Gotham tinha quantidades iguais de regiões elegantes, por onde magnatas bem vestidos transitavam com prostitutas acompanhantes, e suburbanas, embora dessas fossem poucas as que eram tão charmosas quanto um bairro privativo. Arlequina tinha pouco interesse nesses, de qualquer forma, até mesmo porque a união dos seus moradores gerava esquemas supervigilantes que não ajudavam em nada na vida de alguém como ela. Quando sentiu fome naquela noite, portanto, Arlequina escolheu um bairro mais esquecido para sua exploração.
Algumas casas eram grudadas umas às outras em um padrão nova-iorquino e claustrofóbico que fazia com que Arlequina pensasse nas celas do Asilo de Arkham. O intuito daquela disposição não era muito diferente do das celas, era? No final, quando chegava a noite, alguém era jogado do outro lado de uma porta que era trancada e verificada para ter certeza de que estava bem fechada. Ela mesma passara boa parte do seu tempo como psiquiatra verificando o estado das fechaduras nos corredores de Arkham. Lembrar-se disso era até um pouco nostálgico.
Arlequina não utilizou de muitos critérios para escolher a casa que invadiria naquela noite. Parada em frente a uma construção velha e pichada várias e várias vezes até os textos perderem completamente o sentido, pensava em formas de passar para o lado de dentro da casa. Era natural que os moradores de um bairro tão perigoso se preocupassem em encher suas portas e janelas de trancas, e a casa escolhida tinha uma porção delas. Trancas, no entanto, eram barreiras intransponíveis apenas para aqueles sem força ou recurso suficientes para vencê-los.
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