ter tido tempo de ter falado com alguém que tivesse casado para pegar dicas uteis, mas lamentou ter tantos amigos incompetentes romanticamente, e isso o incluía. Respirou fundo antes de abrir a porta do carro.

Talvez sobrevivesse.

(...)

Hinata abriu a porta antes mesmo que tocasse a campainha, Naruto ainda estava com a mão levantada, ela olhou, o fazendo seguir o de seus olhos.

— Eu ia bater — disse sem jeito.

— Eu percebi. — ela sorria.

— Faz quanto tempo que está me espionando?

— Não estava espionando. — Ela desviou os olhos.

— Você estava. — Naruto sorriu.

Hinata ignorou e olhou para ele. Camisa social branca. Calça escura. Cabelo que aparentemente havia tentado pentear sem nenhum sucesso.

— Você veio de social.

— Ficou ruim? — Naruto imediatamente olhou para própria roupa.

— Não.

— Tem certeza?

— Tenho.

— O Sai disse que pareço vendedor de plano funerário.

— Ignore o Sai. — Hinata mordeu o lábio.

— Normalmente um bom conselho.

Ela se aproximou e arrumou a gola dele, Naruto ficou paralisado. Os dedos dela tocaram brevemente seu pescoço.

— Nervoso? — perguntou.

— Absolutamente não.

Hinata levantou uma sobrancelha.

— Um pouco — tentou parecer firme e ela continuou olhando. — Muito.

Ela riu, depois encontrou a mão dele e entrelaçou os dedos. Naruto olhou atentamente o gesto, ela apertou levemente a mão contra a dele.

— Vai ficar tudo bem.

— Você não pode garantir isso. — Pela primeira vez o nervosismo dele estava palpável.

— Posso tentar. — o tom calmo de sempre, tentava reconfortar o namorado enquanto tentava esconder as próprias preocupações.

Antes que Naruto respondesse, outra voz apareceu atrás dela.

— Você é o Naruto?

Hanabi.

Naruto já tinha visto fotografias. Ao vivo, entendeu imediatamente algumas coisas que Hinata contava sobre a irmã. Principalmente a parte preocupante.

— Depende do que ouviu.

— Gostei dele. — Hanabi sorriu.

— Hanabi. — Hinata suspirou.

— O pai está na sala.

O sorriso de Naruto morreu.

— Boa sorte. — Hanabi percebeu.

— Você não vem? — perguntou Naruto tinha a esperança de ter quem sabe algum aliado além da namorada. Afinal, para o pai delas qualquer argumento de Hinata poderia soar tendencioso para o lado do loiro.

— Eu já conheço nosso pai.

E desapareceu pelo corredor.

Naruto olhou para Hinata.

— Sua irmã me abandonou.

— Ela faz isso.

— Ainda posso fugir.

Hinata puxou sua mão.

— Não.

A porta fechou atrás dele.

Pronto.

Seu destino estava selado.

(...)

Hiashi Hyuuga estava na sala., sua postura reta. Camisa social escura mesmo estando dentro da própria casa. Cabelos longos presos para trás. A expressão séria de alguém que provavelmente jamais tinha feito uma careta idiota diante do espelho.

— Boa noite, senhor Hyuuga. — Naruto tentou sorrir.

Hiashi o encarou, parou por um momento. Naruto sentiu alguma coisa estranha. Aquele rosto, aquela expressão de descontentamento se formando, já tinha visto em algum lugar. Talvez mais jovem? Com um cabelo menor?

Atrás de uma mesa, segurando provas, suas provas com notas horríveis letra e rascunhos de cálculos complicados demais até pra ele explicar.

— Professor?

Hiashi estreitou os seus.

— Uzumaki.

Silêncio.

Hinata olhou para um, depois para outro.

— Vocês se conhecem?

— Seu pai era meu professor! — Naruto apontou.

