Café da manhã
Café da manhã
Capítulo 14 min de leitura

Café da Manhã

Como sempre, despertara em seu peito, aquela sensação de estar com os olhos cansados, por ainda acordar e sentindo o cheiro dele diretamente era impagável. Deslizou sua mão por seu braço até chegar à mão dele, fazendo assim aquele cruzar de dedos que lhe causavam paz e a fazia esquecer que havia um mundo lá fora. Olhou para cima, viu sua barba por fazer, que insistira em retirar algumas vezes, mas admitia que em determinado comprimento, o deixava ainda mais charmoso, então voltou a afagar seu rosto em seu pescoço, sentindo que aquilo poderia durar o dia inteiro se ambos quisessem. Ela declarava aquilo tudo, como um dos momentos que nunca iria esquecer. Era quase tarde, mas o clima frio a convidava a ficar mais um pouco, ainda que aquele fosse um dia especial e precisava se apressar para que ele não acorda-se.

Decidira levantar. Colocou seu roupão, ajeitou os chinelos, pegou o pequeno embrulho que comprara no dia anterior e foi até a cozinha totalmente em silencio, preparou um copo de leite com chocolate que tanto gostava e começou a fazer uma surpresa para ele, um café da manhã na cama, que sempre o deixava feliz em receber. Pão com manteiga, um chá quente e alguns biscoitos de maisena, coisa simples, que por mais humilde, eram as coisas feitas com carinho, na vontade de deixa-lo surpreendido. Separou tudo cuidadosamente, mesmo quase tendo se queimado com o chá umas duas vezes (como sempre, sendo cabeça de vento, típico dela), pegou a pequena bandeja para poder levar tudo, o ajeitou e foi a caminho do quarto novamente.

Abriu a porta com o máximo de cuidado possível para não acorda-lo, deixou a bandeja com os preparativos em cima do criado mudo, sentou-se a cama e o despertou com um beijo doce no canto da boca.

— Bom dia, amor. — Ele olhou para ela, ainda desnorteado, se espreguiçando e bocejando.

— Bom dia, querido. — Ela deu um sorriso doce. — Trouxe uma surpresa pra ti. — Pegou a bandeja, o mostrou e fez um gesto com a cabeça para ele se sentar.

— Isso é pra mim?! — Ele arqueou as sobrancelhas espantado com o presente.

— Lógico que sim, não vou comer isso tudo sozinha!

— Você é a melhor mulher do mundo sabia? — Agora ele sorria, enquanto se ajeitava para colocar a bandeja no colo.

— Sim, eu sei disso. — E deu uma risada que fizeram os dois soltarem um sorriso bem exagerado.

— Chá, biscoitos e um pãozinho. Ah, não posso imagin... O que é isso? — Ele olhou a caixinha que estava ao lado dos biscoitos. — É pra mim também?

— É meio óbvio que sim. — O sarcasmo era seu forte, por mais que quisesse evita-lo. — Abra.

Com todo o suspense do mundo, ele pegou a pequeno embrulho, sacudiu perto do ouvido e abriu a tampinha que tinha um laço em cima. Sua reação não poderia ter sido melhor.

— Você esta falando sério? — Mesmo com a cara de espanto, seus olhos estavam quase a ponto de cair em lágrimas. Ela olhou para ele e ficou assentando com a cabeça que sim.

— Fiz 5 testes para ter certeza, se quiser eu lhe mostro depois. — Naquele momento, suas lágrimas já estavam caindo em seu rosto bochechudo.

— Esse é realmente o melhor presente que você me deu, muito obrigado meu amor! — Vendo ela daquele jeito, só o fazia chorar ainda mais de felicidade.

— Feliz aniversário de casamento, meu querido.

— Feliz aniversário de casamento.

Na caixinha jazia um par de sapatinhos, que após tanto tempo de espera, logo seria usado e faria o desejo dos dois crescerem. Formando assim, a família que tanto queriam.