– É o que mãe? — perguntei assim que ela me deu a notícia
– O Gabriel voltou. Qual o problema Amanda? — me perguntou cruzando os braços — Vocês sempre foram tão amigos. Qual o problema dele voltar?
– Nenhum mãe, nenhum. Pelo menos ele deve estudar em outro lugar.
– Não, ele está na mesma escola que voce, como antigamente.
– Humpf! Que coisa hein!? — subi as escadas batendo os pés e batendo forte a porta.
– Olha só Amanda, não sei o que ta acontecendo com você. Mas o seu pai é muito amigo do dele e hoje eles vêm jantar aqui. Quando der 19:30h que quero voce pronta e lá embaixo. E arrume a sua irmã, por favor. – minha mãe disse e logo não se ouve mais barulho lá fora.
Eu to esquecendo de alguma coisa... Ah é! Tenho que me apresentar.
Sou Amanda Mendes Nishimura (meu avô, pai do meu pai, é japonês. Mas graças a Deus meus olhos não são tão puxados) (http://4.bp.blogspot.com/_VmOc4sjO2cA/SnMaLUgVv8I/AAAAAAAAANQ/2AKbzSU5qzI/s320/cafeemeio.jpg), tenho 17 anos e moro no Rio de Janeiro, mais precisamente, no Leblon, de frente pra praia. Minha mãe se chama Lúcia, meu pai, Ricardo e tenho uma irmãzinha de 4 anos, Emily.
Antes, quando fiquei revoltada porque minha mãe disse que o Gabriel tinha voltado, acho que vocês não entenderam muita coisa, mas eu explico.
Bom, eu e ele já temos uma “história”. Sempre fomos amigos, desde sempre mesmo. Ele era o meu melhor amigo e quando eu comecei a “gostar” de garotos, foi ele quem me atraiu. Fiquei com medo de contar isso a ele e a nossa amizade acabar, mas depois de um tempo cedi às minhas próprias vontades e contei a ele o que eu sentia. Ele me disse que não sentia o mesmo, que gostava de outra e que queria continuar só como meu amigo. E assim ficamos apenas amigos. Quando depois de 6 meses eu consegui esquecê-lo com muito esforço, ele chegou em mim e disse que me queria como algo mais. Quando eu disse a ele que não o queria mais, ele simplesmente foi embora. Me deixando aqui sozinha. Sem meu melhor amigo. Sem meu “porto seguro”.
Isso tudo aconteceu há dois anos. Pois é, dois anos que eu não o vejo. E não queria vê-lo mesmo. Me deixa aqui por dois anos e depois volta como se nada tivesse acontecido? Que absurdo. Eu aqui toda irritada e minha mae ainda quer que eu arrume a Mily. Que coisa hein?!
Melhor eu fazer isso logo.
Saí de meu quarto e fui em direção ao quarto da Mily, abrindo a porto a vejo brincando de fogãozinho. Tenho saudades dessa época, onde eu não tinha que me preocupar com nada, não tinha problemas amorosos, não tinha amigos que me deixavam por dois anos... E lá vou eu voltando a essa historia de novo.
– Mily, vem. Vamos tomar banho e nos arrumar que um amigo do papai ta vindo pra jantar com a gente. – disse me agachando ao lado dela.
– A mamãe disse que o Gab vem também. Eu tava com saudades dele. – ela disse. Acho que me esqueci de mencionar que a Emily simplesmente adora o Gabriel. Quando ele foi embora, a pequena não parava de perguntar que dia ele ia vir nos visitar, porque ele vinha aqui praticamente todo dia e dormia aqui várias vezes também.
– É. Ele vem sim meu amor. Agora vamos logo tomar um banho. – a peguei no colo e levei até o banheiro.
(n/a quando tiver as falar da Emily, imagine ela falando meio enrolado, mas não muito).
Após o banho, coloquei nela um vestidinho rosa rodadinho e penteei seu cabelo com chiquinhas e uma parte de seu cabelo como franjinha cobrindo parte da testa, uma sapatilha branca e ela já estava parecendo uma princesa.
Desci com ela no colo e a deixei na sala brincando com Lurdes, nossa “secretária do lar”, como diz minha mãe.
Subi mais uma vez e fiquei um tempinho pra separar uma roupa apresentável. Do jeito que minha mae é, se eu não estiver bonita ela dá um ataque.
Após separar uma roupa, fui tomar um banho demorado. Só pra minha mãe ficar um pouco irritada resolvi demorar mais que o previsto. Só pra constar, fiquei uma hora na jacuzzi, sendo que eu entrei no banho 18:40. Minha mae queria que eu descesse 19:30, eu saí do banho 19:40. Ela vai dar um ataque quando eles forem embora.
Coloquei minha roupa, fiz um babyliss de leve nas pontas do cabelo e fiz uma make forte.
Roupa: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=71669746&.locale=pt-br
Quando desci, estavam todos na sala de estar conversando e o Gabriel brincando com a Emily.
– Boa noite – disse quando cheguei mais perto deles
– Mas que formalidade é essa Mandie? Vem aqui me dar um beijo. Voce ta um mulherão hein?! – disse tia Márcia, mae do Gabriel.
– Oi tia – disse a abraçando. – Oi tio Jorge – disse abraçando o pai do Gabriel.
– Oi pituca. Lembra que eu te chamava assim quando era pequena? Nossa como voce cresceu! – disse me girando. – Gabriel, vem dar um oi pra sua amiga. – ele completou no fim
– Oi Mandie – ele disse com um sorriso encantador vindo me abraçar (http://images2.fanpop.com/image/photos/9500000/Logan-Henderson-big-time-rush-9560609-248-425.jpg)
– Oi Gab. – disse num tom meio frio e devolvendo o abraço.
– Então, já que a princesa desceu, vamos jantar? – perguntou meu pai
– Claro, vamos. – concordou tio Jorge
Estávamos todos jantando como antigamente. Juntos e em meio a conversas entusiasmadas. Mas tinha uma coisa me incomodando: Gabriel toda hora olha pra mim.
Estava trocando mensagens com a Luana, minha melhor amiga, quando minha mae veio me chamar à atenção:
– Amanda, que falta de educação. Deixe esse celular de lado.
– Ta mãe. – coloquei-o em cima da mesa e continuei comendo até que ouço o barulho do mesmo vibrando em cima da mesa.
– Amanda, eu disse pra voce largar isso.
– Ah, mae, eu não controlo o horario que as pessoas me mandam mensagens. Que coisa! – já estava ficando irritada.
– Olha o jeito de falar com sua mãe Mandie. – meu pai me repreendeu
– OK. Desculpa mae. – disse e logo fui ver de quem era à mensagem. Gabriel
Agora me tira uma dúvida: Por que ele ta me mandando mensagem se ele está sentado a minha frente?
De qualquer forma, vou ler mesmo.
“Mandie, depois a gente pode conversar a sós?”.
Respondi:
“Sobre? Pelo que eu saiba a gente não tem nada a conversar. A não ser sobre as suas aventuras em NY”.
Logo ouve uma nova mensagem:
“To falando sério Mandie. Posso falar contigo depois?”.
Respondi ríspida:
“Se for pra voce parar de me encher o saco, tudo bem”.
Não houve resposta.

