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Chapter 19 min read

Parte 1 - Ethan Ryan Martin; Capítulo 1

Já estava quinze minutos atrasado, pelas minhas contas. Acabara de sair das férias de verão e com o tempo da viagem de carro da minha casa até a escola, provavelmente, eu chegaria atrasado, como todo primeiro dia de aula. Ou qualquer dia que eu dependa da carona de alguém por minha mãe ter saído com o vizinho e ter levado a chave do meu carro. Claro que eu sempre penso em acordar mais cedo que ela, às 4h30, para pegar minha chave que fica na bolsa dela enquanto estamos em casa para evitar que eu perca. Mas é claro que eu não vou acordar às 4h30.

Vinte minutos depois de ligar para Jones três vezes e deixar recado na caixa postal nas três ligações, ele aparece com a kombi maluca fazendo o barulho confundível com um ritual indígena que se pode ouvir de qualquer lugar do setor.

- Pensei que estivesse na concecionária comprando outro carro, ou até na fabrica aprendendo como se limpa as peças. – Abro a porta da kombi, jogo minha mochila no banco de trás e entro na KM. Claro que eu não podia deixar de fazer a pergunta que não queria calar. – Por que você se atrasou tanto? – de novo.

- Eu estava com a Jenna, cara. Não tenho culpa se você nunca vai saber o que é ter uma namorada. – Jon esboçou um sorriso maléfico.

- Ela não é sua namorada, cara.

- AINDA. – não pude deixar de rir. Assim como em todo comentário espalhafatoso de Jon.

- E logicamente depois de tanto tempo com o traseiro sentado no sofá jogando Call Of Duty, você namorou bastante nas férias, não é, Ethan? Tenho inveja da sua horta. Está cheia de pretendentes.

- Cala boca. Pelo menos sua mãe não te acordou TODOS os dias das férias as cinco e meia da manhã para cuidar da filha caçula do seu vizinho solteirão para que ela pudesse sair com ele.

- Todos os dias, cara? – Jones não conseguiu segurar o riso – Mas é claro que seu vizinho deve ser bem bonito, não é? – E é claro que eu dei um murro no braço dele depois deste comentário.

Pulo para o banco de trás da kombi maluca e jogo minha mochila no chão, tendo mais espaço para deitar naquilo que, para falar a verdade, não se poderia considerar bem um banco almofadado. Digamos que possuía um conforto típico de um banco de praça de cimento.

- Sabe, cara. As vezes eu tenho quase certeza de que a Jenna está pedindo que eu vá a casa dela e dê um beijo nela. Mas então ela se faz de difícil, e eu acho que ela está com medo.

- Você nunca viu ela pessoalmente, Jon.

- Eu sei, mas isso não impede o fato de ela ter uma paixão platônica por mim. E é lógico que ela não irá resistir ao meu charme ao me ver.

E assim eu dormi lenta e disfarçadamente enquanto Jon fazia seu discurso de quão maravilhoso e charmoso ele era.

Após ser jogado do banco da kombi maluca de Jones, é claro que eu acordei. Na mesma hora do leve – ou não – solavanco, a bendita morreu. Olhei pela janela e, provavelmente, Jones havia passado por um enorme buraco, estourado o pneu e com toda essa pressão, os sentimentos do motor foram feridos, fazendo com que ele se magoasse e resolvesse parar de funcionar. Eu sinceramente ainda não acreditava como Jones havia conseguido tirar a carteira. E foi isso o que eu disse.

- Olha, cara, eu ainda não entendo como você conseguiu tirar sua carteira.

Ignorando meu comentário, com raiva e preocupação esboçados em seu rosto, Jon sai do carro, bate a porta – como se a porta realmente tivesse grande culpa de ele ser o motorista mais azarado da história dos motoristas azarados – e vai ver o que ele consegue fazer – o que podemos resumir a nada.

Meu celular toca e, pra variar, quando eu consigo pegar ele dentro da minha super organizada mochila, ele para de tocar. E era minha mãe. O que provavelmente indica que ela vai pedir desculpas por ter me feito cuidar de uma criança parcialmente chata durante toda as férias de verão e ter me feito ficar sem a chave, o que significava chegar atrasado.

Um carro – com certaza uma BMW – parou ao nosso lado. É claro que eu não pensei mil possibilidades de respostas à pergunta “Por que uma BMW parou ao nosso lado e o que eles vão fazer com a gente?”. E é claro que eu também não pensei que fosse um sequestrador, ou um traficante, ou simplesmente alguém tentando nos enfrentar.

Ao invés de um homem bombado, careca, com cara de rico e mafioso, tatuagens de dragão nos músculos à mostra, camisa cavada ou três empresários responsáveis pela administração da quantidade de papel higiênico direcionado a cada banheiro público da cidade, sai do carro uma garota de cabelos verdes.

- Verdes? – resmunguei.

É claro que eu saí da KM para conquistar aquela gatinha. – Ou talvez Jones tenha me gritado de forma contrangedora, sendo “Ethan-que-não-conhece-as-garotas, vem aqui me ajudar, porque você não precisa se preocupar em não saber beijar para fazer um motor de uma kombi funcionar”, e eu tenha saído o mais rápido possível da KM antes que ele falasse – novamente – algo que pudesse me difamar. Mas é claro que a segunda opção é bastante remota.

