Hunter
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Capitolo 38 min di lettura

Capítulo 2

É agora ou nunca.

Tudo ou nada.

Por um momento me deixei levar, por um momento esqueci tudo, deixei que todas as muralhas que construí durante anos despedaçarem, pedra por pedra.

Só por um momento.

Após Annie sair do quarto, meus pulsos foram puxados com uma brutalidade sem igual e logo senti o peso das correntes, mas em nenhum momento olhei pra ele... não daria o gosto de sentir minha mágoa, minha repulsa, não mesmo! Não agora.

Respirei fundo, uma, duas, incontáveis vezes, quantas necessárias para retomar minha postura, não vou fraquejar. Não posso.

Pelo canto dos olhos pude perceber quem puxava meus braços eram os mesmos seguranças que ficam de vigília na porta.

Provavelmente Peeta estava atrás, o conheço bem o suficiente para perceber que isso era um truque.

Ele achava que quando eu o visse pela primeira vez ficaria chocada, no mínimo, emocionada.

Oh Peeta, por um momento senti pena... estou preparada para isso desde a última vez que nossos olhos se encontraram.

E você sabe, mais do que qualquer um, que não é da minha natureza cair sem lutar, mas dessa vez, não vou cair.

Talvez esteja passando na sua mente miserável que estou aqui para colaborar com as buscas... afinal, o que eu tenho a perder? Já estou na merda mesmo.

Mas não vou fazer isso, meu único objetivo era foder a vida dele, como ele fez com a minha.

—E aí lindinha, pronta? – O mesmo delegado que me fez o acordo estava agora encostado em uma porta de metal bem enferrujada, com um sorriso presunçoso nos lábios

—Estou sempre pronta.

Seus olhos cinzas, muito parecido com os meus, fitou o homem que estava atrás de mim, com um semblante preocupado, provavelmente mexi em algum parafuso daquela cabeleira loira.

Peeta Mellark, hoje eu vou te tirar do sério.

—Anda Haymitch, abre essa porra.

Eu posso até ir pro inferno depois disso tudo, mas até lá… vou curtir muito bem a viagem.

—Tudo bem, Peeta...- suspirou derrotado – Mas você não vai ficar sozinho com ela. Vou entrar junto com esses rapazes.

Haymitch... oh! Como pude me esquecer? Sabia que recordava o cheiro forte de bebida... que exalava em cada um dos poros de seu corpo, é o tio de Peeta, com quem provavelmente ele morou depois de tudo.

Ou seja, ele sempre soube quem eu era, e me deu crédito por ter matado seu próprio irmão... interessante.

Senti o olhar do Mellark mais novo queimar nas minhas costas, isso vai ser muito divertido.

—Que seja, vamos logo com isso – Suas mãos ágeis e agora grandes empurraram minha cabeça com força e sem nenhum esforço.

Os outros policiais o acompanharam até uma cadeira, onde sem nenhuma delicadeza, fui literalmente jogada.

—Nossa, Mellark... quanta agressividade, isso tudo é falta de uma boa foda? – e assim que levantei minha cabeça pude ver os olhos que eu tanto amei praticamente pretos de ódio. Seu maxilar, que já era quadrado, estava muito mais pela força extrema com que ele trancava sua mandíbula, deixando seus lábios finos em uma linha reta. Sexy.

Ele se tornou um homem lindo, inegável.

— Posso resolver isso pra você, formamos uma bela dupla... não acha? — sussurrei olhando no fundo do que um dia foi o meu mar particular, eu mexia com ele, era nítido.

E isso era muito bom para mim.

—Continua uma vadia, né Everdeen?

Eu sabia que se não fosse pelos outros três homens naquela sala, ele já teria me matado com as próprias mãos.

Era quase palpável seu ódio por mim, transparente como água.

—Algumas coisas nunca mudam, meu amor.

Ele não estava aqui de brincadeira, e eu muito menos.

Peeta simplesmente empurra a cadeira de aço para trás, com uma má vontade e joga a pasta bege lotada de arquivos. Enquanto o loiro da seu show, apenas jogo minhas pernas pra frente e escorrego no assento liso, ficando praticamente deitada.

Bato as correntes o metal, provocando um som irritante aos ouvidos dele. Sei como é sua impaciência.

Vários pares de olhos me encaram, esperando alguma reação louca ou agressiva, mas deixarei esse lado para o investigador. Afinal, a madame tá irritada.

—Vai perguntar logo ou não? — atiço meu lado irritante e recomeço a batucar minhas unhas compridas, jogando mais fogo em seu ódio por barulhos.

Seu olhar segue sugestivamente pras minhas mãos, infelizmente não posso usar meus anéis, mas as tatuagens nos dedos são novidade. E ele com certeza reparou.

—Eu mando aqui, Everdeen.

