Aquarela
Aquarela
Capítulo 11 min de leitura

Petrichor

Os olhos castanhos se ergueram em direção ao céu, que começara a enevoar naquele fim de tarde de verão. Uma agradável brisa soprou, tocando seus grossos cabelos pretos e soando melodicamente o sino dos ventos. O cheiro de chuva entrou por seu nariz, forçando-a respirar fundo enquanto seus lábios formavam um nostálgico e triste sorriso.

O cheiro de terra úmida... Não ansiava recordar daqueles dias de forma tão singela. Certa vez, você me disse o nome desse fenômeno enquanto peneirávamos terra seca para fazer tinta no ateliê. Levantou-se da soleira do jardim, num ímpeto sibilou:

— Hoje será um dia Petrichor¹.

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