Ponto de vista do Adam (Adam POV):

Acordei mais uma vez. Tossi um pouco e mal me aguentei. Fazia quanto tempo estava preso nesse inferno? Dias? Semanas? Meses? Não conseguia enxergar quase nada.

Onde estaria Lawrence agora? Será que não conseguiu resistir, e... Morreu? Ou talvez, talvez aquele desgraçado tenha sobrevivido. E me deixado aqui. Aquele filho da puta.

Senti meu estômago roncar. Merda. Nunca estive com tanta fome ou sede em minha vida toda. Parecia um milagre — e ao mesmo tempo uma desgraça — ainda estar vivo. Por que não me matavam logo? Era o que eu mais desejava. O fim do meu sofrimento. O fim da minha dor.

Suspirei impaciente.

Comecei a me recordar da minha vida. Ainda não tinha feito nada realmente relevante. Seria mais uma pessoa que desperdiçou seu tempo.

Ainda era jovem. E tudo estava acabado pra mim.

Se eu conseguisse sair desse lugar, talvez eu apreciasse mais a vida, ou pelo menos tentasse.

Ouvi algum barulho. Seria algum policial, alguém pra me resgatar? Minha esperança quase morreu. Também poderia ser Jigsaw, algum criminoso procurando abrigo ou qualquer coisa. Decidi fechar meus olhos e me fingir de morto.

Ouvi a porta do banheiro se abrir.

Algo brilhante incomodou meus olhos quase fechados e eu tinha quase certeza de que a luz era de uma lanterna.

Ouvi passos também. Estava quase impossível de ver quem era. Continuei imóvel enquanto a figura se aproximava.

— Adam. — Uma voz feminina sussurrou ao meu ouvido. — Adam.

Soltei um grunhido leve e me vire abrindo um pouco meus olhos, mas mal consegui ver a dona da voz.

— Estou aqui para ajudá-lo. — Ela sussurrou de novo. — Vou libertá-lo...

Tive uma pequena esperança ao ouvir aquilo. Mas ela se foi completamente quando a mulher que sussurrou ao meu ouvido botou uma sacola plástica em minha cabeça, tentando me sufocar. Ela chorava e soluçava enquanto fazia isso.

Fiquei desesperado. Tentei lutar contra ela, mas não conseguia me mover direito. Ela chorava cada vez mais.

De repente, senti minha cabeça bater no chão e...

Ponto de vista da Amanda (Amanda POV):

Após Adam bater a cabeça no chão e não se mover mais, tive a certeza de que estava morto.

Chorei mais.

Não achei justo o que aconteceu com ele. Lembrei-me de quando ele me viu. Fora tão legal comigo. E até me pediu para tirar uma foto minha.

Deixar ele lá ter uma morte lenta e sofrida era doloroso demais pra mim.

— Amanda. — Uma voz me chamou e olhei pra frente assustada.

— John? — Respondi um pouco com medo.

— Você interferiu no teste dele. Matou-o.

— Eu não podia deixar ele sofrer e apodrecer aqui! Tinha de fazer algo...

Chorei mais ainda.

John chegou mais perto de mim e do corpo de Adam, pegando seu pulso.

— Ele ainda está vivo. — Ele finalmente disse.

Porra, não adiantou nada vir aqui. Logo ele acordaria e voltaria a sofrer.

— Por favor... — Choraminguei para John. — Deixe-o ir. Por favor...

— Não posso. — John respondeu o mais gélidamente o possível. — Ele falhou em seu teste. Se eu soltá-lo, ele não terá aprendido nada com isso.

Chorei mais alto.

— Mas talvez... — Ele acrescentou, acendendo uma pequena vela de esperança em mim.

— Talvez o que? — Respondi curiosa.

— Talvez possa lhe dar uma segunda chance. Se eu botá-lo em um novo jogo... Ele poderá ter uma nova chance de viver.

Engoli em seco. Mas era melhor do que nada.

— Então sim. — Finalmente respondi.

— Vou armar as armadilhas... — John começou. — Tire-o daqui, dê-lhe comida, água e ajuda médica.

Obedeci John, enquanto desacorrentava Adam, que ainda estava inconsciente.

— Que os jogos comecem... — John soltou seu famoso bordão enquanto tirava Adam do banheiro.

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