Numa cabana de peles suspensa por restos de ossos de animais, entrelaçados por cordas feitas com fibra de couro de alces, uma agitação incomum estava se dando. Muito incomum, afinal, normalmente essa cabana era a mais silenciosa. A cabana de Adari, a mulher sonhadora. Uma bela mulher, de pele alva, cabelos grisalhos escuros, quase negros, e olhos verdes como esmeraldas. Era normal encontrá-la deslumbrando o horizonte, enquanto massageava as próprias mãos ou tomava uma xícara de chá ou uma bebida alcoólica quente. Um local calmo, onde raramente se encontrava movimento, muito menos a afobação de hoje.
E essa cabana estivera ainda mais silenciosa, desde que Adari adoeceu.
A mulher havia adoecido desde o desaparecimento do marido. Dário havia saído para caçar alces um dia, como qualquer outro dia, como sempre fazia, porém não voltou no final da tarde, como de costume. Adari esperou ansiosamente por dias, e então semanas, mas não parece que os Deuses tiveram piedade de Dário, engolido pela neve e gelo do inverno.
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