Hanabi reapareceu imediatamente, desgraça parecia atraí-la. Até porque como Naruto poderia ter se esquecido que o sobrenome de Hinata era o mesmo que o de Hiashi.

— Sério?

— Matemática e física. — Hiashi respondeu.

— O senhor também me deu física? — Naruto franziu a testa.

— Isso explica algumas coisas. — Hiashi permaneceu sério.

Hanabi tapou a boca segurava o riso, já Hinata até que tentou mais falhou completamente.

— Você está rindo? — Naruto olhou indignado.

— Não.

— Está sim.

— Desculpa. — Não parecia um pedido sincero.

Hiashi cruzou os braços, Naruto reconheceu aquele gesto. Era exatamente o mesmo que fazia quando algum aluno respondia alguma idiotice.

— Você continua falando antes de pensar.

Naruto fechou a boca.

— Pelo menos aprendeu algumas coisas. — Hiashi assentiu.

— Isso vai ser muito melhor do que pensei. — Dizia Hanabi perdendo a batalha contra os risos.

Naruto olhou para Hinata.

— Eu quero ir embora.

— Não. — Ela segurou sua manga.

— Seu pai tentou me reprovar.

Hiashi corrigiu:

— Recuperação final.

— Viu? Passei. — Naruto apontou.

— Com seis.

— Seis ainda é passar.

— Depois de três trabalhos extras.

— O senhor lembra disso? — Naruto piscou.

— Professores normalmente lembram dos piores alunos. — Hiashi encarou-o.

Naruto levou uma mão ao peito.

— Isso foi desnecessário.

Hanabi estava quase chorando de rir. Hinata pegou o vinho das mãos dele antes que acabasse derrubando.

— Naruto trouxe isso para o senhor.

— Não bebo. — Hiashi olhou a garrafa.

— Claro que não. — Naruto fechou os olhos.

Hinata mordeu o lábio.

— Eu devia ter avisado.

— Devia.

Hanabi pegou a garrafa.

— Podemos usar para cozinhar.

Naruto encarou a árvore sofisticada no rótulo desaparecer corredor adentro.

Três minutos.

Estava ali há três minutos.

E já queria morrer.

(...)

Estranhamente o jantar não foi tão ruim. Pelo menos depois dos primeiros vinte minutos, Hiashi fez perguntas, muitas sobre todo tipo de coisa, trabalho, faculdade, família e os planos profissionais. Naruto teve a desagradável impressão de estar em uma entrevista de emprego onde a vaga era continuar namorando Hinata. Ainda assim respondeu.

Trabalhava havia dois anos e meio numa agência de comunicação. Gostava do emprego. Talvez um dia abrisse algo próprio.

— Talvez? — Hiashi perguntou.

Naruto percebeu o erro.

— Ainda estou planejando.

— Entendo.

Não parecia entender, Naruto resolveu continuar comendo. Comida não julgava ninguém. Na maior parte do tempo. Hanabi, por outro lado, parecia determinada a tornar tudo pior para eles e mais engrado para ela, estava se sentindo em um show de stand up.

— Como vocês se conheceram?

Hinata imediatamente ficou vermelha.

— Hanabi.

— Derrubei café nela. — Naruto sorriu.

— Quase um copo inteiro. — Hinata corrigiu.

— Metade.

— Minha blusa era branca.

— Isso agravou bastante a situação.

— E depois? — Hanabi riu.

— Ele tentou limpar. — Hinata respondeu.

Hanabi voltou seu olhar para Naruto.

— A mesa! — soltou percebendo o que a cunhada podia ter entendido.

Hanabi começou a rir.

— Eu tentei limpar a mesa!

— Claro.

Sua namorada já estava escondendo o rosto. Até Hiashi pareceu respirar de uma maneira diferente. Quase um riso. Quase.

Naruto viu.

— O senhor riu?

— Não. — Hiashi voltou a expressão séria imediatamente.

— Riu sim.

Hinata tocou o joelho dele por baixo da mesa, como se dissesse um “Cala a boca idiota”.

