Cantarella
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Capitolo 12 min di lettura

Capítulo Único

Uma gota.

Depositara apenas uma gota do veneno incolor e adocicado, mas, ainda assim, a dose era letal. A criança sorveu o conteúdo da taça de cristal em um ato tão inocente que o tornava quase libidinoso. Em breve já não conseguiria mais respirar.

O corpo infantil foi ao chão, em busca do elemento que não conseguia absorver, derramando o resto do vinho sobre o tapete. O vermelho da bebida e o vermelho do tecido confundindo-se em um único tom. A criança arrastou-se até aquele que jurara proteger-lhe, seus olhos imploravam por ajuda.

Entretanto, ele não movera um único músculo. Observava a pequena debater-se iluminada pelo fogo que provinha da lareira, tão fascinado como se assistisse uma ópera de Donizetti. Ao término do “espetáculo”, ela não mais se movia. O rapaz então se aproximou do corpo, ainda quente, e depositara a mão sobre o seio que mal havia despontado, obtendo a certeza que procurava: o coração já não batia, ela estava morta.

Cuidadosamente, ele pegara o pequeno corpo no colo, sentindo-o esfriar pouco a pouco, e subira pelas grandes escadas de mármore. Abrira uma das inúmeras portas de carvalho daquele corredor, deparando-se com uma enorme cama de casal sob um dossel tão branco quanto a neve. Colocara o corpo, já frio, sobre os lençóis de seda e deitando ao seu lado em seguida.

De seu hobby azulado ele retirou um diminuto vidro que abrigava um líquido incolor. Bebeu até a última gota, como se saboreasse o mais valioso dos néctares, e então uniu seus lábios pecaminosos ao do corpo imaculado que jazia ao seu lado.

— Vejo-te no inferno, minha adorada irmã.

E adormeceu eternamente ao lado da criança que tanto amava.

Cantarella
30/07/2011
by Kelen Yoru

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