throw boxes overboard
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Chapter 15 min read

Capítulo 1

Ela estava muito assustada. Assustada demais para correr. Já correra o suficiente, porém agora suas pernas não possuíam mais força. Mas ela já sabia. Seus poucos minutos restantes de vida estavam ali, e nada adiantava se corresse pelo resto da eternidade; ele a alcançaria de qualquer maneira. Nunca aparentava estar cansado ou alterado.

Mas ainda assim era inaceitável. Como uma pessoa tão amável podia estar sorrindo de forma tão diabólica, segurando aquela faca pontiaguda com a mão trêmula? Parecia que estava feliz de enfim tê-la encurralado. Agora faltava pouco. Pouco para ter seu sossego mental.

-Apenas relaxe, meu amor... Você agora pode dormir eternamente.

Ele se aproxima do rosto dela. Respiração dela é rápida e nervosa, mas a dele é calma. Ela fecha os olhos na medida em que ele se aproxima, temendo qualquer ação brusca da parte dele. Ele dá um sorriso assustador.

-Adeus meu amor... – sussurra, com a voz rouca.

A faca lentamente perfura a pele branca da jovem. Ela solta um grito de dor alto, o fazendo enfiar o instrumento mais profundamente. O sangue que jorra do corpo dela é quente, e, ao encostar-se à mão do homem, ele sente um prazer interno o invadir.

O corpo dela está mais mole, e precisa ser segurada pelo homem para não cair. Mas ela abre seus olhos por uma última vez. Ela encara atentamente os olhos opacos e vazios do homem em sua frente.

-V... Vo... Você... É... –profere algumas palavras com muita dificuldade.

-Shh... Não fale nada. -Ele retira a faca da barriga dela com rapidez, o que a faz cair no chão.

Mas ela é mulher forte. Não aceitaria morrer aos pés dele com tanta facilidade. Temendo por sua vida, ela tenta fugir. Mesmo com toda a dor, ela suporta; se arrasta pelo chão de forma deplorável. Ao ver sua tentativa miserável de fuga, ele dá uma risada irônica.

-Você acha mesmo que consegue fugir? Chamar alguém? Desista.

-...N... Não... –empurra-se com os pés. Toda a sua força está posta ali.

-Sua merdinha...

Enfurecido, ele pisa com força sobre o calcanhar dela, fazendo um barulho de rachadura. Ela dá outro grito alto e para de se esforçar. Contrai-se no chão e começa a chorar baixinho. Ele agarra o pé dela e a joga novamente no chão. Desnorteada pela dor, não se mexe. Apenas observa vislumbres do homem em sua frente.

Homem não. Animal é mais adequado.

-Já sei. –Ele diz, observando a faca manchada de sangue em suas mãos. –Tive uma ideia, que lhe ensinará como não fugir de mim.

Ela sabe que em poucos segundos irá dar seu último suspiro.

Sorrindo, aproxima a lâmina manchada dos pés dela. Avermelhados pelo sangue derramado, não tem mais a beleza de antes.

A faca corta o membro com prazer. Corta-o como um simples pedaço de carne. Mas fazia diferença? Em breve seria apenas um pedaço de carne morta. Como um animal. Ao finalizar seu trabalho, o sangue nem se dá ao trabalho de cair; em breve não haveria mais nada. Apenas alimento para fungos e moscas. Começa a cortar o segundo. Agora é mais rápido. Sem demorar, ele retira o membro com uma cara raivosa. A faca parece ter a mesma raiva do dono.

Ela tentava ignorar a cena. Mas seus olhos abriam e observavam tudo, mesmo que com dificuldade. Suas lágrimas secaram e se recusavam a cair. Não valia a pena gastá-las com algo que iria acabar em pouco tempo. A cada segundo que se passava, as pálpebras iam ficando mais pesadas, e a visão mais escura. Não sentia mais seus pés. Suas pernas estavam dormentes. Molhada pelo próprio sangue. Aquele cheiro, antes tão podre, não fazia diferença para seu nariz. Um pouco de sangue caiu em sua boca; o gosto metálico do sangue tornou-se o único pensamento possível. Respirar começou a ser a tarefa mais complicada já existente. A dor que antes a faziam estar morta a muito tempo havia passado. Metal... Agora não mantinha os olhos abertos. Metálico como essa faca... A dor havia a cegado.

Agora tudo estava em paz. Sem dor, sem sofrimento. Sem vida.

Ele sorriu de maneira vitoriosa após retirar envermelhada da perna da mulher. Olhou para o rosto dela. Agora estava branco, pálido. Morta. Como ele desejava aquilo. Sempre desejou aquele momento; precisava aproveitá-lo.

-Finalmente você se calou.

Observou a poça com o sangue escuro, e depois o que havia presente na faca.

-Vamos trabalhar mais um pouco?

[...]

-Seus braços eram tão lindos... Que pena ter de desperdiçá-los.

Quando ia separar o membro do outro, foi interrompido.

-O que é isso...? Ah, um osso. Será que essa faca é boa o suficiente para passá-lo?

Começa a perfurá-lo. Até que era fácil; parecia um simples pedaço de graveto branco. Fez isso com todas as partes do corpo da mulher. Com aquele sorriso vingativo, destruía todo o corpo da ex-esposa.

A última parte foi a mão direita. Ao ser separado de sua dona, o homem pega o membro e o observa atentamente. Observa a palma branca. Os dedos contraídos involuntariamente. As unhas da moça pintada de vermelho sangue. Literalmente sangue.

-Suas mãos eram tão macias. Seus dedos eram bonitos.

Vislumbrou o anel que estava no anelar dela. Era uma joia fina e discreta, como ela preferia. Havia uma pedra verde pequena, que sempre que se olhava diretamente, a via reluzente. Esmeraldas sempre foram o fraco dela. Tinha um amor incondicional pelo acessório, e quase nunca o retirava. Sempre era polida e brilhante, porém agora manchado pelo sangue seco da própria dona.

-Que lindo... Não quero perder esse dedo. –Sorriu ganancioso e o separou de modo particular.

Após fatiar as pernas, braços, costelas em pequenos pedaços, ele guardou cada parte em caixinhas pequenas. Mas cometeu um erro.

Na manhã seguinte, acordou animado. Levantou-se antes mesmo do sol nascer. Iria se dirigir para a praia que havia ao lado de sua casa, se divertir solitário no mar.

Jogar caixinhas ao mar.

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