Resident Evil Maxterminio

Resident Evil – Maxtermínio – Resumption
Capítulo 3: Céus em Trevas
O som frenético e perturbador das buzinas dos carros por toda a cidade. Poluição automotiva e industrial em certas localidades. Centenas de milhares de pessoas caminhando por toda a parte de um lado ao outro, sem direção, muitas delas sem destino. Muitas caminhando a passos inseguros sustentados apenas por seus egos. Pensando que sabiam para onde ir, mas certas de que estavam totalmente perdidas. Um mundo enfermo, que mentia para si mesmo dizendo estar saudável, por medo de abrir os olhos e finalmente enxergar a verdade.
Em meio à tantas outras direções, outros caminhos, elas decidiram correr de olhos fechados para um beco sem saída. Sem volta. Motivadas pela vontade de chegar mais longe, cada vez mais, independentemente de onde isso acabaria.
Agora, não havia mais para onde fugir. Aquelas pessoas estavam encurraladas pelas suas próprias escolhas, como se durante todo aquele tempo, elas estivessem andando em um imenso labirinto feito de pedra, construído pelas suas próprias mãos e ganância.
Demorou até que finalmente percebessem que elas caminharam de cabeça erguida rumo ao próprio fim.
Essa era a Nova Iorque por debaixo de todos aqueles falsos sorrisos sem esperança.
Independente da existência de um vírus, aquelas pessoas já estavam doentes por dentro. À beira da morte. Verdadeiros mortos-vivos.
Preferiam viver por mentiras, mesmo se a realidade estivesse logo à frente. Viravam a cara ao mendigo que pedia um prato de comida, ensinavam seus filhos a fazer isso e depois depositavam a confiança de fazer um mundo melhor a eles.
Eu sei, parece louco e sem sentido, mas é assim que muitos de nós mesmos somos e teimamos que não. Talvez seja por isso que fomos punidos. Fingimos ser algo que não éramos. Não merecíamos a vida porque atuávamos, não vivíamos.
Assim como dito nas antigas escrituras sagradas, nossos pecados nos levaram à nossa condenação.
Eu não tinha fé, mas isso não mudou nada.
O destino de todos já estava traçado. Por mais que não acreditassem em profecias ou “avisos” elas mesmas caminharam para sua autodestruição, acreditando ou não.
Meu nome é Jill Valentine e vou contá-los como foi o dia em que tudo começou.
~~~ Resident Evil – Maxtermínio ~~~
Era um grande dia de festa. O centro da cidade estava repleto de pessoas. Quase dois milhões já naquele horário. Era feriado global e havia muitos turistas. O policiamento civil estava bem reforçado e também havia centros médicos espalhados por toda a parte. As unidades móveis da Umbrella.
É engraçado, eu sei, jamais imaginei um dia apoiar ou trabalhar para aquela que foi a responsável por centenas de noites de sono perdidas, sem falar nos pesadelos. No começo eu quase abandonei a B.S.A.A. Não fosse o Chris, eu jamais concordaria.
— Olha só Jill, agora está nas mãos do governo, é uma nova empresa com projetos de ajudar nosso combate aos terroristas e vai ser muito mais seguro se pudermos partir para as missões com amostras dos soros para possíveis infecções e assim voltarmos sem tantas perdas. Imagine se já pudéssemos obter oportunidades assim antes, quantos não teríamos salvado? Quantos não teriam sobrevivido?
Ele tinha razão e fundida à B.S.A.A., a Umbrella recebeu um novo nome.
Estava na hora do guarda-chuva começar a nos proteger de verdade dos pingos furiosos que insistiam em atingir nossas cabeças.
A nova fusão fez daquela aliança o sinônimo da melhor equipe de segurança do mundo, comandada pela O.N.U. A mais preparada, a mais estruturada, treinados pelos melhores: World Army’s Rescue Squad – W.A.R.S.
Logo após sua criação, foram fundadas várias HQ’s (Quartéis Generais) ao redor do mundo, expandindo o número de recrutas. Uma evolução para a divisão da O.N.U.
Com pouco tempo após a aliança imbatível, a maioria dos traficantes das armas biológicas haviam sido presos e os donos das empresas que as fabricavam ou importavam, também. Tricell, Wilpharma, Progênesis, More Health, Neo Umbrella, entre outras mais, todas haviam sido desmanteladas.
