Raphael se espantou com o ato de Guilherme, permanecendo parado no mesmo lugar, sem conseguir esboçar nenhuma reação. Dois estalos de dedos chamam sua atenção, o antigo melhor amigo está parado em frente à porta, gesticulando as mãos em gestos mudos para que ele o seguisse. Raphael assente com a cabeça, levantando-se daquela cadeira enferrujada que gritou quando seu peso a deixou.
Os dois passaram pela porta, retornando ao corredor coberto por pedaços de madeira podres. Raphael observou mais uma vez, não compreendia a necessidade desses pedaços deteriorados de madeira, queria questionar, perguntar até arrancar uma resposta de Guilherme, mas apesar de tudo, o conhecia — e muito bem —, ele com toda a certeza ignoraria e acabaria mudando de assunto. Então optou por tentar relevar.
Ao chegarem ao portão, também enferrujado, da entrada do quintal de Guilherme, o anfitrião tentou puxá-lo para abrir, mas as dobradiças estavam tão gastas que com o movimento brusco que Guilherme fizera elas terminaram de se soltar, fazendo com que o portão ganhasse o chão, levando o homem consigo. Em seguida, a estrutura de madeira que também cobria o quintal desmoronou, revelando aquele local limpo — completamente diferente dos outros cômodos, ele estava realmente limpo, o piso era de um branco resplandecente, os materiais ao redor estavam muito bem organizados, o quintal era grande, o suficiente para guardar três carros de tamanhos medianos. Raphael não conseguiu esconder a surpresa, aquela área não parecia ser parte da casa, ou melhor, do bairro em si.
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