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17h17m

jessy-cullen

17h17m
Capítulo 121 min de leitura

Capitulo Único

O céu estava mais escuro naquela noite, iluminado somente pela lua cheia, não se podia ver estrela alguma e a floresta era igualmente escura. O vento soprava forte e fazia um som aterrorizante, as enormes árvores balançavam com sua força, raios clareavam o céu indicando que uma tempestade se aproximava, e trovões deixava tudo mais assustador. E mesmo com todo esse cenário para onde se olhava tudo era sem vida, pelo menos essa era minha visão de tudo depois de sua partida. Um mundo totalmente sem vida.

Andava a passos rápidos sem tomar qualquer tipo de cuidado, era quase impossível enxergar alguma coisa, mesmo com a pequena lanterna em minhas mãos que inutilmente clareava o caminho. A única coisa que me guiava era a luz do antigo farol que funcionava melhor que qualquer outro no mundo, e era ali que precisava estar, onde precisava desesperadamente chegar.

Se fechasse os olhos e me concentrasse poderia vê-lo e ate mesmo sentir o seu cheiro, mas as lembranças estavam diminuindo conforme os dias e isso me deixava apavorada. Estava cansada de dizer a todos que estava tudo bem e sorrir em seguida, estava claro que nada estava bem e hoje não havia aguentando fingir o contrario para nenhuma delas.

Senti aquele tão famoso aperto no coração, que parecia ser causado por algo mais afiado que uma faca, que sufocava e me deixava muitas vezes sem ar. Lagrimas sem permissão rolaram em meu rosto e quando percebi estava chorando compulsivamente.

Sem forças para continuar cai de joelhos machucando-o em algum galho, mas aquela dor não me importou, sentia uma ainda pior que deixaria ser substituída por outra qualquer se fizesse com que essa passasse.

Seu corpo já sem vida estirado no chão, as luzes vermelhas piscando, pessoas gritando desesperadamente e por ultimo uma escuridão agonizante. Essas imagens não saiam de minha cabeça, me atormentavam dia após dia, não conseguia me perdoar, eu era a culpada, eu o havia feito caminhar para morte, a culpa era minha.

Coloquei as mãos em meu rosto chorando ainda mais, gostaria de voltar no tempo e fazer tudo diferente, de dizer coisas que deveria ter dito há muito tempo. Afastei meus cabelos do rosto molhado pelas lagrimas e me levantei. Estava decidida a chegar ao nosso lugar, depois de um ano evitando o farol, hoje era isso que precisava, ter um lugar para onde fugir, onde não teria pessoas que me olhassem com aquele olhar de pena, para aquela menina indefesa que havia me tornado, e era ali que sua presença estaria.

Comecei a correr dentro da floresta, a chuva que estava sendo anunciada pelos relâmpagos começou a cair, mas não me impediu de continuar correndo. Não parei nem mesmo quando era atingida por galhos que faziam arranhões em meus braços, não me importava com a dor, eles não se comparavam com aquela que agora carregava.

O vento soprava forte bagunçando meus cabelos, tinha começado a tremer por causa do frio e da chuva. O ultimo galho foi retirado quando enfim cheguei à praia onde se encontrava o farol agora a poucos metros de distância.

Eu corri...

Corri tão rápido que não parecia ser possível, corri como nunca antes fizera, como minha vida dependesse disso, como se fosse o único lugar que estaria salva, o único lugar que eu dependia estar para viver.

A cada passo meu coração acelerava e minha respiração ficava pesada, a única coisa que me motivava era que enfim estaria no lugar que sempre havia me deixado feliz, enquanto ele ainda era vivo.

Subi a escada — que dava volta dentro da torre do farol — sem parar para descansar, como sempre não havia ninguém, e estava exatamente do jeito que me lembrava, o único balcão branco com um pequeno painel de botões e a cadeira giratória. Abri a porta que dava a pequena sacada onde havia um telescópio antigo e desabei.

Cai sentada no chão sem forças com dificuldade de respirar, ali longe de todas as pessoas, a realidade me atingiu de uma forma arrasadora, não havia como mudar. Ele não voltaria para sorrir para mim, não estaria aqui para me abraçar e proteger como sempre...

Exatamente há um ano Ryan falecera e eu havia sido a culpada. Eu.

