Manuela Narrando
— Aluno novo? -Sussurros se alastravam pelos corredores
— Dizem que a pele dele e branca como neve. Escuta Manu não e aquele seu amigo? -Franzi a testa sentindo uma sensação de temor passar por dentro de mim
— Depois nos falamos -Girei os calcanhares correndo pelos corredores da escola, o avistei. Andava com tanta sutileza que mais parecia planejar seus passos atravessei a rua correndo mas antes luzes de faróis me cegaram e o barulho de pneus queimando no chão. Fechei os olhos esperando o pior
— Escuta o que está falando? -Apertei os olhos e encarei o rosto a minha frente logo em seguida o carro totalmente amassado atrás de si. Olhei para os lados agarrando sua mão
— Eles vão descobrir -Resmunguei ainda puxando sua mão
— O que? Não confia em mim? -E eu tive certeza que ele ironizava naquele momento
— Como posso confiar? Você viu o que fez com o carro lá fora qualquer um que vê vai saber que não e coisa de um humano -Bradei e ele se livrou da minha mão cruzando os braços
— Você e chatinha viu? -O olhei incrédula -Relaxa. Ficou sabendo que fiz sucesso por ai? -Seus dedos pousaram em meu queixo e eu juro que o odiei por ser tão bonito. A pele alva como a neve, olhos castanhos e cabelos prateados
— Babaca -Torci o nariz e logo senti seus lábios em pressão com os meus
— E o que dizem -Largou os ombros caminhando em direção a sala o segui me sentando nos fundos
(...)
— Então.. -Encarei um quadro dependurado na parede da sala. Olhos vermelhos cabeça sem fios de cabelo e pele branca com um olhar totalmente frio
— Ele e muito poderoso, e um dos exércitos mais fortes. Sem piedade suga até a última gota e depois cerra suas cabeças -Encolhi os ombros sentindo um calafrio. Ele parecia desconfortavel
— Senhor Vaz -Ergui meu olhar para o professor que encarava-nos com uma expressão de vantagem. Com um breve olhar eu tive a certeza que ele lia seu pensamento
— Romeu e Julieta. Esse o um dos antigos clássicos que acabou em tragédia -Então com um olhar se contrariado e incrédulo ele se virou para o quadro murmurando um parabéns e logo o sinal tocou
(...)
— Téo? -Chamei. Inclinei-me para adentrar a oficina e pousei minha bolsa sobre um banco de madeira me acocando para enxerga-lo -Sai logo dai -Puxei seu pé e ele deslizou saindo debaixo do carro
Téo é um ótimo amigo, as garotas ainda teimam em dizer que ele sente algo a mais por mim. Eu prefiro ignorar. Tem cabelos longos e cacheados e um belo corpo
— Ele não se toca mesmo né? Será que não entende que quanto mais se envolve mais fica perigoso? -Me olhou irritado. De alguma maneira ele sabia de tudo
— Ei calma. Ele quer ficar mais próximo isso e tudo -Dei de ombros
— Só isso? Você não sabe nem do terço Manuela, ele sabe que ela está voltando. Isso e questão de tempo -Eu me virei para ele que já teria voltado para debaixo do carro e me retirei irritada e confusa
(...)
Um vento frio fez meus pelos se eriçarem encarei a janela aberta e logo se fez presente Téo. Como sempre chegando pela janela
— Eu sabia que viria -Ele sorriu de canto e levantou minha bolsa
— Você esqueceu isso -Jogou e eu aparei no ar depositando sobre a mesa -Eu não vou ficar brigado com você na véspera do seu aniversário -Dei de ombros
— Por mim isso não significaria nada -Voltei a olha-lo e encarei novamente a janela
— O que procura? -Interrogou e eu me virei para ele negando várias vezes
— Nada -Afirmei mais ele não pareceu satisfeito e com uma expressão de desgosto puxou a cortina para o lado encontrando Joaquim
— Não era eu quem esperava e sim esse babaca não? -Me olhou
— Téo eu..
— O único babaca e você -Apontou Joaquim me interrompendo
— Eu? Você que insiste em coloca-la em perigo -Acusou
— Só eu que faço isso? Que eu saiba não ando mentindo -Fuzilou-o. Téo me olhou por cima do ombro meio pertubado e saltou novamente a janela
— Mas o que foi isso? -O olhei sem obter resposta