Invenções tecnológicas também tinham sido muito importantes para o sucesso nas operações de paz. Havia sido descoberto que em todos os empregados dessas empresas eram implantados pequenos chips que continham informações como nome, data de nascimento, número de identidade e o mais importante, agiam como GPS, dando as localizações exatas de onde as mentes perigosas se encontravam. Algo que não muito tarde foi implantado em todos os cidadãos da Terra. Os que recusavam quase sempre tinham algo a esconder. Logo, todos aderiram.
Um ano depois, o mundo comemorou os primeiros 12 meses consecutivos de liberdade e harmonia.
A princípio houve muitos protestos e passeatas contra o retorno da corporação farmacêutica, mas, diante aos benefícios que vieram a seguir, a população se acomodou cada vez mais.
Foi assim, usando suas armas contra eles mesmos que obtivemos os últimos melhores três anos de paz desde o começo daquilo tudo. “Paz”, que não durou tanto o quanto estávamos esperando.
Distante, porém, próximo o bastante de Nova Iorque...
— Conseguimos uma amostra. Havia um restante não evaporado dentro do recipiente. _ uma das agentes sanitárias recolhia.
— Isso é loucura. A Umbrella não pode ter feito isso dessa vez. Está sob comando do governo, como poderíamos não saber?
— Não desfoque agente, já temos um vestígio do novo vírus. Vamos levá-lo ao laboratório e pedirmos uma explicação. _ disse o capitão do grupo.
— Hei rapazes, cheguem aqui, vocês precisam ver isso. _ dizia outra dos agentes sanitários alguns metros à frente.
Havia um animal morto caído ao chão. Um animal selvagem com parte do corpo em pedaços.
— Oh meu Deus! Olhem pra isso. _ mal terminou de dizer e um pedaço da carne daquele bicho foi lançado do alto de uma árvore sobre o visor de sua máscara respiratória.
Eram dezenas de urubus, abutres e outros pássaros, em cima dos galhos se alimentando por pedaços daquele grande felino.
— Acha que outra coisa o matou, ou que foram eles mesmos? _ perguntaram, olhando para as aves.
— Se fossem eles, já teriam nos atacado. _ responderam sem duvidar.
— Talvez estejam nos estranhando, analisando qual espécie nós somos. Vou tentar tirar a máscara para ver a reação.
— Agente Hughes, não faça isso, sabe como é perigoso. Não faça isso!
Ao retirar a máscara, os animais nas árvores não lhe fizeram nada, apenas ficaram observando curiosos do topo, mas, o puma machucado e aparentemente morto no chão, abriu seus olhos repentinamente e com força abocanhou sua perna, a carregando em desespero mata adentro.
Ouvindo todos os tiros que ecoavam, os pássaros que ali estavam se assustaram e então os maiores deram partida num voo em conjunto para escaparem do local.
Enquanto os agentes restantes tentavam fugir do ataque na floresta, outro discurso ocorria no centro da cidade. Ao mesmo tempo, os policiais Max e Katy se encontravam na porta do York Coffee e Ana buscava sua pequena filha Isabelly na escola, próxima ao centro, temerosa.
Se alguém observasse os céus e a cidade de um lugar bem alto naquele instante, contemplariam os últimos minutos de vida da antiga New York.
Dentro do prédio do jornal onde Ana trabalhava, Edith, que tinha Campbell como rival, tomava uma xícara de café, lendo e comentando com Ronald, seu companheiro de trabalho, sobre a última publicação de sua opositora.
— Nossa que ridículo! Os leitores deveriam processar essa vadia por deixar a população alarmada e amedrontada com essas suas falsas historinhas. _ dizia a mulher de coque e óculos de grau.
— Mas até que ela escreve bem. Notou como ela encaixou os fatos no final de tudo? _ disse o jovem rapaz, só para provocar.
— Espero que esteja brincando...
Era feriado, mas empresas daquele tipo não poderiam se privar do trabalho num dia tão importante como aquele. Pelo menos, uma parte do grupo deveria continuar trabalhando.
— Aquela “vadiazinha” ainda consegue uma folga num dia desses. _ murmurava Edith, a senhora inveja.
