Dis/Pares
Aos pares
Todos buscam seu lugar ao Sol,
Aos bares
Vou, para que não me sinta tão só;
Disfarces
A tristeza que desperta tanto dó,
Pois que a pena
É preferível à sensação de sentir-se um grão de pó
Impressionante é a ansiedade
De ver findada essa sina,
Inebriante é a saudade
Do seu olhar seguindo-me até a esquina
Contudo,
O tempo, às nossas vontades indiferente,
Tornou tudo tão pálido, cinza e deprimente...
Tornei-me a sombra; atenta sempre às suas vontades,
Cuidando para que fossem atendidos todos os seus desejos,
Enquanto me perdia em minhas próprias mágoas,
Como alguém que se engana, esperando pelo improvável desfecho
– no escuro, com um doce beijo.
Portanto,
Foram assim
As agonias dos meus últimos suspiros,
Pois que apagada a chama desta última vela,
É hora de, enfim, encontrar-me com meus pares
– No abismo.
Laísa Mangela Gomes Cardoso
(18/11/2009)
