“Mais uma vez me encontrava distraído olhando para o anel prateado entre os meus dedos. Mesmo não fazendo mais sentido usá-lo eu não o tirava dali. Para ser mais claro, não conseguia tirá-lo. Ele parecia ser a única coisa que me mantinha ligado a ela ou pelo menos era o que pensava. Eu me via pensando nela com tanta frequência que comecei a achar que tinha algo errado comigo. Minhas ações eram contraditórias demais. Apesar de saber que tudo o que fazia era pelo bem de Yin não conseguia parar de desejar vê-la, tocá-la, abraça-la e beijá-la. A necessidade de tê-la perto de mim beirava a mesma necessidade de comer para manter o meu corpo funcionando. A própria existência dela tinha se tornado algo imprescindível para a minha sobrevivência. Era óbvio, não? O sentimento que pensei que nunca nutriria por ninguém era tão claro quanto o próprio brilho da lua que caia sobre mim agora.”
Estrelas caiam do céu negro como se fossem gotas da chuva fria do inverno. O silêncio ao redor era tão nítido que os simples passos daquele homem pareciam ser a única coisa que existia ali. Sua capa negra que cobria praticamente todo o seu corpo se movia acompanhando os seus movimentos. O sangue do corte do braço ainda aberto deslizava pela manga negra. Os corpos já sem vida jaziam espalhados pelo chão naquela área nas mais diversas posições possíveis dando ao cenário um ar macabro e deprimente. No entanto, nada afetava ou incomodava aquele homem que prosseguia com o seu caminho em passos calculados. Ele tinha salvado o mundo, apesar da quantidade de vidas perdidas, porém, para ele, este mesmo mundo havia acabado no instante em que ela havia parado de respirar. O pálido corpo da jovem de cabelos longos e prateados estava inerte entre os seus braços. O que o mais machucava era o frio que sentia do contado entre as suas peles. No momento em que não aguentou mais ficar de pé, Hei caiu de joelhos de cabeça baixa enquanto abraçava o corpo de Yin para mais perto de si. Lágrimas salgadas e frias desciam pelo seu rosto e acabavam caindo sobre a face dela. Ele gritou soltando todos os sentimentos que tentava inutilmente guardar dentro de si. O som que saiu de seus lábios era uma mistura de raiva, frustração, insanidade e perda. Gritava o nome dela como se tivesse a esperança de que se fizesse aquilo ela abriria os olhos e voltaria para ele. De que ela não o abandonaria naquele mundo que já não significava nada para ele. De novo, perdeu alguém que significava tudo. De novo, não pode fazer nada para salvá-la. Ao realizar o desejo de Yin, Hei destruiu qualquer chance de realizar o seu e isso o corroeria pelo resto da sua vida até que a insanidade levaria a sua razão e tudo que o fazia ser quem era.
Hei acordou em sobre salto suando frio, com a respiração descontrolada e o coração batendo rápido contra o seu peito. Suspirou aliviado caindo de volta para o colchão com o braço sobre os olhos. Era só um sonho. Um sonho que o vinha assombrando desde o dia em que se separa de Yin. Não poderia dizer que já havia se acostumado com ele porque toda vez que começava a se esquecer do sonho, ele voltava a tirar as suas noites de sono. Queria logo acabar com tudo o que estava fazendo para voltar correndo para casa. Voltar para os braços dela e finalmente se livrar de todo esse peso que o atormentava a noite. O moreno se sentou passando os dedos pelos cabelos colocando-os para trás. Ao se levantar, caminhou até o banheiro e usou a água da torneira para molhar o rosto. Ao se olhar no espelho rachado notou que havia alguém na porta do banheiro atrás de si.
Ti piace la storia?
Crea il tuo account gratuito in 15 secondi per sbloccare i capitoli successivi e riprendere da dove avevi interrotto su qualsiasi dispositivo.

