Never Too Late
Never Too Late
Capitolo 17 min di lettura

Capítulo 1

Estados Unidos .Estado de Mississípi, 1917.

A moça de longos cabelos pretos estava amarrada por uma camisa de força. Ela estava em completo silêncio, acostumada de fato aos anos em que passara trancada na cela. A moça sorria ao ver em sua mente um jovem rapaz loiro, ele tinha olhos brilhantes e estava com um tipo de uniforme, bem parecido com os utilizados pelos militares, eram como lembranças, meio embaçadas e fora de foco, lembranças que nunca haviam acontecido.

Ela se lembra quando contou aos pais sobre essas lembranças, a mãe havia ficado vislumbrada pela imaginação da filha, assim como Maggie que adorava ouvir as histórias que Mary lhe contava, a cada ano que passava as lembranças ficavam mais constantes, tão preocupante em frente a sociedade a ponto de seu pai a mandar para a ‘casa de pessoas especiais’. George, seu pai, era um militar sendo preparado para a guerra que viria a seguir, guerra que Mary já sabia bem o quão sangrenta seria antes do início.

Ela sentava ali sozinha no escuro esperando pela visita diária de Nathaniel, encarava a lua brilhante pela mínima abertura, a qual os administradores ousavam chamar de janela.

”Mary Alice Brandon!” – bradou a voz do jovem Nathaniel, ela amava suas visitas, mesmo quando estava dopada de remédios que impediam-na de ver. Ele era lindo, lindo mesmo, quase um príncipe encantado que a salvava da masmorra. Nathaniel lhe deu um beijo na bochecha esquerda logo após fechar a porta com a chave, ele soltou-a da camisa de força e sorriu pra ela.

”Eu já disse a eles que uma moça tão comportada não precisa disso”. Ela lhe sorriu os dentes brilhantes e bem cuidados, Nathaniel sentou-se do outro lado da cela, lá onde a luz da lua não lhe alcançava e Mary não podia ver seus olhos violeta.

“Alice, está tão calada essa noite. Não quer a minha companhia?”

“Eu tive uma lembrança” Lhe respondeu ela com seu típico olhar vago que ela sempre tinha quando estava perdida.

Nathaniel se levantou e com uma lanterna pequena de luz fraca ele examinou os olhos de Alice.

“Seus olhos saíram intactos dessa vez, isso é uma vitória Alice”

“É porque a lembrança foi boa” Nathaniel viu sua Alice sorrir como nunca antes, além do olhar vago ele via em seus olhos um vislumbre de esperança.

“Conte-me então, eu adoro suas histórias”

“Você sabe que elas são confusas, só que dessa vez eu pude enxergar. Eu estava em um lugar estranho, nunca fui lá antes, tenho certeza que saberia, eu estava sentada em uma banqueta e a minha frente havia uma mesa grande que de comprimento ocupava a largura do salão”.

“Você estava em um bar”.

“Ao meu lado havia um rapaz loiro, ele me encarou de modo agressivo, mas tudo o que senti foi pena e um formigamento estranho, eu peguei em sua mão e sorri pra ele” Nathaniel por um instante sentiu ciúmes do rapaz merecedor da felicidade de sua Alice, mas não poderia jamais deixá-la desconfiar de seus sentimentos.

“Alice me conte mais”

“Eu não sei mais, fiquei cansada demais para continuar, então tudo se apagou e eu vi isso aqui de novo” Disse ela gesticulando para a sala escura e fétida em que se encontrava.

“Não fique triste, eu te trouxe uma comida decente, soube que não anda se alimentando então fui até sua casa e contrabandeei isso aqui”

“Sua mãe preparou somente pra você” Ele pegou uma trouxa que até então Alice não havia visto, de lá ele tirou uma tigela de ferro com uma tampa grossa amarrada a ela, assim que ele a abriu o cheiro da carne assada com batatas coradas que sua mãe fazia todo domingo invadiu a salinha, Alice abanou as mãos pedindo para Nathaniel lhe entregar seu prato predileto, ele tirou da trouxa um garfo e uma faca e depois entregou tudo a ela.

