Arion sequer ousara trocar mais do que dez palavras com Minerva naquele dia. Entrara bufando no laboratório e fora direto resmungar com o protótipo no qual estivera trabalhando junto com ele. Elevara a voz várias vezes, batendo com as ferramentas na lataria dos mísseis, até bagunçar os cabelos e ir sentar-se em frente ao computador. Não demorou mais do que cinco minutos para que ela começasse a gritar com o monitor. E Arion se limitou a ficar encolhido atrás da mesa na qual trabalhava em um novo hardware para as Indústrias Stark. Entretanto, percebendo que seu dia não seria nada produtivo se não fizesse nada em relação ao estado de Minerva, o engenheiro deslizou discretamente sobre a mesa do seu caderninho de anotações. Folheou-o até que encontrasse o início do maço de páginas dedicado a Minerva. Já fizera tantas anotações naqueles meses que estava começando a considerar comprar um caderno apenas para ela. Virou as páginas com uma agilidade que só quem vivia folheando aqueles caderninhos todos os dias teria, e seus olhos atenciosos engoliram as anotações em frações de segundo.
De acordo com o que andara anotando e o que aprendera com Len, seu colega de apartamento que estava naquele planeta há mais de dez anos, a maior parte dos seres humanos se estressava facilmente. Ele havia dito alguma coisa sobre super expressão de receptores de cortisol, mas Arion não era muito bom em biologia celular. Portanto, para sobreviver ali, era imperativo dominar as informações para, no mínimo, acalmar pessoas. E isso especialmente no caso de Arion, que vivera entre povos que não sofriam muito com ânimos exageradamente alterados. E desde que chegara, Minerva havia sido, de longe, a humana menos resistente ao estresse que encontrara. Pelo visto teria que se engajar em conhece-la mais ainda para mantê-la no ânimo certo para ensiná-lo se quisesse concluir logo aquele treinamento. Ele até se surpreendera pela complexidade das informações que Minerva estivera lhe ensinando. Havia subjugado completamente a tecnologia terráquea.
Por fim, uma informação lhe pareceu útil. Arion folheou mais algumas páginas, mas aquela era, de fato, a melhor que tinha. Havia aprendido que três coisas eram infalíveis para acalmar um humano: comida, bebidas alcoólicas e certos tipos de entorpecentes. A ação poderia ser potencializada se você soubesse o favorito da pessoa. E eis o que ele havia anotado:
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