All We Need Is Love And Beer
All We Need Is Love And Beer
Capítulo 114 min de leitura

One-Shot

Talvez eu estivesse um pouco bêbado. Ou talvez um pouco sóbrio... Não sei dizer o nível da minha embriaguez naquele momento, mas eu achei o cara mais lindo da boate. Ah, sem duvida! Ela era o cara mais Deus Grego que tinha visto!

Pena que era uma garota. E eu um gay... Mas acho que por ela eu parava de usar maquiagem e engrossava a voz.

Quando vou em casas GLS fico reparando que existem realmente garotas muito lindas e acabo me pergunto o motivo dessa minha existência no lado rosa da força. Mas, então, reparo que na verdade elas se parecem e agem como homens (Não todas, claro. Mas as que eu admiro sim. ). E isso responde as minhas duvidas existenciais. Além do mais, só de pensar que elas são lésbicas, fico desanimado... Para não dizer coisa pior!

Pedi mais uma bebida enquanto observava tudo que rolava do bar. Eu estava muito bem lá, sabe, não tinha vontade de fazer nada alem de ficar sentado e encher a cara. Nem o garçom, sem camisa e gravata borboleta que me atendia com sorrisinhos interessados, conseguia prender minha atenção. E sabe por quê?! Porque ele é como todos os outros caras que vem aqui. Estão em busca de prazer carnal, só. Sem amor. Sem carinho.

Admito que já vim por esse mesmo motivo, mas não hoje. Vim em busca de consolo e, se for possível, amor.

Acho que é por isso que estou me sentindo meio enojado quando recebo alguma cantada. Mas já que estou aqui, o lance é me embebedar. Aí sim vou soltar a franga e talvez consiga acordar amanhã em alguma cama que não seja minha, se é que me entendem...

Ah, a carência...

- Isso é bom? – Alguém me perguntou. Virei minha cabeça com certo pesar, afinal eu já estava mais pra lá do que pra cá, e vi uma garota sentada ao meu lado. Não uma garota qualquer. Era o meu Deus Grego!

- Isso o que? – Perguntei.

- O coquetel. É bom? – A voz dela era fina e conseguia permanecer suave mesmo quando gritava, devido a musica alta.

- Hã, acho que deve ser saboroso. Não tenho certeza, já que não sinto mais o gosto de nada, sabe? – Respondi sinceramente. Me impressionei por estar admitindo estar bêbado para uma completa estranha. Uma completa estranha linda, mas ainda sim uma estranha. Mas ela riu, então tudo bem.

- Bom, não custa nada experimentar. – Ela sorriu e chamou o garçom fazendo um sinal coma mão. Tinha um sorriso lindo, dentes brancos e alinhados, covinhas e lábios tão desenhados que parecia mais uma pintura.

- Na verdade, custa uma grana.

- Quanto?

- Não faço idéia... – Juro que tentei me lembrar, mas já estava ficando tudo distorcido na minha memória.

- Parece ser bem alcoólica. – Disse observando meu estado. Claro que ela não tinha como saber que eu já tinha bebido tudo que era alcoólico do cardápio. – Eu vou querer uma igual a dele.

O garçom assentiu lançando um olhar meio bravo a ela. Acho que a intenção dele era me deixar completamente bêbado para depois me atacar.

- Quer ficar bêbada?

- Já estou. Comecei a beber logo que cheguei, agora só vou terminar o estrago... – Ela abaixou a cabeça, encostando a fronte no balcão. Mexeu nos cabelos curtos e negros, penteando com os dedos fins com unhas mal feitas, mas que nela era um charme. Estava cansada, dava para perceber, por isso fiquei me perguntando o que ela fazia ali na boate. Me lembrei que não estava numa condição melhor.

- Está afogando as magoas? O que, ou quem, exatamente está te deixando bêbada?

- Ainda não bebi o suficiente para falar da minha vida pessoal para qualquer um. – Ela levantou a cabeça, mas olhava para o lado.

- Não sou qualquer um!

- É um desconhecido! – Respondeu, se divertindo com minhas respostas. – Mamãe dizia para não falar com estranhos.

- A minha dizia para parar de usar a maquiagem dela, mas não teve sucesso... – Novamente a fiz rir. Admito que fiquei bem orgulhoso desse meu dom.

A bebida chegou, ela começou a beber com vigor, pelo jeito estávamos no mesmo barco. Quanto mais rápido apagássemos, melhor.

- Meu nome é Adam. – Quebrei o silencio.

- O meu é Jesse.

- Agora já pode me contar o que aconteceu? – Jesse me encarou descrente e reparei que seus olhos era cor de mel, quase dourados. Ela era realmente fascinante!

- Por que VOCÊ não em conta por que ta aqui bebendo coisas que nem sente o gosto ao invés de estar lá no meio do surubão comendo alguém?