Não conseguia ver nada além de seu corpo já sem vida a minha frente, segurava sua mão desesperada para que ele fizesse qualquer movimento que me mostrasse que ainda estava vivo. Mas já era tarde.

Lagrimas embaçavam minha visão, eu as enxugava com a mão desocupada sem surtir realmente algum efeito. Queria gritar, pedir socorro, pedir que qualquer pessoa me ajudasse. Afinal porque todas essas pessoas estavam paradas e não vinham me ajudar?

- Por favor Ryan, acorde. – falei desesperadamente quando minha voz finalmente saiu.

Não houve resposta de sua parte.

– Ryan, por favor abre os olhos. – pedi novamente chorando – Ryan, não faça isso, abra olhos. – pedi chacoalhando o corpo dele.

Me desesperei ao ver que não estava obtendo resposta, eu via seu corpo já sem vida, mas não acreditava, eu conseguiria trazer ele de volta, ele tinha que acordar e falar que estava bem.

– Ryan não me deixe, por favor. – pedi inutilmente balançando seu ombro encostando meu ouvido em seu coração, tentando ouvi-lo bater – Você tem que abrir os olhos, me desculpe Ryan, não queria discutir com você, Ryan por favor... não vá Ryan....

O balancei mais algumas vezes soluçando, quando alguém me tirou de perto dele a força. Me debati desesperadamente tentando me soltar e voltar para perto dele, mas não adiantou a pessoa que me segurava era forte, as sirenes da ambulância soaram e permaneceram assim por um tempo que não sabia dizer ao certo, comecei a gritar coisas sem sentidos ate que uma escuridão agonizante me engoliu.

Encostei na parede me encolhendo com a lembrança, abracei meus joelhos apoiando minha cabeça no mesmo, e fiz o que qualquer adolescente faria se perdesse seu melhor amigo. Comecei a chorar.

Era um dia ensolarado e Ryan e eu havíamos combinado de nos encontrar no parque. Estava mais animada naquele dia do que em qualquer outro. Optei por uma roupa especial para aquele passeio, um vestido florido esvoaçante com uma sapatilha brilhante, do jeito que ele gostava de me ver. Tudo estava perfeito, ate mesmo o clima estava cooperando era inevitável não notar. Amava passar as tardes com meu melhor amigo, na verdade o amava.

E lá estava ele, vindo em minha direção com óculos de sol e um sorriso no rosto. Ah...! Como aquele sorriso me alegrava.

Sorri quando ele me abraçou forte e me girou. Joguei a cabeça para trás e comecei a rir me divertindo com a situação, Ryan sempre me surpreendia das melhores formas, ele era um grande amigo, sem sombras de duvida.

Não sei quanto tempo fiquei dessa forma, a chuva já havia passado e a tempestade de raios cessará da mesma forma, eu agora sentia muito frio e estava toda molhada, minha cabeça doía de mais e não fazia nenhuma questão de me levantar e ir embora. Bloqueava a todo custo lembranças de nosso ultimo dia juntos, mas a cada dia se tornava mais difícil.

Levantei minha cabeça e sequei as ultimas lagrimas de meu rosto, já prevendo que muitas delas rolariam novamente, quando abri meus olhos e olhei para frente, vi quem nunca imaginaria ver novamente. Ryan.

Ele estava encostado na grade de proteção da sacada com as mãos no bolso e o mesmo sorriso de sempre, um dos motivos que me fizera gostar tanto dele, esse sorriso conseguia iluminar meu dia.

Pisque algumas vezes perplexa, não parecia ser um sonho, e não poderia ser minha imaginação – não era assim tão boa – de alguma forma eu sabia que era real, por mais que pensasse que estivesse ficando louca.

– Posso saber se já acabou? – pude ouvir um tom de divertimento em sua voz.

Sim, era a mesma voz, com o mesmo sorriso, Ryan estava mesmo parado a minha frente me analisando.

– Oh me Deus – exclamei levando minhas mãos a boca em choque. – O que faz aqui? Você é real? – perguntei tudo rápido de mais.

– Vamos com calma ai. – riu ele dando um passo a frente. – Venha eu te ajudo a levantar. – ele disse me estendendo a mão.

Aceitei sua mão sem pensar duas vezes, e me levantei ficando praticamente de sua altura.

– Você é real – admiti de forma vergonhosa.

