Suiren Destiny
Suiren Destiny
Capitolo 28 min di lettura

//Tintura verde//

Quando eu cheguei de carro e Sophia me deixou aqui eram precisamente 19:00 hrs; Agora eram 20:40! Tipo, horas sem fazer absolutamente nada.

Meu quarto enorme consistia em uma cama de casal confortável e bem ajeitada, um armário e closet sob medida – não perdendo o charme de “retro” – uma cômoda com espelho, espaço de sobra e um computador. Além disso, uma sacada enorme com vista para um campo cheio de flores diversas e infelizmente, logo ao lado eu podia ver a sacada do meu noivo.

Nesse momento, eu estava no computador, falando com Sophia pelo facebook. Contei tudo a ela, e é claro que ela ficou fula da cara. Queria inclusive me tirar dali, contudo concordamos em esperar para ver o que ia acontecer.

Conseguia ver as fotos do meu ex-chefe da livraria que eu trabalhava; Ele era bonito aos meus olhos. Pele morena, lábios grossos e deliciosos e com um corpo de academia. Ele era do tipo que você ficava imaginando coisas. Tipo, coisas.

Bateram na minha porta para avisar que o jantar estaria servido dali uns quarenta minutos, então decido me arrumar de acordo.

– Vejamos... – Pouso meu dedo indicador sob o lábio inferior, folheando as roupas do closet que eu tinha acabado de ajeitar.

Após longos cinco minutos, decido vestir uma camisa de botão e uma saia justa que ia da cintura até antes do joelho. Nos pés uma sapatilha simples, porque afinal, eu poderia cair. Desmancho as tranças do cabelo e faço um rabo-de-cavalo alto. Pronto.

Ah, sim, só faltou a coisa mais importante.

ONDE É QUE É A SALA DE JANTAR? Tipo, ferrou.

Tentei me manter calma, afinal, a única solução era mais que clara: Perguntar para o meu noivo no quarto da frente. O problema era falar com ele depois do que ele me disse.

Respirei longamente, reuni toda a cara de pau que eu tinha – e não era pouca – para só então finalmente bater na porta do meu amado e querido noivo, Klaus. Bati na porta umas cinco vezes e nenhum som sequer saía daquele quarto.

– Klaus? – Chamo, abrindo a porta idêntica a minha muito lentamente.

Nosso quarto era idêntico, exceto pela cor e as mil pinturas, tintas e telas para pintar que haviam espalhadas por ele. E no meio de tudo isso, lá estava ele com fones nos ouvidos, pincelando uma tela de verde.

Pude ver a sua pintura: Uma sereia com olhos como a galáxia.

Quando ele finalmente percebeu que eu estava lá, não foi um momento tipo “oh você está ai” e “Sim, estou gato”. Foi com um susto sem som, tinta no carpete e no edredom da cama.

E então ele me olhou feio.

Sabe, era estranho pensar que alguém tão bonito era cruel dessa forma. Estava vestido para o jantar com uma camiseta de manga comprida a azul, que por causa de sua função com a pintura estava arregaçada, exibindo seu relógio preto caríssimo. Eu podia ver seus músculos por ela.

Suas pernas longas pareciam as de um modelo, ele usava um jeans escuro e um tênis baixo, nada esportivo.

– O que faz aqui? – Diz ele exaltado. Era estranho como ele me fazia tremer. Seus olhos púrpuros me fitavam com claro desagrado.

– Eu não sabia onde era o jantar e, bem, estamos atrasados – Eu simplesmente não conseguia manter meus olhos nele. – Como você não fazia o favor de atender a porta, entrei.

– Ah, você simplesmente entrou – Comenta ele com sarcasmo. Nós estávamos a um metro de distância. – Muito educado, Fay.

– Pode me chamar de Suiren – Incentivo, tentando ser educada. Se ele não fosse tão canalha poderia me chamar até mesmo de “mulher”. – Devido as atuais circunstancias. – explicou – Acho que começamos com o pé errado lá em baixo, deveríamos nos dar bem, afinal, vamos nos casar...

– “Nos dar bem”? – Ele ri suavemente, com puro ódio nos olhos – Não precisa se forçar. Vamos nos casar, eu te como, você fica gravida e podemos fingir que você não está interessada no dinheiro e sim na promessa estupida que nossos avós fizeram.

Eu nem consigo pensar duas vezes com o ataque de fúria que tive; Encaixo minha mão direita naquele rostinho lindo, esperando que ele exploda. Até a parte do como eu aceitava, mas o resto queridinho... Tá, como eu sou depravada.

– Olha aqui, meu queridíssimo noivo – Eu estava toda confiante, uma pose de machona fêmea alfa, mas podia sentir as lágrimas rolarem sem cerimonias pela face – Pode dizer o que quiser, mas eu também tinha uma vida! Foda-se esse seu dinheiro, eu amava um cara, e amava acima de tudo a minha avó, por isso estou aqui e vou aturar você!

