Calmaria
Calmaria
Capítulo 13 min de leitura

Capítulo Único

Mutano gostava de agitação.

Gostava de ver os filmes de ação com os outros titãs para ver as engraçadas reações de Estelar. De treinar com Robin e ver seus planos mirabolantes. De jogar videogames com Cyborg comendo qualquer besteira.

Porém, também gostava da calmaria que Ravena mantinha — mesmo que nem sempre fosse tão calma assim. Gostava das suas discussões, que na maioria das vezes eram por motivos bestas, e de mexer nas suas coisas. Gostava de cada olhar, cada sorriso, cada abraço. Não importa o quão raro fossem.

Fora isso, a paz não era algo de seu cotidiano. Com suas responsabilidades de super-herói — mesmo que ele não fosse lá o mais responsável —, era difícil qualquer dia ser tranquilo, até mesmo para seus padrões estranhos. Eram muitas tarefas, muitas missões.

Porém, naquele dia, as coisas estavam diferentes. O alarme estava silencioso, e até dava a impressão de ter sido desligado.

Com o estranho acontecimento, cada um resolveu aproveitar a tarde do seu jeito: Robin e Estelar davam um passeio, Cyborg estava em seu quarto fazendo alguns ajustes e Mutano via TV na companhia de Ravena — o que era algo engraçado, porque ela sempre estava no seu quarto. Se bem que, a presença da garota não contava totalmente como companhia, levando em conta que ela estava sentada a poucos metros de distância, lendo um livro.

Tudo estava silencioso, a não ser pelo barulho da televisão. Mutano não sentia vontade de comentar o programa e levar a resposta rabugenta de Ravena, ou até mesmo seu silêncio. Ele sequer prestava atenção no que estava acontecendo — seus olhos estavam presos na garota. A morena era tudo que via.

E Mutano sabia que isso não era de agora.

— Ravena? — Chamou, diminuindo o volume da televisão. A garota desviou o olhar da sua leitura e encarou-o com as sobrancelhas arqueadas. — Posso te contar uma coisa?

Por fim, fechou o livro.

— ... Tá. — Mesmo com a expressão apática, dava para sentir a dúvida na sua voz.

— Você se lembra do tempo em que não éramos exatamente amigos? Quando só conversávamos para discutir?

Ravena concordou, franzindo os lábios.

— Pois é né — Mutano falou sem graça —, até mesmo naquela época, eu achava que poderia me apaixonar por você.

A morena encarou-o surpresa, e quase que instantaneamente suas bochechas ficaram avermelhadas.

E Mutano sabia que não estava muito diferente.

Por mais que o que estivesse falando fosse um pouco repentino, parecia tão... certo.

— E agora? — Questionou a morena por fim.

— Bem, infelizmente, agora eu sei que estava certo.

E então, Ravena sorriu. Era tudo tão pacífico entre eles — pelo menos naquele momento — que Mutano quase podia acreditar que era um rapaz normal, sem o fardo de ser herói nas suas costas.

Afinal, por mais que gostasse de coisas agitadas, a calmaria sempre o atraía.

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