Ele apenas sorriu, e se voltou para sacada ficando de costas para mim olhando para o céu, que agora depois da chuva estava limpo com inúmeras estrelas, era quase surreal o cenário.

– O que vim fazer aqui é complicado. – respondeu ele ainda sem me olhar. – Vim para ajudar você... – parou antes de continuar, provavelmente escolhendo as palavras certas.

Permanecemos em silêncio, ele ainda de costas para mim. Não era imaginação minha, ele era real e estava de volta, de alguma forma.

– Ajudar a me esquecer. – disse por fim se virando. Seus olhos azuis não pareciam tristes, apenas demonstrava que ele estava incomodado. Novamente ele virou de costas para mim com o olhar no céu. – Você passou o ultimo ano se culpando pela minha morte, e tem perdido coisas realmente grandes, você tem destruído sua vida com essa culpa.

– Você veio aqui para me dizer que eu devo esquecer e seguir em frente? Colocar a culpa em você? Como se fosse simples? – perguntei ressentida. – Você já pensou em como me sinto com isso?

– Não preciso pensar, estou vendo. – falou tristemente. – Mas estou aqui também para te lembrar de algumas coisas que você vêm esquecendo, não temos muito tempo, são 17horas17min – disse se virando com um sorriso divertido no rosto apontando para seu relógio no pulso.

Não fazia ideia de que horas eram, mas dezessete horas não seria, o céu estava escuro e estrelado, no mínimo era oito horas da noite.

– Temos pouco tempo? Como assim? – perguntei

– Vamos deixar as despedidas para o final. – piscou para mim – Coloca essa blusa e vamos do principio. – tirou sua jaqueta preta e me entregou.

Coloquei a blusa me sentindo aquecida no mesmo instante, era incrível, mas a blusa tinha seu cheiro. Inspirei o cheiro fechando os olhos, não conseguia entender o que estava acontecendo, só não queria que isso acabasse e ele desaparece, tornaria as coisas ainda piores. Talvez eu não devesse ter vindo ao farol, mas estava tão feliz por vê-lo novamente que a dor que viria depois não importava no momento.

– Você se tornou uma pessoa muito depressiva – me repreendeu fazendo com que eu abrisse os olhos.

– Estava com saudades Ryan, porque fez isso comigo? – perguntei com os olhos cheios de lagrimas.

Ryan deu um meio sorriso triste e corri para abraça-lo. Envolvi meus braços em sua cintura afundando minha cabeça em seu peito, ele me envolveu com seus braços em um abraço apertado, uma de suas mãos acariciavam meus cabelos, nem um dos dois estavam com intenção de se soltar, ele estava em um choro silencioso apenas respirava fundo algumas vezes para se controlar.

– Eu juro que queria ter aberto o olho quando você me chamou – falou com a voz controlada. – Mas tinha que ser assim, na verdade seria de um jeito ou de outro, apenas aconteceu na hora errada e você presenciou. Você da má sorte ate nisso – riu totalmente sem humor.

– A culpa foi minha Ryan – falei me afastando para poder olha-lo nos olhos – Me desculpe.

– Ei não chore – pediu limpando minhas lagrimas – Não foi culpa sua. – me abraçou novamente.

Desta vez ele me apertou ainda mais, me reconfortando da melhor maneira possível, Ryan odiava ver uma mulher chorar, nunca sabia o que fazer nessa situação.

– Lembra-se de como se conhecemos? – perguntou subitamente.

Gentilmente ele fez com que eu me afastasse e olhou no fundo dos meus olhos sorrindo me encorajando a lembrar.

– O que isso...

– Só me responde – me interrompeu não deixando que terminasse a frase.

– Como poderia me esquecer?

Tinha 7 anos quando meus pais me obrigaram a por um vestido ridículo florido, ele apertava minha barriga e na cintura abria com um grande volume. Parecia estar vestida para um casamento, mas a ocasião não passava de uma reunião entre famílias dos médicos do famoso hospital da cidade. Permaneci a festa inteira emburrada querendo de todo jeito acabar com o vestido.

– O que esta fazendo? – perguntou alguém.

Virei-me e me deparei com um menino um pouco mais alto que eu de cabelos escuros e olhos bem azuis.

– Rasgar esse horrível vestido – respondi.

– Você é maluca – disse rindo. – Quer brincar comigo? Vou tentar subir naquela árvore ali – apontou para uma árvore além do jardim da enorme casa.

