crazy possessive
crazy possessive
Chapter 16 min read

Capítulo único - Crazy possessive

Nathaniel andava pelos corredores meio apressado. O sinal para o segundo turno de aulas acabara de soar, mas – devido às responsabilidades com o grêmio estudantil – ele fora dispensado por algum tempo. Foi com isso em mente que marchava a passos firmes pelas salas, mas isso até ouvir um som monocromático atrás de si, acompanhando-o.

Toc-toc-toc. Não era preciso pensar muito para saber que era emitido pelos saltos de um sapato feminino bastante alto.

Virou-se.

— Louise? – inquiriu ao avistar a namorada ali, de frente para ele. Estranhou sua presença, pois, segundo o cronograma, ela deveria estar assistindo à aula de biologia naquele momento. Franziu o cenho. – O que está fazendo aqui?

Ela permaneceu em silêncio, e algo em seu semblante – na verdade – fez com que o loiro se alarmasse um pouco: o olhar vazio e penetrante, os lábios congelados em uma linha reta. Ela, por lógica, com certeza não estava bem, e foi só quando Nathaniel fez menção de se curvar em sua direção que ela se mexeu também, as mãos envolvendo o pulso do garoto com certa força.

— Ei! – exclamou, achando estranho o fato de estar sendo arrastado pelos corredores. – L- Lou, eu estou meio ocupa...

— Você vem comigo! – ela o cortou com rispidez e o levou até o segundo andar, mais precisamente em direção ao ateliê de artes, que estava vazio àquele horário.

O que a garota tinha Nathaniel não saberia dizer, apesar de sua personalidade divergir muito da habitual. Quando chegaram ao lugar destinado, ela realmente o surpreendeu com sua força sobre-humana para jogá-lo em direção a uma das bancadas, fazendo-o urrar em um misto de surpresa e dor. Suas costas, afinal, tinham tomado um mau jeito quando a namorada o impulsionou para frente, mas ela pareceu fazer pouco caso daquilo.

— Q- que bicho te mordeu, Louise?!

Ela se recostou à porta do laboratório depois de chaveá-la, e Nathaniel arregalou os olhos. Mas o que...?!

— Você realmente está pedindo pra encrencar comigo, huh, McGold¹? – perguntou com o timbre de voz enraivecido, ao qual Nathaniel respondeu com um franzir de cenho, duvidoso. – O que eu te disse sobre isso, hein?! Sobre ela?!

O representante de turma enfim suspirou, ciente do que ela quisera dizer. Ah, ela... Melody, mais precisamente.

— Lou... – começou, cuidadoso. Bem sabia que, para ela, falar de rival amorosa era um sufoco pelo qual preferiria não passar. O assunto era de extrema delicadeza, afinal, e a tirava do sério com bastante facilidade. Engoliu em seco. – Você sabe que a gente é só colega de...

— Colega de trabalho?! Ah, faça-me o favor! – ela novamente o interrompeu, avançando em sua direção com passos pesados. – Quantas vezes eu já não te disse, Nathaniel, que ela está doidinha pra te roubar de mim?! Quantas vezes eu já não te falei para sentar comigo na hora do intervalo?!

Ah, aquilo. Nathaniel se permitiu suspirar ao perceber o porquê daquele escândalo todo, ao que bufou logo em sequência. A namorada lhe havia lançado olhares trucidantes durante todo o intervalo, afinal, e tal fato o incomodara durante todo o tempo que se passara entre sua “reunião de trabalho” com Melody e a reprimenda que levava naquele exato momento.

Louise ergueu a mão direita, cujo dedo anelar expunha uma grossa aliança de prata. Por lógica, era idêntica à que o loiro tinha.

— Você é o MEU namorado, entendeu?! Ou pelo menos é o que esse maldito anel representa! É a mim que você tem de dar atenção, ok? – o cinismo em seu tom de voz pareceu aumentar, e Nathaniel se pegou assentindo mecanicamente quando ela ousou recostar o corpo ao dele em um abraço.

Silêncio. Conquanto assustado, Nathaniel permaneceu imóvel enquanto a garota encaixava o rosto na curvatura de seu pescoço, a respiração descompassada batendo contra sua nuca. Por fim, ergueu as mãos e as embrenhou nos cabelos escuros dela, acalmando-a.

— Hey... – ela se fez ouvir mais uma vez. O representante de turma respondeu em um “hum?” quase afônico. – Você me ama, certo?

Ela se afastou para encará-lo nos olhos. Ele fez que sim.

— Mais do que você é capaz de imaginar... – respondeu em baixo tom de voz, mas logo soltou um gemido de surpresa quando Louise ficou na ponta dos pés a fim de lhe desferir um chupão na parte mais exposta de seu pescoço. Seus dentes se cravaram à pele e fizeram com que sentisse dor, porém ele apenas permitiu que ela executasse o ato.

Ela sorriu, por fim.

— Você é meu, entendeu? E isso foi só para deixar bem claro... – afastou-se, finalmente, ao que rumou para a porta. Antes que pudesse sair, entretanto, adicionou, os olhos ardendo no mais puro cinismo: — Se esse deslize vier a acontecer novamente... Eu terei de ter uma conversinha particular com Melody, sabe?

Nathaniel baixou o rosto, pousando os dedos sobre a área do chupão.

{#}~{#}

— Hey, Nathaniel? – ele ergueu os olhos do prato de comida quase que intocado ao ouvir aquela voz. – Não se esqueça de que hoje temos reunião do grêmio estuda... Aconteceu alguma coisa com seu pescoço? Caiu e machucou?

Empertigou-se ao sentir as mãos de Louise sobre sua coxa, reprimindo-o. Ele a olhou de canto de olho, ainda assim, ao que captou o vislumbre de seu sorrisinho forçado em direção aos dois.

— Ahn... N- não, Melody. Foi uma topada, mesmo... – deu uma pausa. – E quanto à reunião, eu... E- eu...

— Ele vai, sim. – pegou-se arregalando os olhos em surpresa quando Louise se fez ouvir. Ela olhou para Melody com uma expressão dissimulada, os lábios se distorcendo em um bizarro sorriso falso antes de se curvar em direção ao loiro para lhe beijar o rosto. – Tá liberado hoje, Nath lindo. Eu tenho compromissos com Priya e Alexy mais tarde!

Ergueu-se, por fim, e olhou para Melody um pouco cabisbaixo. Ela abriu um sorrisinho falso e, sem dizer nada, deu meia volta e seguiu na direção dos corredores, fazendo sinal para que ele a seguisse. E ele assim o fez com muita relutância, pois sabia – afinal — que os olhos da namorada estavam cravados em si. E a marca em seu pescoço, então, parecia queimar como um estigma, relembrando-o: “Você é meu, entendeu? E isso foi só para deixar bem claro...”.

Comments & Reactions

Share your thoughts, attach collectible stamps, and react with the author and community.

You have reached the latest chapterReturn to story overview
Story Index