A Princesa Verde : Sementes
A Princesa Verde : Sementes
CapĂ­tulo 13 min de leitura

📖 Prólogo – As Raízes Antes da Luz

Muito antes que houvesse trilhas de pedra, castelos dourados, ou escolas nas copas das ĂĄrvores, havia apenas o SilĂȘncio Verde.

Uma vastidĂŁo viva e sem nome, onde o tempo rastejava lento sob folhas eternas, e o vento sussurrava em lĂ­nguas esquecidas.


Foi nesse silĂȘncio que Neredithia despertou.


NinguĂ©m sabe se nasceu de uma estrela caĂ­da ou de um tronco ancestral que pensou demais. Mas ali estava ela —

uma figura alta, envolta em véus de musgo, com olhos como poços de jade profundo e cabelos feitos de ramos e relva.

Ela nĂŁo era deusa, nem rainha. Era guardiĂŁ.


A primeira.


🌿 O Coração Verde do Mundo


Neredithia caminhava sozinha pelos Bosques Verdejantes, ainda sem nome. Por onde passava, brotavam flores de névoa,

ervas que cantavam e ĂĄrvores que abriam os olhos.

Ela nĂŁo falava, mas o mundo escutava.


Na escuridão das noites primeiras, enquanto o céu ainda aprendia a brilhar, ela começou a sonhar.

E foi nesses sonhos que viu a Semente.


Não era apenas uma planta. Era uma forma envolta em luz verde, pulsando como um coração.

Uma vida que viria dela — mas que não lhe pertenceria.


🔼 Os Sinais


Logo os sinais começaram.


— Um unicórnio prateado apareceu na beira do Vale, e diante dela, curvou-se.

— O Vento do Leste, sempre calado, passou a murmurar cançÔes em uma lĂ­ngua que sĂł os entes entenderiam.

— Nos campos antigos, troncos partidos se refaziam por vontade própria.

— E no cĂ©u, durante uma noite sem luar, brilhou uma estrela verde.


Era o anĂșncio.

Ela viria.


A Princesa Verde.


Mas antes de nascer, sua presença reverberava como um eco adiantado, despertando outras forças.

Algumas curiosas.

Outras... inquietas.


đŸ‘ïž Sussurros nas RaĂ­zes


Neredithia começou a escutar sussurros nas raízes.

O mundo subterrĂąneo se agitava.

As antigas fadas, ocultas nas Terras Ancestrais, enviaram uma embaixadora coberta de lĂ­quen para visitĂĄ-la.

Os ogros esculpidos em pedra abriram os olhos no leste.

E os dragÔes das nuvens, dormindo hå eras nos ventos da Torre do Trovão, giraram nos céus como se tivessem sentido um cheiro antigo.


A Terra, antes equilibrada, começava a acordar.

E nĂŁo havia retorno.


🧬 O Juramento Silencioso


Sem dizer palavra, Neredithia desceu Ă  Caverna Verde, um templo vivo encravado nas profundezas.

Ali, junto à raiz da Árvore Primeira — que era mais velha que o mundo — ela plantou a semente.

Com seu prĂłprio sangue, regou o solo.

Com sua magia, moldou uma promessa.


“Que nasça livre.

Que floresça por vontade própria.

Que cresça sob o sol e a sombra.

E que nunca pertença a ninguĂ©m — nem mesmo a mim.”


EntĂŁo voltou Ă  superfĂ­cie.


E esperou.