—Claro. — solto com um sorriso brotando em meio a ironia.

Pronto, cheguei ao ponto inicial da sua raiva.

Peeta bate as mãos, provocando um susto em todos, mas já estou acostumada a lidar com pessoas nervosas em seu pico de adrenalina.

—Acha que isso é uma brincadeira? Você é uma condenada de merda.

—E você um investigador de merda.— sua mão grande se fecha num perfeito punho, demonstrando o que realmente queria fazer. Mas ele teria coragem de me tocar?

Haymitch solta um pigarro, tentando trazer a racionalidade e fazer os ânimos acalmarem. Falha tentativa na minha opinião.

A pasta bege abarrotada é aberta, as folhas espalhadas. Peeta se torna o profissional sério, consigo vislumbrar as linhas que aparecem em sua testa.

—Vamos começar com o caso de… Robert Navarro. — observo a sala, encontrando câmeras penduradas em pontos estratégicos no teto, microfones na mesa, fora o falso espelho. — Everdeen! — suspiro deixando meu olhar cair no loiro.

—O que tem?

Antes que um novo momento de raiva aconteça, Haymitch se aproxima de mim mas Peeta ergue a mão dispensando sua atitude.

—Por que o matou?

Ergo a sobrancelha, isso definitivamente não era o que eu esperava receber logo de cara, mas ele sempre foi assim. Em um momento parece totalmente previsível, mas muda numa piscada. Me identifico, afinal essa característica que eu sempre amei nele.

—Você quer saber a resposta fácil ou a interessante?

—A verdadeira.

—Ele mereceu. — impulsiono o corpo, arrastando a cadeira para trás. Começo a desembaraçar as pontas dos meus fios escuros, deixando as palavras certas saírem.

—Ninguém merece ser morto.

—É aí que você está enganado, alguns pedem pela morte. — ele suspira fundo, espero que esteja decepcionando-o. Se ele espera a garota que conheceu, apenas lamento. Nunca mais a terá.

—A família dele não concorda. Querem sua pena de morte.

—Algo que até você quer. Mas vou te contar algo interessante, as pessoas não se conhecem.

—Todos te conhecem e sabem o que você é.

—Uma psicopata? Louca? Perturbada? Ah não, já sei. Uma gostosa do caralho.- dou uma piscada em sua direção, seu queixo trava.

Num pulo tenho seu corpo curvado, mãos travadas contra o metal, respiração ofegante, olhos cerrados contra os meus. Aproximo meu corpo ficando centímetros do seu rosto, jogando meu nariz pra cima ao mirar o azul.

—Você é um monstro que se acha especial e inteligente.

—Se eu não fosse estaria em uma cela. Então admita, você me acha extraordinária por isso quer me estudar.

Abro a boca jogando minha língua pra fora, por milímetros não encosto em seus lábios. Peeta joga o corpo pra trás assustado.

—Isso te corrói por dentro? Não poder admitir que está atraído?

—Foi isso que fez com meu pai? O atraiu como uma puta e depois o matou.

Volto a sentar, sentindo o ódio forte e quente dar as caras. Esse é um dos momentos que mais gosto, apesar de lutar contra as lembranças.

—Aquele lixo não merecia meu esforço. Apesar de amar cortar sua garganta, decepar suas mãos, quebrar dedo por dedo, dilacerar sua boca e rasgar cada pedaço de pele…

—Sua vadia! — numa fração de segundo sou jogada contra a parede, sinto cada vértebra bater no cimento gelado. A mão de Peeta agarra minhas garganta com toda força possível, me impedindo de respirar.

— Investigador chefe Mellark!

As vozes saem exaltadas e desesperadas, sei que não vou morrer mas o incômodo e a dor não são bem vindos.

—Você não é nada além de uma grande merda, um monstro que teve a infelicidade de nascer.

—Eu penso como uma assassina, vivo como uma psicopata, executo minhas ações como uma boa calculista que sou e depois…- pauso pra puxar o pouco ar que consigo, antes que venham nos separar. — Apenas relaxe e imagine o sangue do seu papai escorrendo por entre meus dedos.

Com um puxão os policiais o afastam, caio no chão tossindo tentando puxar todo o oxigênio que consigo. Haymitch aproxima, puxando meus pulsos pra cima.

—Consegue respirar? — concordo voltando meu olhar pro loiro que luta para voltar até mim, lanço um sorriso e um beijo finalizando meu momento. -Vamos sair daqui antes que o Mellark perca a linha.

Ando como se flutuasse, apesar de sentir meu pescoço latejar cada vez que respiro. Assim que chego a porta do quarto, Haymitch assente pros guardas tirarem as algemas.

—Vou chamar um médico para ver isso.

Concordo passando por uma Annie animada que recua ao ver meu estado.

Que os jogos comecem.