– Eu topo. – respondi esquecendo-me do vestido – Vou subir junto com você.

– Vamos então. – ele puxou minha mão e saímos correndo em direção à árvore.

– Nunca vou esquecer esse dia, você conseguiu mesmo rasgar o vestido, sua mãe ficou brava. – Ryan ria agora se lembrando da cena.

– Desde então nunca mais nos separamos – completei.

Agora estávamos sentados um de frente para o outro, os dois exibiam um sorriso no rosto.

–Nunca. – repetiu ele abrindo ainda mais seu sorriso.

Ryan se levantou e sentou ao meu lado encostando-se à fria parede, passou a encarar a luz do farol, acompanhando o movimento circular que ele fazia, iluminando o mar a nossa frente.

– Sempre tive certo fascínio por esse farol. – disse depois de um tempo. Permaneci em silêncio esperando que ele continuasse a falar. – Eu poderia ser o guardião do farol e não me importaria. Minha família vivendo no farol. – falou erguendo as mãos dando ênfase – Soou legal!

– Soou meio maluco – ri – Seu sonho de ser médico ficaria onde se vivesse em um farol?

– Hum... Deixa eu pensar.

– Um dia serei o maior médico que esse país já teve. – falou Ryan levantando sua espada parando sua brincadeira – Um neuro cirurgião reconhecido, por tratar aqueles com menos condição financeira, serei um exemplo inspirador para a humanidade.

– Vou aplaudir de pé quando conseguir o diploma. – falei rindo, pegando a espada dele e saindo correndo.

– Isso é uma promessa agora. – falou.

Ryan desceu de cima da pedra onde estava e saiu correndo atrás rindo também, não conseguiria ir muito longe, ele sempre me alcançava.

– Mas um de seus sonhos interrompido – disse culpada.

– 17h 17m, não vamos perder tempo. – falou brincalhão olhando seu relógio e o mostrando para mim.

O relógio dele provavelmente estava parado, pois marcava a mesma hora de antes e já faziam horas que estávamos juntos.

– Sinto sua falta – suspirei pesadamente apoiando minha cabeça em seu ombro.

– Eu também sinto a sua. – falou entrelaçando nossas mãos – Tente você agora, me faça lembrar de algo, me mostre o que quiser.

Olhei para nossas mãos entrelaçadas surpresa com sua atitude, mas dei de ombros, não ia questiona-lo estava tendo o melhor momento depois de sua partida, queria aproveitar o tempo que nos restava.

Fechei os olhos buscando algo que eu quisesse viver novamente junto com ele, e não foi difícil as lembranças vieram em seguida com facilidade.

Era o baile de formatura do último ano do fundamental, a ultima coisa que gostaria de fazer era ir a um baile para ter que dançar a noite toda, não saber dançar era humilhante de mais.

Ryan como sempre estava lá, insistindo que eu fosse para não deixa-lo sozinho.

Como se isso realmente fosse acontecer.

– Eu ensino você a dançar – falou insistindo – Sou ótimo dançarino. – Falou convencidamente.

– Eu sei. – falei cruzando os braços. – Mas não quero dançar.

– Vêm, vamos tentar – pegou em minhas mãos e começou a me girar pele sala de sua casa.

Havia perdido a conta de quantas vezes havia pisado em seu pé naquela única dança, e como o cavalheiro que era, não havia reclamado uma só vez.

– Baile de formatura? – perguntou zombeteiro. Apenas assenti de olhos fechados sorrindo. – Essa é fácil. Podemos dançar de novo, vêm comigo.

Antes mesmo que pudesse protestar ele se levantara e me puxara junto, segurou em minha mãos e colocou uma delas em minha cintura, e fez com que girássemos pela sacada da torre. Não estava mais com frio, aquele dor sumirá com a presença dele e tudo parecia estar perfeito. Rodopiamos varias vezes dançando sem acompanhamento musical, seguíamos nossa própria musica que poderia se interpretada pelo silêncio. Ryan subitamente parou a dança e me olhou no fundo dos meus olhos.

– Tenho que contar algo você – falou sussurrando timidamente.

Seu olhar era intenso, eu podia sentir sua respiração batendo em meu rosto, retirou a mão de minha cintura e se afastou uma passo para me olhar melhor.

– Eu sempre... amei você.

