the metallic lord
the metallic lord
Capitolo 15 min di lettura

Capítulo único

Há muito tempo, numa pequena cidadezinha de um lugar florido e agradável, vivia um pequeno. Não era exatamente humano. Melhor dizendo, não era humano. Tinha corpo metálico. Um pequeno rapaz feito de metal.
Diriam que talvez fosse outra versão do Homem de Lata da terra de Oz. Mas não. Não era. Era um pequeno como qualquer outro. Formas humanas. Corpo metálico.
Vivia num pequeno casebre daquela cidadezinha florida e agradável. Passara a infância solitário e cabisbaixo. Tinha um pequeno pingente que funcionava como coração, tendo o brilho como o substituto das batidas do equivalente humano.
Em toda sua vida, Metálico não presenciara o coração de metal brilhar e reluzir. Só com a velha aparência fosca e sem vida. Como um pingente velho que nos esquecíamos de lustrar. Em nenhum momento o coração havia apresentado um estado diferente.
O tempo passara estupidamente rápido para ele. Quando pela primeira vez na vida seu coração brilhou intensamente. A razão morava exatamente em defronte de seu casebre. A dama mais bela já vista por aquele ser feito puramente de metal.
Belleflor era o nome. O nome da única coisa que o havia feito feliz. A pessoa que o fez sentir genuinamente humano.
Rapidamente a dama tomou os pensamentos do já crescido Metálico. Senhor Metálico. Era o que o fazia feliz. Nada mais a não ser a bela musa o fazia ter felicidade, sentimento nunca conhecido antes. E o pingente, juntamente com suas pupilas, já brilhava feito prata pura e genuína.
Mas junto com aquela felicidade, vinha a angústia. Falar ou calar? Demonstrar ou me esconder? Dizer a verdade, ou omitir os sentimentos?
Ficara por dias com a dúvida o consumindo. Sempre que tentava dizer, ou ao menos demonstrar o que sentia por Belle, sua voz enrolava e seu corpo travava. Aquilo já o estava deixando louco, estava cansado de conviver com ela, ouvir a linda voz, senti-la nos braços dele durante um abraço, e não fazer nada. Cada vez mais acumulava coragem para fazer o que devia ser feito para tê-la.
Entregou-se aos impulsos. Esqueceu completamente de perguntar a si mesmo: tenho forças para aceitar um não? Aguento a negação daquela moça?
E ali, naquele velho carvalho onde passara toda sua infância olhando o pôr-do-sol e as estrelas à noite, levou Belleflor. Manteve o olhar fixo naquele rosto estupidamente belo. Quase beirava a perfeição. E, num lapso momentâneo de coragem, confessou:
-Ó dama, bela dama, que tomaste para si meus pensamentos e meu medíocre coração feito do mais frio metal. Seja minha, apenas minha. Fizeste-me sentir genuinamente vivo, humano, como se fosse feito de carne e osso. Fazes-me feliz, ó minha amada. Cativou-me tão selvagemente, ó, tortura! Por que o fizeste? Acabe com minha angústia, aceite isto que lhe dou, como prova de meu amor.
E colocou o pingente entre as mãos doces e delicadas de Belleflor, que, com os olhos molhados, respondeu-lhe:
-Oferece-me teu coração, e a isto respondo, o farei se sentir cada dia mais um humano genuíno. O amor que me ofereces é puro e verdadeiro. Tomarei teu coração para mim, serei tua, completamente.
E os dois entrelaçaram-se e trocaram um beijo. O pingente reluzia mais do que a mais vasta e extensa constelação.
Mais uma vez, o tempo havia passado. Momentos felizes se esvaíram num estalo. Tudo aquilo havia acabado como as flores que morrem no inverno. Foi feito uma facada para o Senhor Metálico. Ouvir aquelas palavras saindo da boca de sua musa fora a morte para ele:
-Ó querido, ó uma vez meu amado. Me dera teu mais puro amor, mas a isso não mais correspondo.
-O que há, minha bela amada? Não pode haver verdade no que me diz!
-Outro tomou meu coração, esta é a mais pura verdade, ó senhor.
-Pois te desafio: procure! Não acharás amor mais puro e verdadeiro que o meu! Ninguém a amará como eu a amo, isto é impossível! Procure por tudo, vasculhe terras e oceanos, ainda não haverá quem a ame como eu!
-Ó senhor, não me cabe provar que tuas palavras são certas ou erradas. Mas não consigo mais corresponder a teus sentimentos. Aqui te devolvo o que lhe pertence, teu coração não é mais meu.
-Ora, poderia devolver-me, mas nunca me pertencerá. Isto sempre foi teu, e sempre será, minha bela.
E assim, Belleflor se foi, deixando nada mais do que um coração de metal fosco e apagado novamente. Metálico gritava de dor.
-Por que isto, ó céus! Dei àquela dama tudo o que possuía de mais belo, e agora tudo se foi! Não há mais motivo para caminhar por estas terras, tudo o que eu possuía não mais existe! Não há mais nenhuma razão para ainda estar aqui!
Sentou-se naquele carvalho, e lágrimas salgadas, próprias de um ser humano, estavam sendo derramadas. Foi quando Metálico entendeu.
-Fizeste-me realmente humano, minha amada. Agora verto lágrimas humanas por ti. Esta é a prova final do que fizeste comigo. Realmente, me tornaste como um de sua raça! Aqui me vou, não mais saberão que eu existo.
E verteu lágrimas. E o céu pareceu dividir a tristeza. Começou a derramar a mais forte chuva já vista. Em pouco tempo, ele desfaleceu. Seu corpo desapareceu, deixando apenas aquele pingente, agora enferrujado, embaixo daquele carvalho, onde um dia havia se sentindo realmente vivo.

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