Naruto entendeu. E, surpreendentemente, obedeceu.

Depois disso ficou mais fácil. Hanabi contou várias histórias de Hinata. A primogênita ameaçou contar histórias piores de Hanabi. Naruto descobriu que Hiashi acompanhava futebol e cometeu o erro de falar que torcia para um time rival. Mais quinze minutos de discussão.

Curiosamente, foi a parte em que Hiashi mais falou com ele. Quando percebeu, Naruto já não sentia que estava prestes a ser executado.

Talvez sobrevivesse mesmo.

Talvez.

(...)

Duas horas depois, Hinata e Hanabi levaram as coisas para cozinha.

— Eu ajudo. — Naruto levantou.

— Não precisa. — Hinata respondeu.

— Posso lavar.

— Está tudo bem.

— Secar?

— Naruto.

Ele estreitou os olhos e ela sorriu. Foi quando percebeu, olhou para Hiashi se acomodando na sala novamente.

Depois para ela.

— Você está fazendo isso de propósito.

— Boa sorte — beijou rapidamente sua bochecha.

— Hinata!

Ela já tinha desaparecido, sentindo-se traído e jogado aos leões voltou para a sala. Hiashi estava tomando chá. Sentou-se um pouco afastado do sogro, e o silencio se formou. Naruto odiava silêncio.

— Uzumaki.

— Professor.

Uma sobrancelha ergueu.

— Digo Senhor Hyuuga.

Melhor.

— Você pretende se casar com minha filha? — Hiashi colocou a xícara sobre a mesa.

— O quê? — Naruto congelou.

— A pergunta foi simples.

Era mesmo uma pergunta simples. Naruto olhou de relance para à cozinha. Podia ouvir Hinata e Hanabi conversando. Uma pequena risada. Ele conhecia aquela risada.

Conhecia também o jeito como Hinata tirava tomate de qualquer lanche e colocava no prato dele. Como sempre dizia que não queria sobremesa e depois comia metade da sua. Como apertava dois dedos contra o pulso quando ficava ansiosa. Como adormecia no meio dos filmes que ela mesma escolhia.

Onze meses. Quase um ano.

Naruto voltou para Hiashi.

— Sim.

Hiashi permaneceu sério.

— Sim?

— Quero me casar com ela. — A resposta saiu estranhamente fácil. Naruto respirou.

— Não amanhã. Nem mês que vem. Mas algum dia.

Hiashi observou-o.

Então Naruto resolveu fazer aquilo direito.

Pelo menos uma vez.

— Quando chegar essa hora... gostaria da sua bênção.

A frase pairou pela sala, um segundo se passou, dois, no sexto segundo de silencio.

— Não. — Hiashi respondeu.

Naruto piscou.

— Não?

— Não terá.

Bom, definitivamente não esperava por aquela resposta, e aquilo era ruim.

— Posso perguntar por quê?

— Eu conheci você aos dezesseis anos. — Hiashi recostou-se.

Naruto entendeu imediatamente.

— Faz bastante tempo.

— Você era irresponsável. Chegava atrasado. Não entregava trabalhos. Tratava praticamente toda obrigação como algo que poderia resolver no último minuto.

— Eu tinha dezesseis anos.

— E hoje ficou quase quatro minutos dentro do carro antes de entrar.

Naruto franziu a testa. Como?

Olhou para janela.

Claro.

— Eu estava nervoso.

— Exatamente.

— Eu cresci. — Naruto apertou o maxilar.

— Cresceu?

Parecia uma pergunta mais Naruto sabia que não era. O jeito, Professor Hyuuga. Naruto não conseguiu evitar de se sentir novamente com dezesseis anos.

O aluno sempre atrasado, que dormia nas aulas, notas beirando o vermelho isso quando não era vermelhas. Segundo sua mãe foram anos complicados.

Foi então que percebeu uma coisa não tinha mais dezesseis. E aquilo não era uma prova.

— Sim.

