O pranto da senhora era ouvido em toda extensão, não se sabia ser sincero o lamento da viúva. Era certo que desonra sobre agora em sua viuvez. Naquela região uma mulher que houvesse perdido o marido era mal vista, consideravam má sorte hospedá-la, por isso tinham que ter um filho varão, pois este teria a obrigação, muito embora a contra gosto de acolher sua mãe, poucos eram os genros que aceitavam a sogra viúva sob seu teto.
O luto havia sido decretado em todas as terras pertencentes ao senhor. Todos esboçavam uma falsa dor, um desalento inexistente. Lúcios sempre fora um senhor severo, explorava o trabalho de seus servos ao máximo e por vezes lhes impunha alguma punição, quase sempre injusta. Mas estava morto, morrera em seu leito durante o sono, uma morte tranqüila demais para tal tirano.
Seu corpo era velado pela sua viúva e sua filha a fora os servos ali presentes. Uma expressão tão serena num rosto de traços firmes . A expressão de Chantalera amena como nunca, não se viam vestígios de dor, parecia-se muito com a expressão de quando seu pai partia em viagem. Eu estava ali, mas foi como se não estivesse. A senhora não dava mais tanta importância a surra que dera em mim, talvez a “dor” a tivesse anestesiado. O corpo do senhor foi cremado como era costume.
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