- Acha que estou bêbado o suficiente para abrir minha vida para você?

- Acho. – Curta e grossa.

- ‘Cê ta certa. – Balancei a cabeça pensando no que dizer. Optei por um mega resumo: — Quero achar alguém. Só para mim!

- Não vai achar isso num copo de vodca. – Disse sarcástica.

- Por isso agora vou procurar na cerveja! – Chamei o garçom de novo e fiz o pedido, Jesse me acompanhou.

- Ok, seja mais especifico. Quem te chutou?

- Meu ex, dããã! – Respondi, Ela riu e me deu um soco no braço.

- Idiota! – Ela murmurou com um sorrisinho.

- Bom, é aquela velha historia, sabe? A gente ficou algumas vezes, eu acabei me apegando e ele me deu um pé na bunda, pois não queria se comprometer.

- Ah, eu te entendo! Foi o mesmo que ela fez comigo...

- Ela quem?!

- Minha ex, dããã! – Ela riu e me fez rir também. Na verdade, começamos a gargalhar. O álcool estava fazendo o efeito desejado.

- Hei! Essa é a MINHA resposta idiota! – Reclamei meus direitos autorais.

- Desculpa, não resisti... — Ela esfregou os olhos. Acho que tinha literalmente chorado de rir

- tudo bem, foi muito bom! Meu pâncreas está doendo! – Falei apertando minha barriga. Não que eu saiba onde fica o pâncreas, porque eu não sei. Mas era alguma parte não identificada do meu corpo.

- Eu sei! Fiquei com cãibra na boca! Sou foda, né? – Ela parou de rir aos poucos e virou a lata de cerveja de uma vez.

- Então, me diga quem foi que te transformou nessa esponja de cerveja. Tenho certeza de que já está bêbada o suficiente pra isso.

- Não fale como se fosse o dono da verdade! – Jesse limpou a boca com as costas da mão. – Me lembra ela. Mas sério, quem aquela filha da puta pensa que é?! Me converte só pra brincar um pouco e depois me jogar fora?! E pensar que eu vim aqui só pra falar com aquela vaca e ainda fui obrigada a ver ela pegar uma vagabunda qualquer!

- Nossaaa, que revolta! Mas te entendo, linda, totalmente! – Fiz um sinal para que o garçom nos trouxesse mais bebida. – Mas relaxa, eles não nos merecem!

- Tudo que eu preciso é cerveja... – Lamentou.

- Tudo que eu preciso é amor...

- Mas isso não se vende em latinha. E é quase impossível de se achar aqui! Se conseguir, juro que mergulho em acido com bóia de patinho!

- Você tem razão. O máximo que vou conseguir aqui é sexo... – Reclamei. Mas quer saber? Se fosse com ela, eu não acharia ruim!

Não que eu vá dizer isso para a Jesse, mas eu realmente fiquei seduzido por ela. COMPLETAMENTE!

- Preciso de alguém mais sério, que me proteja e tenha ciúmes de mim. – Jesse disse enchendo o copo com vodca, dessa vez.

- Preciso de alguém carinhoso, que se preocupe comigo e converse caso tenha algum problema ao invés de brigar. – Acompanhei-a na bebida. Estava chegando no meu limite... Eu sou o tipo de pessoa que apaga de vez quando bebe todas.

- Então, meu querido, você precisa de uma mulher!

- E você de um homem!

- Um homem num corpo de mulher, só se for. Quando achar me liga, ta bom? Afinal, eu não ia conseguir um homem com esse meu jeito de macho.

- Ah, eu pegava. – Ela me olhou com uma expressão estranha e levantou as sobrancelhas. Ok,e u estava paquerando uma mulher. Com certeza eu não estava preparado para isso, quero dizer, mesmo que ela me paquerasse de volta, acho que não rolaria nada.

- Você é gay.

- E você é macho. – Jesse fechou a cara e virou o copo de vodca. Acho que não gostou de ser chamada de macho. – Foram suas próprias palavras!

- To sabendo...

Silêncio. Droga! Eu falei demais, pra variar. Mas não me culpem, eu estava chapado! Definitivamente estava prestes a apagar!

Peguei o celular do bolso e tentei digitar uma mensagem para algum amigo que pudesse vir me buscar quando eu desmaiasse, mas eu não estava conseguindo ler nada. As letrinhas estavam se embaralhando, mas só parei de tentar quando Jesse me perguntou:

- Você falou sério?

- Sobre o que?

- Sobre me pegar. Era sério?