“Meu dia está sendo ótimo! Primeiro foi poder ver tudo claramente, depois sua visita e agora isso, a comida da mamãe, obrigada Nathaniel”

“Por nada princesa” Ela terminou rapidamente o prato feito com carinho pela mãe, Mary sentia que ainda a amavam e comeu sentindo em suas papilas cada toque de sabor como se não comesse a décadas!”

Nathaniel logo se foi, Mary só tinha noção das horas pelo ciclo do sol e da lua que via pelo buraco, ela sabia que uma vez a cada três ciclos de sol e três ciclos e meio de lua Nathaniel aparecia, e que a cada dois ciclos de sol ou dois ciclos de lua ela presenciava uma cena em suas temidas lembranças. Temidas realmente, elas nem sempre eram boas, algumas eram tão horríveis que os olhos de Mary Alice choravam sangue, suas mãos ficavam tremulas e ela só se acalmava a base de remédios.

Mary Alice aquele dia viu o sol depois de dois anos, Angelina, uma senhora que logo serviria como enfermeira de soldados e morreria durante um ataque, entrou na sala e foi recebida por um abraço de Mary Alice.

“Olá Mary, como passou a noite? Nenhum sintoma, irritação nos olhos, tremedeira?”

“Nada Angel” Mary a chamava assim porque era sempre Angelina que lhe aplicava o remédio em seus piores momentos, era como se sua enfermeira favorita pressentisse quando ela deveria ter uma crise e assim estava sempre ali para ajudar Mary, por isso carinhosamente Mary Alice dizia que Angelina era seu anjo guardião e protetor.

Angelina sorriu para Mary Alice, seu rosto marcado por expressões faciais e seu sorriso brilhante sempre alegrava a moça.

“Mary, como na ultimas semanas você não tem ataques hoje poderá sair e conviver com os outros, não é ótimo! Temos um gramado enorme cheio de atividades”. Angelina ofereceu a mão e Mary Alice a apertou, assim se lembrando de quando saia para as compras com a nona.

A primeira coisa que Mary Alice fez foi tirar as sandálias de borracha e se sentar na grama que ainda estava molhada pelo orvalho. Ela respirou o ar fresco e fechou os olhos, como só conhecia os enfermeiros e fora acostumada por tanto tempo a ficar naquela sala pequena Mary Alice se sentia bem sozinha ali no canto com as pernas retas e descobertas, ela era obrigada a vestir um macacão tão branco que quase enxergava seu reflexo então se sentar no chão sem se importar com a sujeira era muito gratificante.

Ela queria ficar ali para sempre apreciando a brisa da manhã e absorvendo os raios de sol que amornavam sua pele pálida, mas passando em um piscar de olhos logo Angelina veio buscá-la para o almoço, Mary Alice preferia mil e uma vezes a comida da mãe, não que a dali foram detestável, mas saborosa de fato não era.

Os dias passavam rápidos e Mary Alice perdeu a conta dos ciclos, assim não poderia prever a chegada de Nathaniel. Quando ele chegou Alice poderia saber quantos dias haviam se passado, afinal ele nunca antes passara dos ciclos que Alice memorizava.

Ele estava esquisito, em momento algum encarou Alice naquela noite, apenas lhe trouxe um lanche, ficou conversando e contando a ela tudo o que acontecia do lado de fora e que em breve ele pretendia tirá-la dali, Alice estava preocupada, já que só poderia sair daquela sala e daquela casa se seu pai autorizasse sua saída, ela perguntou a Nathaniel, mas ele apenas deu de ombros e enfiou as mãos nos bolsos de seu jaleco branco.

Ele encarou Alice e lhe disse num sussurro.

“Alice, caso encontre um médico novo jamais aceite sua ajuda, confie apenas em mim e em Angelina”

“sim”

“Promete pra mim? Ele tem um cabelo loiro na altura dos ombros, não deixe ele entrar em sua sala jamais princesa”

“eu prometo Nathaniel, mas porque isso agora?”

“Em breve lhe explico Alice” Assim que disse isso Nathaniel deu um beijo na bochecha da garota e se despedindo Alice voltou a marcar os ciclos a espera de uma nova visita.

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