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A espada

Spaild

A espada
Capítulo 16 min de leitura

Único

Aos dezenove anos, havia coisas mais interessantes a se fazer do que assistir a uma reunião do conselho de tropas da nação do fogo. Mas, no caso de Honora não havia tempo para coisas interessantes, ela era a Princesa da nação do fogo, a sucessora de seu Pai o Firelord Zuko.

E a voz asmática daquele velho general a estava deixando com sono. Coçou o olho sentindo os longos cílios em seu dedo e ao abrir encontrou os olhos do recém nomeado comandante em sua direção. Sorriu sem graça.

Comandante Bumi era o filho mais velho do avatar Aang, e estava na nação do fogo por escolha própria. Ele havia entrado para o exercito e logo escalado posições com sua própria força de vontade. Ele era um rapaz jovem ainda, apenas vinte e três e era bastante bonito.

Sentada a beira do lago no jardim interno ela revirou os olhos, andava tão entediada que sua mente estava a traindo e apelando para Bumi. Justo ele que sempre foi um rapaz barulhento e namorador. Justo a pessoa que mais a irritava na família do avatar.

Escorou o corpo na arvore e bufou, assoprando um fio de cabelo que pousara sobre sua testa. Estava de saco cheio de ter que ouvir as histórias de Kya e Lin, ela era a única das três que ainda era virgem. E Lin era a mais nova. Socou a grama macia frustrada. Logo a antiga equipe avatar chegaria a Capital City e ela teria que ouvir todas as histórias e se contentar em não ter nenhuma para contar, como sempre.

- Hon?

Virou o rosto procurando por quem havia tido a infeliz idéia de chamá-la pelo apelido intimo. E o viu, o uniforme vermelho combinava com o tom de pele.

- Bumi... – resmungou.

- O que foi, parece irritada.

- Que observador você é! – tripudiou estendendo a mão para que ele a ajudasse a ficar de pé.

Ele foi mais gentil que o esperado, a puxando com tranquilidade e lhe lançando um sorriso de dentes brilhantes. O maldito tinha ficado muito mais bonito depois de alguns anos. Tanto que ela se pegou sorrindo de volta.

- Estou entediada, não há nada para se fazer nesse castelo e o Firelord não me deixa sair.

Bumi levou a mãos aos cabelos revoltosos, era como se ele tivesse acabado de descer do avião que tinha tanto orgulho de pilotar. Honora perdeu um segundo observando ele, estava muito atraente agora que tinha aqueles ombros largos. Notou quando ele levou a mão à cintura segurando a bainha vazia onde deveria conter uma espada.

- Eu soube que você gosta de espadas e... hum...

Honora ergueu uma sobrancelha um tanto curiosa, se aproximou um pouco mais, normalmente Bumi era bem desenvolto e nunca gaguejava. Ela riu de alguma maneira isso era fofo.

- Eu poderia te mostrar a minha se... Bem, se você quisesse.

Por um momento ela riu, ele com as bochechas coradas era novo para ela, mas ele era Bumi e tudo o que Bumi dizia podia ser levado a um duplo sentido.

-

O Firelord Zuko estava de cabeça quente, mesmo depois de todos os anos as pessoas nunca estavam satisfeitas. Fora os criminosos que ficavam cada vez mais espertos, montando famílias onde uns protegiam os outros. Esse conceito de gângster o desgostava e ter que lidar com isso era estressante.

Honora tinha um sorriso nos lábios quando encontrou o pai, os olhos deles se cruzaram e o sorriso da princesa morreu nos lábios carnudos.

- Onde você esteve mocinha?

Ela revirou os olhos, odiava ser tratada como criança o tempo todo. Mordeu o lábio vermelho e se aproximou do pai.

- Hmmm pai, eu estive com Bumi. – ela viu o espanto nos olhos do Pai. – Ele, bem... Ele me apresentou a espada dele.

Honora não sabia que havia corado sobre o nariz, se afastou ao ver que ele não estava aceitando bem aquela resposta, dizendo que precisava treinar sua caligrafia, antes de virar o corredor, porém ela ouviu a voz forte do Pai encher o corredor e o clarão de fogo se fez visível.

- Ele... fez... O QUE?

-

Algumas horas antes

- Espada, esta é Honora. – Bumi segurava uma espada longa em seu colo. – Honora esta é a espada.

A princesa o olhava com perplexidade, ele havia mesmo a apresentado uma espada. Não fora uma metáfora como pensara antes, ele realmente a havia apresentado uma espada de batalha.

- O que foi? – ele perguntou.

- Você está de brincadeira comigo certo?

Honora odiava a cautela que todos os caras tinham com ela. Ninguém ousava por as mãos na princesa da nação do fogo. Eram todos homens sem coragem, que ao olhar para ela viam o pai. Raramente um passava dos beijos para amassos, mas logo se lembrava de quem ela era e davam uma desculpa qualquer. E ela achou que Bumi seria diferente, mas ele não era.

- Eu disse que ia te mostrar minha espada. Então, o que foi?

- Eu não achei que fosse me mostrar uma espada de verdade, digo, pensei que estivesse usando uma metáfora. – Bufou ficando de pé para sair.

- Ah.

- Ah. – ele o imitou. – Como sempre, você não passa de um...

Ela foi interrompida pelo comandante que a segurava pela cintura e a beijava com vontade. Cambalearam até encontrarem uma parede que pudessem se escorar, e Honora foi apertada contra a pedra fria.

Ela estava acostumada com aquilo, tinha um ou outro rapaz na guarda que a beijava quando ela estava entediada demais. E estava apenas esperando o momento em que Bumi se lembraria quem ela era e a soltaria assustado olhando para os lados. Mas, quem se assustou foi ela, porque a mão grande dele segurou um seio e os lábios dele deslizaram para seu pescoço.

- Bumi?

- Se você queria conhecer a minha espada era só ter falado baby...

Honora ronronou como um tigre-lobo e apertou as unhas nas costas do comandante. Finalmente ela havia encontrado alguém que valia a pena, alguém que tinha coragem o suficiente para encarar o Firelord por ela.

-

- Pai, espada, ele me mostrou a espada que ganhou da rainha da terra quando eles visitaram Ba Sing Se. – ela explicou ao pai irritado. – Não pense besteira, por favor, o que acha que eu sou?

Zuko se acalmou e olhou para filha, ela era sempre tão bem comportada que não tinha como duvidar da palavra dela. Assentiu respirando fundo e a beijou na testa. Ela era uma boa filha e o mais velho do avatar nunca faria algo como aquilo. Zuko estava sendo um pai super protetor.

- Me desculpe Honora.

- Tudo bem Pai, a propósito, eu vou começar a treinar o domínio de espada com Bumi. – ela segurou um riso.

Quando estava sozinha em seus aposentos Honra riu, ela tinha o que contar dessa vez. E era melhor que tudo o que já tinha ouvido. Bumi fazia jus a sua fama, mas aquela fama de garanhão tinha morrido ali. Honora era agora a dona daquela infame espada.

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