Quando saí da kombi, percebi que a garota metida a E.T. praticamente brilhava no sol de tão branca. Eu quase mandei ela voltar para dentro de sua chique BMW com medo de que ela tivesse uma insolação instantânea em menos de três minutos e morresse ali na minha frente, fazendo que as cotas de garotas bonitas do mundo diminuísse mais. Mas, bem, ela era bonita, então eu preferia admirar a beleza dela ali.

Ela vestia uma roupa simples para quem estava em uma BMW. Short jeans e uma camiseta branca bastante larga, presa dentro do short. Seu all star branco fazia contraste com o chão de terra, me trazendo a memória, a imagem de minha mãe chorando. Pois seria isso que ela faria se tivesse que lavar um tênis daquele todo manchado de terra.

- Olá. – ela disse – Muito prazer, meu nome é Carolyn.

- Oi, Carolyn. – ela é muito linda, cara. Ai meu Deus. – Meu nome é Ryan. Ethan Ryan. – Bond. James Bond.

- Okay, James Bond. – essa garota lê pensamentos???

- Anda logo, Ethan-que-não-conhece-as-garotas! – e pra variar, Jon tinha de ser excepionalmente conveniente e não me constranger na frente de garotas bonitas de cabelo verde.

Antes que ele soltasse mais algum argumento que me fizesse querer dar socos nele, fui logo ver o que ele precisava, afinal, ele era minha carona.

No passo em que eu cheguei ao seu lado, me assustei com o homem modestamente enorme apoiado no capô do carro, olhando para mim enquanto conversava com a adorável Carolyn de cabelos verdes. E é claro que eu não fiquei com medo deste agradável homem.

— O que é, Jon?

— Esquece. Não preciso mais de você. Este homem se dispôs a me ajudar. – Sorrio timidamente para ele, e volto rumo à BMW, para continuar o belo monólogo com a adovável Carolyn de cabelos verdes.

— Está indo para o Internato? – para minha surpresa e alegria, não precisei me fazer de bobo pensando em um assunto para começar a falar.

— Hum... Na verdade, sim. Como sabe?

— É bem óbvio. Dois adolescentes dirigindo por uma estrada na qual só tem dois destinos, sendo um deles um internato. Mochilas e livros no interior da kombi. Resumindo, continua óbvio.

— Okay, adorável senhorita racionalidade de cabelos verdes. – mesmo sem querer, querendo, deixei Carolyn de cabelos verdes sem graça. – Você também está indo para o internato, não é?! Está vindo de onde? Texas?

— Nova York.

- Por que você saiu de Nova York para estudar na Carolina do Sul, minha jovem? Me responda esta curiosa pergunta.

- Por vontade própria, no caso. Sabe, eu cansei de todo aquele cotidiano monótono e rotineiro. Com os mesmos lugares e as mesmas pessoas. – sua voz ficou bastante deprimente de um minuto ao outro – Mas é claro que minha vida particular não interessa à um garoto magrelo de óculos que anda com seu outro amigo magrelo sem óculos em uma kombi feia que não presta.

- Sua modéstia por andar em uma BMW digna de um filme de hollywood está abaixo do nível, mocinha.

— Talvez.

Um silêncio de tensão reinou durante o minuto mais demorado que já existiu na história dos minutos demorados, e é claro que eu tive uma péssima ideia.

— Quem sabe você poderia me contar sua história? Ou até ir conosco na kombi maluca?

— Ai meu Deus. Você realmente não tem jeito com garotas, não é? Claro que não vou com vocês. Pelo que eu sei, vocês podem muito bem ser dois sequestradores.

— Ah... Okay. – idiota. Idiota. Idiota. Idiota.

— Ethan-que-não-conhece-as-garotas, entre na kombi maluca e se prepare para a decolagem, marujo. – a adorável Carolyn de cabelos verdes, agora me achando um completo idiota, começara a rir disfarçadamente com uma expressão de dúvida esboçada em seu rosto. Talvez ela estivesse se perguntando o porquê de Jon misturar kombi, avião e navios em uma única frase que deveria ter sido apenas sobre uma kombi velha e feia, como ela mesma diz.

— Bem... Ah... Então... Ah, tchau.

— Até mais, “Ethan-que-não-conhece-as-garotas”. Foi um prazer.

É claro que eu saí praticamente correndo após dar um sorriso tímido de vergonha e entrei na kombi maluca querendo esconder minha cara em qualquer lugar que fosse e torcendo para que: (1) Ela não se lembrasse ou não se importasse com esta situação constrangedora quando chegassemos no internato e (2) que ela não pensasse que somos dois nerds que não entendem de garotos e dissesse isso para todo o colégio para nossa fama negativa aumentar.

Quando Jon entrou na kombi e conseguiu funcionar a kombi maluca depos da quarta tentativa, ele começou a elogiar e a, praticamente, venerar o gigante assustador que o ajudou, citando todas as possíveis qualidades que ele tinha – ou seja, as que ele pode deduzir nos dez minutos de conversa – e as que poderia ter. Claro que foi ignorando propositalmente o que Jones falava, que me dei conta de uma de que havia conhecido a garota mais linda que eu já havia visto na vida. E é claro que a kombi maluca estragou novamente no meio do caminho.

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