Tola a raça humana, enquanto aprende,
Sofria em tempos velhos várias dores;
Árduos eram todos seus labores,
Rápida era a vida e descontente:
Corpos desgastados e morenos,
Olhos que cegavam ainda moço;
Dias que subiam para açoite,
Vidas no calor de mil lareiras.
Frias e silentes eram as noites;
Nelas retomando as energias
Todos os caídos sofredores,
Tendo que chorar para dormirem.
Só que lá no céu, a divindade,
Olhava triste aos homens que dormiam;
Amável fez criar mais outra raça
Que à pobre criatura auxiliaria.
Fez-se lindas moças que voavam
Com asas multicor de borboleta;
Na noite dispersavam-se em festeja,
E enquanto houvesse Sol, eram estátuas.
Pequenas, eram tal qualquer menina:
Correndo à luz do Sol e sem as asas;
Mas vinham os quinze anos, que nasciam,
Sem mais gozar do dia e suas graças.
Sempre que no céu firmava a Lua,
Todas conscientes, acordavam:
Entravam nas moradas, feito plumas:
Jogando sobre a dor, felicidade.
Assim, a raça humana, abençoada,
Com brilho e com vigor amanhecia;
Com garra aprimorando seu trabalho,
E o tempo em sua escola os conduzia.
Sabendo que o torpor que os afinava,
Á luz das voadoras foi devida:
Passaram, nas histórias mais narradas,
Á serem conhecidas como as Divías.