– Eu amo você Ryan – falei sinceramente.

– Não, você não entendeu. – segurou em minhas – Eu amava você, não como amigo, era algo a mais...

Meu coração falhou uma batida com aquela confissão, ele também me amava assim como eu o amava, mas nenhum nunca havia tido coragem de admitir para o outro.

– Eu me sentia da mesma forma. – falei – Não era amizade, era diferente. Eu amo você Ryan.

Antes que pudesse terminar seus lábios se chocaram contra os meus em um beijo. No primeiro momento fiquei sem saber como reagir, mas depois retribui o beijo com a mesma intensidade.

Não havia nada de especial no beijo, porém ele transmitia amor, saudade e talvez um pouco de curiosidade. Beijar seu melhor era uma das melhores sensações do mundo, e estava a ponto de explodir de felicidade, ele me tinha em seus braços, estávamos novamente juntos. Terminamos o beijo com um selinho demorado.

– Precisava fazer isso. – disse sem jeito.

– Só não peça desculpa. – disse corando.

– Não mesmo.

Ryan me puxou para sentar no chão ao lado dele novamente, dessa vez foi ele quem deitou sua cabeça em meu ombro.

– Nosso tempo esta acabando, 17h 17m – me lembrou.

– 17h 17m, o que significa?

– Você vai entender depois. – sorriu – Agora quero que entenda que não foi culpa sua eu ter morrido.

Suas palavras me atingiram em cheio, escuta-lo falando da própria morte fez o remorso e a culpa voltarem.

– Foi minha culpa, estávamos discutindo por causa de uma menina, eu estava com ciúmes de você e éramos apenas amigos, melhores amigos, não tinha esse direito. – falei tudo de uma vez antes que ele pudesse me interromper.

Estava ficando nervosa por todos dizerem a mesma coisa, que a culpa não era minha, mas era sim, e todos sabiam disso, caso não tivesse havido a discussão Ryan não teria saído correndo atrás da loira pedindo explicações e o carro não o teria atropelado. Estávamos agora em pé um de frente para o outro se encarando, ele se mantinha pacifico, ao contrairo de mim.

– Você não tem culpa da minha morte, eu iria morrer de qualquer jeito, minha missão aqui tinha acabado. – falou aumentando a voz – Iria ser de outro jeito e não seria na sua frente, mas EU mudei os planos, quis me encontrar com você – enfatizou a palavra “eu”.

– Mas uma vez eu sou a culpada.

– Não você não é – riu sem humor – Apenas aconteceu, minha missão era cuidar de você, e fiz isso mais você cresceu e não precisava mais de mim, minha missão havia chegado ao fim, e apenas minha morte coincidiu de ser no momento que estávamos juntos, e em uma discussão. – explicou ele.

– Ainda a causa sou Ryan.

– Apenas era para ser assim, a culpa não foi sua. – respondeu passando as mãos no cabelo.

– Poderíamos ter ficado juntos, assumido algo, poderíamos estar juntos agora – falei inutilmente.

– Por eu ter me apaixonado por você que morri na sua frente, minha necessidade de estar com você fez isso acontecer da forma que aconteceu. – explicou ignorando o que eu havia falado em um tom monotomo – E é ai que entra a parte engraçada. – riu ele se divertindo – Não era para ficarmos juntos, você é destinada a outra pessoa.

– Destinada? – ri ironicamente.

– Chame como quiser, de qualquer forma irá soar estranho – deu de ombros. – Se lembra de quando fizemos os anjinhos de neve? – perguntou e apenas assenti – Essa foi a prova de que tínhamos que ser apenas amigos, foi um promessa que estou cumprindo ate hoje.

Era época de natal, e a noite passada havia nevado, o que significava que hoje era um ótimo dia para “brincar na neve”. Ryan estava me esperando do lado de fora de minha casa para irmos ate um lago congelado, passaríamos a tarde ali patinando no gelo. Abri a porta e me arrependi no mesmo instante quando fui atingida por uma bola de neve em meu braço.

Olhei atônita para o lugar de onde veio à bola de neve e encontrei o atirador com duas bolas iguais em sua mão e rindo. Antes mesmo que ele pudesse me acertar novamente comecei a correr parando atrás de uma árvore preparando para o ataque.

Meu único erro foi não olhar para trás e ser acerta por outra bola de neve, dessa vez atingindo minha cabeça e deixando meu cabelo com milhares de floquinhos branco.