Hiashi continuou olhando.

— Você fala antes de pensar. Ainda não sabe exatamente o que deseja profissionalmente. É impulsivo.

— Certo. — Naruto soltou o ar.

— Gostar de alguém não significa estar preparado para construir uma vida com essa pessoa.

Aquilo doeu um pouco, mais do que deveria.

— Eu amo sua filha.

— Não duvido.

Naruto não esperava isso.

— Então qual é o problema?

— Amor não impede alguém de cometer erros.

Naruto ficou alguns segundos em silêncio.

— Não.

Hiashi ergueu as sobrancelhas.

— Não impede.

Naruto respirou fundo.

— Eu provavelmente vou errar muito com a Hinata.

— Excelente argumento. — Hiashi endureceu.

— Deixa eu terminar. — A resposta escapou, fechou os olhos. — Por favor!

Hiashi não falou nada apenas intensificou seu olhar avaliador sobre ele.

— Eu vou esquecer alguma coisa. Vou falar alguma idiotice. A gente vai brigar. Ela também vai errar comigo. — Naruto olhou para cozinha. — Hinata não é perfeita.

— Eu sei.

— Às vezes não parece.

Pronto. Talvez tivesse exagerado, a expressão avaliadora de antes tornou-se mais seria e podia jurar que o viu aperta a xicara em sua mãe com mais força.

Naruto continuou mesmo assim.

— Ela fica insegura. Guarda coisa demais. Pede desculpas quando não fez nada. Às vezes prefere ficar desconfortável para não incomodar outra pessoa.

Hiashi desviou os olhos por meio segundo.

Naruto percebeu.

— Mas está mudando.

Voltou a olhar para ele.

— E eu amo ela o suficiente para saber dessas coisas. Não quero só a parte fácil. — Pausa respirou lentamente. — Quero ficar quando não for fácil também.

Silêncio.

Naruto respirou fundo.

— Então ainda queria sua bênção. — Outra pausa. — Mas se continuar sendo não...

Hiashi levantou os olhos.

Naruto coçou a nuca.

— Com todo respeito, eu vou pedir ela em casamento mesmo assim.

Hiashi ficou imóvel.

— Mesmo sem minha aprovação?

— Sim.

Pronto.

— Porque quem precisa dizer sim é ela.

— Concordo.

A voz veio atrás deles. Naruto sentiu a alma deixar o corpo, virou-se e viu que Hinata estava parada na entrada da sala. Hanabi atrás dela segurando uma travessa.

— Há quanto tempo está aí?

— Tempo suficiente. — Hanabi sorriu.

— Hanabi.

— Vou deixar vocês.

E desapareceu novamente, Hinata entrou na sala e olhou para o pai.

— O senhor disse não?

— Disse.

Ela respirou fundo.

Naruto percebeu os dedos dela apertando discretamente o vestido.

— Por quê?

— Hinata...

— Quero saber.

Hiashi a observou.

— Não acredito que ele esteja pronto para oferecer a estabilidade que você merece.

Hinata ficou quieta. Depois assentiu.

— Entendi.

Naruto conhecia aquele tom. Ainda não tinha terminado.

— Mas quem decide o que eu mereço?

Hiashi não respondeu.

— Eu quero o melhor para você.

— Eu sei. — A mão dela apertou o tecido outra vez, ainda nervosa. — Só que minha vida precisa ser escolhida por mim.

Naruto ficou parado. Orgulhoso demais para esconder completamente.

Hiashi percebeu.

— Para de sorrir. — Hinata também.

— Desculpa.

Ela voltou para pai.

— Eu amo o senhor0 — deu uma pausa. — Mas amo ele também.

Naruto esqueceu de respirar.

— E se algum dia Naruto me pedir em casamento, quem vai decidir a resposta sou eu.

Hiashi permaneceu olhando para filha, longamente.

Então soltou o ar.

— Eu sei.

Hinata pareceu surpresa.

Naruto também.

