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forever moon

Katherine

forever moon
Capitolo 19 min di lettura

Capítulo 1

Pov Luna

'' As águas me envolvem, estou cansada de lutar, sufocando, submergindo, deixando-me levar pelo abraço do mar... afundo... lentamente, me entrego''.

Acordo ofegante, mais um pesadelo. Olho em volta, minha cabeça está pesada e dolorida, estou em um hospital aparentemente, há um soro ligado a minha veia e uma cânula em meu nariz. Minha visão está embaçada, mas posso ver que há um garoto sentado em uma poltrona ao meu lado observando-me.

— Victor?- sussurro.

O garoto se levanta e sorri.

— Que bom que acordou.- ele diz enquanto aperta uma campainha ao lado da minha cama.

Rapidamente um senhor adentra o quarto, provavelmente um médico, Dr. West, pude ler em seu jaleco. Ele sussurra algumas palavras com o garoto de cabelos cacheados e depois vem ao meu lado da cama com uma prancheta.

— Bom dia! Sou o Dr. West. Sei que deve estar confusa, mas estarei pronto para responder suas perguntas, antes faremos alguns exames e lhe encaminharei para um quarto.- ele explica.

Apenas assinto com a cabeça. Ele aperta a campainha e enfermeiros adentram o local, passo por uma bateria de exames e finalmente retiram a cânula e o soro, sou conduzida a um quarto, este tem paredes num tom azul bebê, uma pequena cômoda ao lado da cama e um banheiro.

— Tome um banho querida. — diz uma simpática enfermeira.- Use isso.- ela me entrega um pijama do hospital.- Voltarei logo para vê-la. Sorrio agradecida e ela se retira.

Adentro o chuveiro e tomo um banho quente. Visto-me e deito na cama. Ouço batidas na porta e logo a maçaneta gira. Um garoto da pele alva e olhos castanhos adentra o quarto, reconheço-o, é o mesmo que estava ao meu lado quando acordei, ele segura uma bandeja com suco, sanduíche natural e uvas, ele não está de jaleco, usa uma camisa azul.

— Boa tarde, meu nome é Miguel.- ele põe a bandeja em meu colo e senta-se numa poltrona ao meu lado.

— Boa tarde, você é enfermeiro também?- digo enquanto ponho uma uva na boca.

Ele sorri.

— Não, sou filho do médico que te entendeu. Pedi a enfermeira que me deixasse trazer seu ''café da manhã''- ele faz as aspas com os dedos e eu entendo o porque, deveria ser meu almoço...- Precisamos conversar, mas antes preciso que se alimente.

Concordo e termino de comer.

— Então, já que não é enfermeiro, por que está aqui?- ponho a bandeja de lado.

— Pois salvei sua vida.

— Como assim? Quer dizer... como vim parar no hospital?

— Você não lembra de nada? Lembra seu nome?

— Katherine. Lembro de estar com uns amigos na praia e corremos para o mar, depois disso apaguei. Que dia é hoje?

— Segunda-feira.

— Ah, então foi ontem. O Victor está aí? Ele me convenceu...

— Katherine- ele me interrompe- você está desacordada há uma semana. Não sei quem é Victor, mas deve ser alguém importante, você o chamou antes de acordar.

— Uma semana?- estou perplexa, minha cabeça está confusa.- Alguém veio me ver? Como pude dormir por uma semana?- entro em desespero.

— Ei, calma.- ele se aproxima e toca minhas mãos, sua voz é rouca, mas doce- Acho que você se afogou Kath e eu a salvei. Ninguém veio te procurar e estamos em um hospital um pouco distante da cidade da praia.

— Devem achar que estou... morta...- as lágrimas inundam meu rosto.- O que farei Miguel? Não tenho ninguém, meus pais morreram em um acidente aéreo e moro com minha tia Ever, e, bem... se ela acha que estou morta, deve estar em um país bem distante agora... Victor é... era meu namorado...- sussurro essa última palavra.

— Farei o possível para que você volte tudo bem? Só preciso que você se recupere.

Ele enxuga minhas lágrimas, beija o topo da minha cabeça. — Descanse um pouco.- ele diz.

Assinto com a cabeça e deito. Ele se dirige até a porta.

— Miguel...- digo antes que ele gire a maçaneta. Ele vira-se.- Obrigada.- completo.

— Por nada Kath. Descanse.- ele se retira.

Encolho-me e tento processar tudo o que o Miguel me disse. Miguel... que voz doce... como um anjo, seu cheiro de mar, seus olhos, seus lábios rosados... o que estava acontecendo comigo? E por que o meu coração estava tão acelerado? — penso.- Esqueça isso Katherine. Você tem problemas maiores agora.- digo a mim mesma. Adormeço e os pesadelos voltam.

...

Pov Miguel

— Levanta preguiçoso, vamos à praia cara. — diz o Guilherme puxando meu travesseiro e atingindo-me diversas vezes com ele.

— Me deixa mano, quem vai à praia à noite? Você é louco. — puxo os lençóis cobrindo a cabeça.

— Vamos cara, deixe de maresia, a banda quer comemorar o sucesso do primeiro show da Angel’s.- ele puxa meu lençol.

