Clay e Skye um novo começo.
Clay e Skye um novo começo.
Capítulo 14 min de leitura

Capítulo único

E como sempre, parecia que ninguém me notava, ninguém naqueles corredores me via, ninguém ousava ouvir meus gritos desesperados implorando por ajuda. Será que ninguém percebia? O silêncio em volta de mim, a maneira como eu evitava todo e qualquer tipo de contato visual, ou simplesmente ignorar todos a minha volta. Será que ninguém percebe? A maneira como me isolei de todos? Do mundo? Não é visível a infelicidade escancarada no meu rosto? Não está na cara que, eu não quero fazer parte de Mais nada? Quem sabe do meu enterro.E se isso for o que eu quero? Meu silêncio eterno.
Meu silêncio ensurdecedor, minha dor, minha tristeza de viver que só aumenta a cada dia.
Sempre fui notada, como uma garota bonita, com amigos. Amigos? Se são realmente amigos, onde é que estão agora? Onde?
Passo por todos no corredor, todos que se diziam meus "amigos".
Não é que eu não queira socializar, é que eu tenho medo. Medo de ser feita de boba, medo de ser manipulada, medo de sofrer mais.
Ao virar acabo encontrando o olhar dele. Clay Jensen. Ontem no ônibus, me lembro, de seu jeito, um tanto quanto confuso, mas quem sou eu para julgá-lo por isso? Gostaria que todas as pessoas sumissem, desaparecessem da minha vida. Mas ele é um dos únicos que não me faz querer vomitar, que não me faz querer sumir. Não sou amiga dele, na verdade não tenho mais amigos. Ainda tenho um pensamento confuso com relação a "Amizade", já que aqueles em que mais confiamos são sempre os que mais nos magoam. Sinto que Clay, talvez não seja desses que destroem a vida dos outros.
Não sei como encarar essa maneira como eu o imagino, será que ele é capaz de salvar alguém? Resgatar o pouco de felicidade que resta na vida de uma pessoa, e multiplicar essa felicidade? Não sei.
Estamos nos encarando, enquanto eu penso todas essas coisas. Talvez eu queira que ele sorria e não fique apenas me observando. Como antes, "antes", antes de que? Seu olhar é incrível, a maneira como analisa tudo o que vê, com certa forma um tanto quanto assustada de encarar alguma realidade. Como se pudesse enxergar o que ninguém via, o que ninguém mais via, ou o que ninguém fingia ver. Ele estava parado, continuava me olhando, até que eu me virei, e voltei para a minha realidade, para a minha tristeza.
De um tempo para cá eu tenho evitado as pessoas. Todos, tenho evitado conversas, olhares. Evitado a minha vida. Por isso, acho que não devo culpar a todos por me sentir sozinha ou perdida, mas eu culpo.
E diariamente eu me sinto vazia. Sem amor, sem felicidade. Simplesmente o nada tomando conta de mim.
Escuto passos próximos aos meus, uma respiração bem atrás de mim, ofegante. Não quero me virar, não posso me virar. Mas de repente algo me desperta e sua voz me atinge em cheio.
— Skye...
Eu me viro. E novamente aquele olhar se chocando ao meu.
Era Clay, só que seu olhar já não era o de antes. Agora brilhando de uma maneira que não sei explicar, e quando desviei o olhar, percebi o seu sorriso surgindo em seu rosto.
— Oi...- Digo um pouco confusa.
— Será que podemos conversar?- Ele diz olhando nos meus olhos.
— Pode ser... -Respondo e olho para baixo.
Clay começa a andar e volta o olhar para mim como se dissesse "Vamos".
Sigo ele, e caminhamos lado a lado, até que ele pega na minha mão, de uma maneira acolhedora. Fiquei um pouco tonta, pois parece que ele se importa comigo.
Por um instante não sinto raiva de tudo, por este instante não quero sumir, todo meu vazio pode estar sendo completado,mesmo que pouco, mas esta.
E nesse momento eu não odeio ser quem sou.

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