Hiashi olhou para ele.

— Continuo achando você impulsivo.

— Justo.

— Barulhento.

— Um pouco ofensivo.

— E ainda fala antes de pensar.

— Estou trabalhando nisso.

Hinata soltou uma pequena risada.

Hiashi continuou.

— Mas minha filha parece feliz.

Naruto olhou para ela.

Hinata sorriu. Aquele sorriso pequeno. O favorito dele.

— Está. — ela respondeu.

Hiashi assentiu.

— Então talvez eu precise conhecer quem você se tornou.

Naruto ergueu as sobrancelhas.

— Isso é uma bênção?

— Não.

Naruto murchou.

Hanabi gritou da cozinha:

— Pai!

Hiashi ignorou.

— Ainda.

Naruto ficou olhando.

Então entendeu.

— O senhor fez isso de propósito.

Nenhuma resposta.

— Fez.

Hiashi pegou a xícara.

Naruto apontou.

— Isso foi rude.

Hinata começou a rir.

Hiashi quase sorriu.

Quase.

(...)

Alguns minutos depois, Naruto estava do lado de fora.

Vivo.

Tecnicamente inteiro. Já era uma vitória.

Hinata caminhou com ele até o carro.

— Acho que ele gosta de você.

Naruto parou.

— Seu conceito de gostar é assustador.

— Ele convidou você para voltar.

— Para continuar me avaliando.

— Mesmo assim.

Naruto colocou as mãos nos bolsos.

— Eu falei sério.

Hinata olhou.

— Sobre?

— Casar com você.

Ela ficou imóvel.

Naruto imediatamente levantou as mãos.

— Não estou pedindo agora.

Hinata soltou o ar.

Naruto estreitou os olhos.

— Isso foi alívio?

— Surpresa!

— Pareceu alívio.

— Naruto.

Ele sorriu.

— Idiota. — Hinata empurrou seu braço.

Naruto segurou sua mão antes que afastasse.

— Mas algum dia.

Ela suavizou o olhar.

— Algum dia.

— Isso é um sim?

— Você não perguntou.

Naruto abriu a boca, fechou. Era irritante, mas ela estava certa.

— Se eu perguntasse?

Hinata fingiu pensar.

— Talvez.

— Talvez?!

Ela começou a rir.

— Depois de tudo que enfrentei hoje?

— Isso não conta.

Hinata ainda ria quando ficou na ponta dos pés e o beijou. Um beijo pequeno, simples, intimo e aconchegante. Quando ela se afastou, ele ainda segurava sua cintura.

— Isso foi um sim?

Hinata fechou os olhos.

— Naruto.

— Pergunta válida.

— Boa noite.

Ela começou a voltar.

Naruto abriu a porta do carro.

— Hinata!

— O quê? — Ela virou.

— Eu ainda vou casar com você. — Naruto sorriu.

Hinata ficou parada por alguns segundos.

Então aquele sorriso apareceu novamente.

— Então vai precisar pedir primeiro.

E entrou. Naruto ficou olhando para porta fechada. Não pode evitar de sorrir sozinho, e entrou no carro. O celular vibrou antes que pudesse ligar.

Hinata.

Uma fotografia.

A garrafa de vinho permanecia sobre a bancada.

Hina ❤: Você esqueceu.

Naruto olhou para árvore sofisticada no rótulo. Depois de tudo.

Naruto: Deixa pro próximo jantar.

A resposta veio alguns segundos depois.

Hina ❤: Meu pai disse para trazer suas provas antigas no domingo.

Naruto por um momento sentiu a alma deixar o corpo. Leu novamente. Domingo.

Outro jantar. E Hiashi já estava tirando uma com a cara dele. Respirou fundo.

Digitou.

Naruto: Isso é meio rude da parte dele, nem devo ter essas provas mais.

Do outro lado da rua, Hinata começou a rir. E Naruto ouviu.

Mesmo com o vidro fechado.

FIM!?

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