Foi quando ela lentamente se levantou com a xícara ainda em mãos, dando passos apreensivos até a frente da vidraça, observando algo que estava a assustando imensamente.
Não muito depois, seu “amigo” tomou sua expressão de apavoro emprestada, ao olhar para a mesma direção.
— Oh meu Deus! _ exclamava o colega dela, observando a mesma cena.
Tratava-se de um bando, o maior bando de pássaros já visto. Pássaros grandes, em sua maioria enormes. Abutres e outras aves passando a certa altura, bem na frente de todos os prédios, chamando a atenção de todos por onde passavam.
...
Algumas ruas distantes de onde aconteciam os eventos festivos, Ana Campbell e sua filha estavam prestes a atravessar a faixa de pedestres da rua, quando...
— “Passalinho”! _ apontava para o céu.
Sua mãe ainda não havia avistado nada, até que, mirando o olhar para a direção em que a pequena indicava, ela os viu.
Posteriormente, várias pessoas abriam as portas dos carros, saindo ou olhando pela janela, apontando e comentando tudo aquilo, sem entender nada.
...
— Assim conseguimos apreender os últimos que restavam na lista de criminosos biológicos que ameaçavam o planeta e graças à isso, não só aquele continente, mas, todo o planeta já não tem mais com o que se preocupar. _ com pose de galã, Jason Jordan dizia suas últimas palavras no palanque. Mas, não eram as últimas porque havia terminado o discurso, e sim porque fez uma pausa repentina, deixando todos preocupados com a expressão que jazia em seu rosto. Ele olhava para o céu.
— Jesus! _ foi sua última palavra.
Logo, todas as outras pessoas que estavam no público miraram seus olhares para a mesma direção. O céu estava coberto. A sombra daquela coisa alcançava a multidão abaixo segundo após o outro, mais e mais e o pânico começava a se expandir.
Seus olhares se deparavam com a verdade. O céu estava em trevas.
As criaturas que encobriam a luz tinham uma ampla visão do que estava acontecendo lá embaixo. Entendiam que aquilo era uma multidão de pessoas e após um longo voo já estavam com fome. Seu próximo cardápio estava ali, era de onde vinha o cheiro mais forte. Uma quantidade mais que suficiente para todos que voavam. Seus olhares todos “zumbificados”. Então, um corvo que parecia guiar todo o bando, começou a rodear o centro da população. Em instantes os outros fizeram o mesmo, voando todos juntos em um único círculo.
Mesmo com a maioria intactos, algumas pessoas ainda tinham tato para se movimentar e pegar uma câmera fotográfica, para tentar registrar o momento. Talvez, jornalistas em meio ao povo.
O bando sobrevoou naquele círculo por quase um minuto, até que um deles subiu um pouco mais e desceu profundamente, cortando o espaço entre o bando de infectados e os humanos, seguido por todos os outros.
Era como um furacão de penas negras, descendo do mais azul dos céus.
— Ahhhhhhhrgh. _ as pessoas agora gritavam. Aqueles animais que os atacavam demonstravam uma inteligência jamais notada antes. Utilizavam seus bicos para arrancar a pele exposta dos cidadãos, trabalhando em equipe. Alguns chegavam até a rasgar suas roupas.
Era o início do caos nas cidades grandes.
Enquanto alguns tentavam correr, outros tropeçavam, tombando ao chão. Mas, o que fazer? Eram mais de dois milhões de pessoas reunidas. Não haveria como todos saírem dali. Jovens, crianças, adultos e idosos, gordos e magros, negros e brancos, homens e mulheres, heterossexuais e também homossexuais. Havia todo o tipo de pessoas ali e para aqueles infectados, todas elas significavam uma única coisa: comida.
Em certo apartamento quatro quadras distantes dali de onde acontecia o massacre, uma mulher loira também de folga recebia uma ligação. No mural em seu quarto, havia várias condecorações e troféus em cima da estante, que demonstravam se tratar de uma ótima militar. Modéstia à parte, o mínimo para uma das fundadoras da B.S.A.A.
— Jill, temos um problema, venha imediatamente até o “QG”. Temos indícios de uma nova infecção, no meio da cidade.
Eu já estava preparada, as notícias começavam a ser reportadas em todos os canais de TV. Era o início do verdadeiro fim.
End of Chapter 3... To be continued.
Autor: Rafael Oliveira.

