A madre-abadessa Marta foi a primeira a abrir os olhos, minutos antes de ouvir os sinos da meia-noite. Sem perder tempo, acordou as outras freiras apenas ao bater palmas; que era forte o suficiente para assustar todas quase ao mesmo tempo. E assim que elas deram sinal de estarem acordadas, a velha saiu do local, indo fazer suas próprias obrigações, cujas apenas o bispo e o padre sabiam o que eram. Muitas das novatas estavam zonzas por conta do sono que sentiam, uma vez que acordavam apenas à meia-noite para ouvirem e aprenderem o que tinham de falar na missa daquela hora.
Faltava apenas quinze minutos para a missa começar, mas as mulheres pareciam calmas, pois já estavam vestidas e prontas, apenas precisavam tirar a sujeira dos olhos e comerem algo para se manterem de pé. Tendo feito isso, todas se organizam perto do altar, exceto Irmã Beth, que se candidata a ler os salmos ali separados no Livro das Horas, cujo estava aberto no ambão da palavra. Quando perceberam, o sino tocou — somente um, pois era apenas para toda a Igreja e algumas casas vizinhas, não tendo como objetivo acordar toda a cidade —, indicando que era meia-noite. Em latim, Irmã Beth leu cada página, interpretando muito bem cada pontuação ali escrita. Entre todos da Igreja, havia uma freira que não parecia muito interessada naquilo; não por que não sabia da língua latina, mas por simples distração — tudo parecia mais interessante do que a missa, que deu-se por encerrada duas horas depois. Sem perder tempo, todos da Catedral foram fazer suas atividades.
Como prometido no dia anterior, as freiras Adelaide e Rebeca ficaram responsáveis pelas três novatas que tinham se tornado sacristãs. As que ficaram encarregadas pelos cuidados com os animais e pela comida, começavam a assar o pão e outros alimentos para o desjejum. Já as que eram da enfermaria, assim como as sacristãs, começavam a exercer suas funções. Sobrando apenas as encarregadas de cuidar do orfanato e de doar esmola aos pobres, doentes e necessitados, preparando tudo para a ida. E como não tinham muito mais a se fazer, mataram o tempo orando, silenciosamente, de frente ao altar, até chegar às cinco. Estavam numa capela, proibida àqueles que não eram nada além de fiéis, que se localizava nos fundos, próximo ao quintal da Igreja; as cadeiras, enfileiradas uma ao lado da outra, eram individuais — diferente das que tinham na capela principal — e tinha lugar para até oitenta pessoas. Era naquele lugar que as freiras fizeram suas orações antes da próxima missa — elas sairiam rumo às cidades marcadas por volta das seis e meia.
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