Nunca acreditei que sentiria falta de alguém tão irritante quanto você. Chego a me desprezar por ser tão estúpida a ponto de acreditar que você voltaria para casa logo e que eu o receberia de braços abertos e com um sorriso no rosto. Quando foi que eu comecei a bancar a adolescente apaixonada e por quê?Eu não deveria pensar em tamanho absurdo e por essa razão me odeio. Desejo-o com todas as minhas forças e queria poder ter te dito isso antes de você me deixar repentinamente e voltar apenas quando o que eu sentia virasse uma vaga lembrança que me machucasse ainda mais.
Foi divertido para você me abandonar todos esses anos enquanto eu chorava por dentro? Você está satisfeito com o que encontrou ao voltar? Esse é o resultado do que você fez a mim durante anos. Desprezo-me por imaginar o que você faria comigo se eu tivesse me permitido ser sua, mesmo que fosse apenas por uma noite de verão, onde seu corpo frio tocaria o meu e poderia sentir a dor e o prazer de me entregar a você, contrariando tudo o que eu deveria fazer.
Esses anos sem você por perto me fizeram sofrer, me endurecendo por dentro de tal maneira que eu posso dizer que estou morta em vida e isso é culpa sua por ter me abandonado por trinta dolorosos anos. Eu o odeio, Alucard, porque não sou capaz de deixar de te amar mesmo agora que vejo meus dias escorrendo como areia entre meus dedos. Sei que não viverei muito tempo, já estou muito velha para continuar sonhando com algo que não pode existir, por mais que eu queira. Provavelmente você sabia do que eu sentia, do quanto eu o queria e por isso te pergunto: Você alguma vez se importou com isso? Será que você me quis, mesmo que fosse só um pouco? Sinto que não, pois se eu sei que nunca tive de fato uma chance de contar. Quando não eram os decrépitos da Távola redonda e a rainha me pressionando, era meu próprio medo de admitir que o amava desde muito tempo atrás.
Apenas continuo mantendo esse segredo porque sei que de nada adiantaria contar tudo agora, por esse motivo encerro esta confissão que só chegará aos seus olhos no momento da minha morte. Perdoe-me por ter sido covarde e não ter te contado tudo antes e se você ler estas linhas, perceberá que é tarde demais para tentar fazer qualquer coisa a respeito. Ainda assim, rezo para que eu esteja terrivelmente errada e que não seja tarde demais para mim ainda que eu já não seja mais a mulher que fui antes.
Com o amor e desepero mais profundos
Integra Fairbrook Wingates Hellsing