[ Flash back on ]

— Você canta bem Miguel. – diz o Gabriel.

— Valeu cara. – digo mesmo sem acreditar muito naquilo.

— Deveríamos formar uma banda. — diz o Guilherme

— Sim, já temos vocalista, baterista e guitarrista, o resto a gente arranja.

— Mas qual seria o nome da banda?

— Hum... Que tal Angel’s? – Gabriel diz com um olhar distante.

— Angel’s? Mas por quê?- Guilherme questiona.

— Você é um santinho Guilherme e o Miguel e eu temos nome de anjo. Angel’s ué.- Gabriel conclui com um sorriso no rosto.

— Essa é a ideia mais idiota que eu já ouvi.- digo.- Mas gostei cara. Um brinde a Angel’s!- ergo minha lata de Coca-Cola.

Eles se juntam a mim e brindamos ao início de nossas vidas.

[ Flash back off]

— Beleza, só me espera tomar banho. – levanto-me a contragosto e vou em direção ao chuveiro, tomo um banho frio e saio. Visto uma roupa qualquer e encontro a banda na sala.

— E aí Bela Adormecida?! Pronto pra mais um show?- diz o Gabriel entregando-me o violão.

— O que?! De jeito nenhum!- protesto.

— Ei estressadinha, relaxe, é zueira vamos fazer um som de leve, só pra comemorar, guarde sua voz preciosa para o próximo show. – ele diz sarcástico.

— Vamos.

Saímos em direção a praia. Pego o violão e começamos a cantar uma de nossas musicas. A noite está linda e a Lua nova brilha, o cheiro de mar invade minhas narinas e curto cada segundo com meus amigos. Permanecemos na praia até amanhecer.

— Ei cara, vamos embora, temos um show a noite, lá na lanchonete em que criamos a banda lembra?- diz o Guilherme já andando em direção a casa.

— Vou ficar mais um pouco, podem ir. – digo e volto meu olhar para aquele imenso mar.

Todos se retiram e permaneço ali cantarolando.

Estou pronto para sair quando algo no mar me chama atenção; corro em direção a ele e percebo que, na verdade, ''algo'' é o corpo de uma garota, prontamente vou ao seu encontro e a puxo para a margem; ponho a cabeça em seu peito e tento ouvir sua respiração: sem resposta de seus pulmões... Faço todo o procedimento de salvamento que conheço, mas nada adianta. Carrego aquele corpo aparentemente sem vida, ponho no carro e vou em direção a casa.

— Pai!- estou ofegante ainda com a garota no colo. – Pai! Por favor!- grito desesperadamente e Marie, nossa empregada, aparece.

— O que houve Miguel? Ai meu Deus, quem é essa? O que houve?- ela está de olhos arregalados e, se não fosse a situação, com certeza estaria rindo de sua cara gorducha.

— Preciso de meu pai, Marie, onde ele está?

— Está no hospital, o chamaram hoje cedo.

— Chame o helicóptero Marie, preciso levá-la ao hospital agora mesmo, talvez ainda dê tempo de salvá-la...

— Sim, farei isso.

Ela se retira e espero aflito até que ouço o helicóptero chegando. Pego a garota que eu havia posto no sofá e vou em direção ao helicóptero.

— Para o hospital de meu pai, por favor.

Ponho a pequena garota numa maca e tomo sua mão.

— Você vai ficar bem. – sussurro. – eu prometo.

...

— O que houve Miguel? Recebi uma chamada de urgência. — diz meu pai assim que chegamos ao hospital.

— Essa garota pai, a encontrei na praia, acho que se afogou, já fiz tudo o que podia para acordá-la, mas ela não reage.- explico olhando para a pequena garota desacordada.

— Vou providenciar os devidos cuidados, agora se acalme, vá para casa, pegue meu carro, não há necessidade de usar o helicóptero.

— Não pai! Quero esperar, quero saber se ela ficará bem. – digo aflito.

— Tudo bem Miguel, espere aqui.

Vejo uma equipe de médicos e enfermeiros levar a garota, ainda estou preocupado, mas sei que ela está em boas mãos, sento-me na sala de espera e aguardo.

Longas horas se passam até que vejo meu pai vir em minha direção.

— Então pai?- me levanto.

— A saúde dela está estável, mas ela ainda está desacordada, de qualquer forma já fiz tudo o que podia, resta-nos esperar até que ela reaja aos medicamentos.

— Tudo bem. – suspiro profundamente.

— Volte para casa filho, você precisa descansar, venha amanha se quiser.

Assinto com a cabeça e volto para casa.

— E então... a garota está bem?- pergunta Marie.

— Não sei Marie, meu pai disse que ela está estável, mas eu não sei...

— Espero que ela fique bem.

— Eu também Marie, eu também.

Subo as escadas e entro no quarto, tomo um longo banho frio, me visto e deito na cama, penso na garota da pele alva, cabelos castanhos e cacheados, meu presente do mar e da Lua, qual será o seu nome? E sua história? Como será o som de sua voz? Adormeço mergulhado em pensamentos.

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