Não espero uma resposta dele, afinal, eu xinguei Klaus sem sequer encara-lo direito. Agora estou correndo pela casa, até finalmente me cansar e decido entrar em uma porta qualquer.

A porta que eu escolhi parecia ser um quarto. Muito mais moderno que o meu e o de Klaus, mas com os mesmos tipos de moveis. Tudo era branco e moderno, e grande parte do quarto parecia ser dedicado a um mini estúdio de maquiagem.

Provavelmente um quarto de mulher.

Não quis sair tão rápido. Apenas desabei no chão e comecei a pensar.

Eu entendo como ele deve se sentir. Na realidade, tudo o que ele disse, parecia ser verdade. De que eu estava ali por dinheiro e não pela promessa, mas isso era porque ele não me conhecia de verdade.

Ah, vó... o que você faria?

Lembro-me quando entrei no primeiro ano. Meu corpo estava terminando de se formar, e eu tinha que dividir o vestuário feminino com várias garotas. Minha avó era do tipo moderna, já que ela foi uma modelo um dia. Então eu ficava nua sem quaisquer problemas. Ela inclusive me incentivava muito a namorar e se divertir, que a vida era curta.

Que eu tinha que viver cada dia como se fosse único.

Que apostando eu poderia ter a sorte grande.

Tudo bem que eu levei isso ao pé da letra. Sophia e eu íamos a festas, ficávamos bêbadas, dançávamos e nos divertíamos até não aguentar mais. Numa dessas, perdi a virgindade com meu professor de artes, e depois disso fiz com quem achasse bonito o suficiente. Caras mais velhos eram meu forte.

No momento em que terminei o ensino médio, comecei a trabalhar em uma livraria, e foi ai que eu virei uma virgenzona de novo. Sério. Me apaixonei perdidamente pelo meu chefe de 35 anos. Eu queria que ele se casasse comigo, mas quando eu finalmente obtive algum resultado minha avó foi para o hospital.

E aqui estou eu, olhando para um mini estúdio de maquiagem sozinha, chorando. Podia ver minhas sapatilhas escorregando dos pés. Oh, que dramático.

Alguns minutos depois – não faço ideia de quantos – ouço a porta abrir sem hesitação, sinal que era o dono do quarto. Por algum motivo besta, ao invés de falar “Hey, estou aqui, perdida”, eu fico quieta no canto em que estava até o homem loiro vestido com um terno branco me reparar.

– Nossa, que susto! – O loiro leva as mãos ao coração, sem soltar as sacolas que trazia consigo. – O que faz aqui? O jantar vai começar daqui a pouco, você deve ser a Suiren, não é?

Faço que sim com a cabeça, limpando as lágrimas que teimavam em cair. Não queria que aquele bonitão me visse assim.

– Céus, o que aconteceu? – O louro de olhos castanhos aproxima-se – Está ferida?

– Não... é só o meu noivo idiota. – Minha voz ainda estava chorosa, mas as lágrimas não caiam mais. A essa altura do campeonato, mandei um foda-se para o que dissessem, eu ainda estava achando meu noivo um babaca.

– Ah – Ele sorriu – Meu irmão está assim desde que meus pais morreram, não ligue, ele não deve te odiar muuuito.

Consigo rir um pouco. A voz dele era divertida.

– Me sinto muito melhor! – Brinco, entretanto meu sorriso desaparece quando sua mão é oferecida. Fiquei sem graça ué! – obrigada.

– Chamo-me Lukas. – Ele deposita um singelo beijo em minha mão, e eu me arrepio por inteiro. Que tal subir um pouco mais?

– Suiren, mas isso você já sabe – Eu pisco.

(***)

Há muito mais cômodos nesta casa do que eu vou ser capaz de descobrir. Para o lado oposto ao da sala de Theodor, existe uma porta de vidro que dá para uma ala de descanso com direito a vista do roseiral e tudo mais. Passando isso haviam mais e mais salas, cômodos diferentes, e então, finalmente a sala do jantar. Nem tão grande nem tão pequena, era o suficiente para acomodar trinta pessoas e os serventes.

A mesa estava coberta com todos os tipos de comidas, molhos e bebidas. Theodor estava na ponta, sua esposa Lilian logo ao lado. Ela era elegante e com um sorriso gentil nos lábios, os olhos violeta de Klaus pertenciam a ela. Depois deles uma mulher, uma criança de mais ou menos treze anos e um homem. Fui apresentada a eles como noiva de Klaus, e eles eram a família do pai. A garotinha era uma prima do interior.

– Sentem-se – Convida Theodor. – Vejo que conheceu o encantador Luka. Onde está Klaus?

Nesse exato momento, o bendito chega, um tanto exasperado, com suor e um pouco de tinta na testa. Ao me ver ao lado de seu irmão, ele discretamente suspira aliviado, depois volta a ficar com a cara de bunda dele.

Será que ele ficou preocupado? Tentarei retomar nossa conversa hoje à noite.