– Eu me rendo. – disse de braços levantados me virando.

– Foi fácil de mais – piscou para mim rindo.

– Você me pegou desprevenida, só não estava preparada – dei de ombros – Deite ai – falei empurrando-o no chão e deitando ao seu lado na neve gelada e macia.

– O que vai fazer sua maluca?

– Anjinhos de neve. – respondi balançando as mãos e as pernas.

Ele olhou para mim para ter certeza de que eu estava falando sério.

– Vamos não tenho o dia todo. – falei.

Ele revirou os olhos e começou a se mexer também fazendo os anjinhos da neve, fui a primeira a terminar e ele me ajudou a levantar. Com as mãos na cintura observei nossa obra com um sorriso, haviam ficados perfeitos.

Ryan me surpreendendo pegou um graveto jogado em um canto do quintal e escreveu meu nome e o dele terminados com os dizeres “Amigos para sempre”.

– Para sempre vamos ser amigos? – perguntou me olhando no fundo dos meus olhos.

– Para sempre Ryan, isso é uma promessa. – respondi e ganhei em seguida um beijo na bochecha.

– Sempre.

Absorvi aquelas ultimas palavras com o que ele queria me dizer agora não encontrando um sentido para aquilo.

– Não quer dizer que só porque prometemos sermos amigos para sempre que não demos certo. – explicou – Apenas quero que veja que é assim que temos que ser, melhores amigos para sempre. Há uma pessoa que ama você aqui, e você esta perdendo coisas grandes por não enxerga-la, você não pode mais destruir a sua vida se culpando pela minha morte.

– Ryan eu me culpo todos os dias, não consigo viver ser você – admiti fragilmente. – Não consigo tirar de minha cabeça seu corpo sem vida de minhas mãos, sua pele gelada...

– Esse é o problema, e é exatamente ai que quero chegar – sorriu largamente – Vim aqui para te ajudar com isso, não quero que você se lembre de mim daquela forma, não fui sempre daquele jeito, cadê nossos momentos juntos? Nossos abraços apertados no fim da tarde, as gargalhadas de coisas idiotas que falávamos um para o outro? Cadê o Ryan sorridente e convencido que sempre fui para você.

O choque me atingiu, quando entendi exatamente onde ele queria chegar. Ele estava totalmente certo, não o lembrava mais de uma forma viva e alegre, somente o corpo sem vida que ele fora naquele ultimo dia.

– Você me fez lembrar de tudo isso, para me mostrar que estou lembrando de você de forma errada?

– Exatamente. Não que lembre de mim morto, quero que se lembre dos momentos bons que passamos juntos um com o outro, de quando eu fazia você sorrir e não chorar. Não suporto ver você dessa forma, por favor... quero ser lembrado e tirar sorrisos de você, como alguém que fez a diferença em sua vida.

– Me desculpe Ryan. – falei.

Ele me abraçou fortemente acariciando em meus cabelos, lagrimas sem permissão rolaram de meu rosto.

– Vejo que você entendeu o que eu queria que entendesse – continuou – Tenho que ir agora.

– Por favor, não vá. – minha voz saiu em um sussurro.

– Lembre-se de mim e sorria, não se culpe pela minha morte, você não teve culpa. – beijou o topo de minha cabeça – Amo você.

– Amo você. — repeti suas palavras

– 17h 17m, e alguém encontra você.

E essa foi a ultima coisa que ouvi.

Minha cabeça doía e estava tremendo de frio, sentia meu corpo todo dolorido e não conseguia se quer mexer algum músculo, abri os olhos e me assustei ao ver que um par de olhos verdes me olhava curioso, ele falava comigo mas não conseguia entender, apenas pensava no que tinha acabado de viver. Fora um sonho? Ou tudo foi real?

Abri minha boca e tentei falar, mas não saiu som algum. Pisquei algumas vezes e abri minha boca novamente.

– Que horas são? – finalmente consegui falar.

– Como? – perguntou confuso.

– Que horas são? – repeti impaciente.

– 17h e 17m – respondeu.

Eu sorri finalmente entendendo o que Ryan queria. E tudo fora realmente real, a partir de hoje não lutaria para esquecê-lo, lembraria dele todos os dias da melhor forma que pudesse. Sempre sorrindo.

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