- Era sim. Você é linda. – Bebi um pouso de vodca. As coisas haviam começado a girar, meus olhos passaram a ficar extremamente pesados. Senti eles fecharem algumas vezes e me forçava a mantê-los abertos, mas era difícil. Lembrava meu tempo de escola quando a voz do professor me dava sono e eu TINHA que ir ao banheiro encharcar meu rosto com água gelada. Só que no caso atual, se eu fosse ao banheiro, ia ficar por lá mesmo. Meio morto em cima da pia, provavelmente.

- Hey, Adam, que tal abrir uma exceção hoje? – Ela me perguntou bebericando o copo. Eu sabia do que ela estava falando... Sim, eu sabia!

Meu coração disparou, prendi a respiração sem perceber. Ela se aproximou de mim lentamente, seus olhos cor de mel semicerrados, pôs a mão em minha nuca como um gesto carinhoso de incentivo para que eu a correspondesse. Quando nossos lábios se tocaram, senti um arrepio percorrer o meu corpo, meus olhos se fecharam automaticamente.

Começamos a nos beijar de verdade (Mentira, ela começou. Sou passivo até com mulher.). A boca dela era puro álcool no momento, inclusive acho que estava me deixando mais bêbado, isso sim. Dava para fazer um carro andar com a nossa saliva. Mas isso realmente importa? Claro que não! No inicio foi algo beeem mágico e eletrizante! Senti que aquele lugar todo se resumia somente a nós dois e que tudo se transformava, sabe, toda aquela viadagem de flores, arco-íris, sinos e purpurina. Se bobear tocava Village People ao fundo...

Mas se você quer saber, aquele toque dela era tão delicado e suave, diferente de homens, era carinhoso a ponto de me fazer relaxar. Relaxar bastante... Tão relaxante, calmo, eu bêbado, de olhos fechados e...

Apaguei.

- Acorda, ô bela adormecida! – Uma voz feminina gritou enquanto um travesseiro atingia minha cabeça. Abri os olhos com um certo esforço, claro que eu estava com uma puta ressaca e uma dor de cabeça daquelas.

Vi Jesse sentada na ponta da cama onde eu estava deitado, ela estava com a maquiagem do dia anterior toda borrada e uma camiseta masculina enorme que lhe servia de camisola. Linda, realmente linda!

- Que saco! Você abre os olhos, mas continua dormindo acordado! – Ela reclamou. Foi então que reparei que eu não estava na minha casa, nem em nenhum outro lugar que eu conhecesse.

- Jesse, onde eu to?

- Na minha casa, na minha cama... –Ela respondeu desinteressada e bebeu o que parecia ser um sal de frutas.

- Ah, é? – Perguntei debilmente. Olhei ao meu redor e analisei a situação. Eu estava apenas de short (QUE POR ACASO NÃO ERA MEU!), ela com aquela camisola e a cama estava desarrumada, Só pude concluir uma coisa... – O QUE A GENTE FEEZ?!

- Transamos a noite toda como fuinhas loucas... – Jesse deu de ombros.

- VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO?!

- Não grita, imbecil! – Ela tapou os ouvidos. Acho que estava com dor de cabeça também.

- Mas isso é tão tão tããão errado! – Senti meu rosto ficar vermelho e quente. Eu estava mais envergonhado por não me lembrar da noite do que propriamente com o que tinha acontecido.

- Ta ta, não chora, Adam! É brincadeira! – Jesse se segurou para não rir de mim. – A gente dormiu na mesma cama, mas ó isso, entendeu? Dormir, ponto.

- Queria que eu morresse do coração, sua idiota?! – Taquei o travesseiro nele, mas sem força, pois ela segurava um copo. Mas fiquei MUITO decepcionado, eu preferia que fosse verdade...

- Como poderia ter rolado alguma coisa depois de você ter desmaiado enquanto nos beijávamos? Aquilo foi broxante, sabia? Você realmente acha mulheres bem entediantes, né?

- Desculpa, mas quando bebo demais, eu acabo desmaiando.

- Então não devia beber demais! – Ela foi até a cômoda e pegou um remédio da gaveta. Me entregou juntamente com um copo d’água. – Eu tive que cuidar de você como se fosse um bebê. Até troquei sua roupa porque a outra cheirava a cigarro. Eu detesto esse cheiro!

- E esse short surgiu de onde? – Perguntei antes de tomar o remédio.

- É do meu irmão. Ele deixa algumas roupas aqui para ter o que vestir quando dorme aqui.

- Desculpa novamente...

- Não tem problema. Foi melhor assim, não é? – Ela sorriu. – Seria péssimo se aquele beijo tivesse virado outras coisas.

- É, seria. – Menti.

Talvez fosse efeito do álcool, mas eu me apaixonei pó aquela garota. Mas é claro que eu não diria isso a ela, afinal, era uma paixão platônica. Uma paixão impossível.

Ah, tudo que eu preciso é de um pouco de amor e cerveja...

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