Ellen era uma menina de 6 anos que, como toda criança em uma escola nova, acaba se sentindo mais perdida do que cego em tiroteio. Seu pai havia sumido antes dela nascer e há 2 meses ela havia se mudado com a mãe para New York. Sua mãe a matriculou em uma escola nova, com alunos novos, professores novos e amigos que ela ainda teria que fazer. Nada traumático se ela não fosse uma menina desajeitada que era tímida até com o cachorro.
Em seu primeiro dia de aula, Ellen já teve que enfrentar uma cena desastrosa. Deixou seus livros caírem no chão quando tentava abrir seu armário.
- oh, droga! – ela bufou.
- você não deve falar isso. – uma voz surgiu atrás dela. Era um menino de aparentemente 7 anos.
- isso o quê?
- droga. É feio dizer. Meu pai me ensinou.
Mesmo achando o menino muito intrometido, não pôde deixar de reparar que ele era bem bonitinho e parecia ser legal.
- me deixe ajudar você. – ele se abaixou e pegou os livros pra ela. – muito prazer, meu nome é Thomas.
- prazer, eu me chamo Ellen.
Logo eles descobriram que faziam aulas juntos e em seu primeiro dia, Ellen conseguiu arrumar um amigo.
A amizade dos dois foi crescendo a cada dia e logo eles eram melhores amigos em tudo. Nunca passavam 1 dia sequer longe um do outro. Onde estava Ellen, Thomas também estava. Eles eram mais do que irmãos. E menos do que namorados.
Dois anos depois, Lee, como ele a chama, e Tom, como ela o chamava, saíram da escola em direção a casa dela quando perceberam uma movimentação estranha na rua.
- o que ta acontecendo, Tom?
- não sei. Eu vou lá, fique aqui ok?
- ok.
Tom deixou Lee parada na esquina e foi até onde estavam as ambulâncias. Lee estava nervosa, ela pressentia que algo muito ruim havia acontecido. E pior, com sua mãe. Desde que nasceu, ela e sua mãe possuíam uma conexão muito forte. Quando uma estava em apuros, a outra pressentia.
Não demorou muito e Tom voltou com uma cara de susto. Ele abraçou Lee e depois segurou sua mão.
- o que foi, Tom? O que ta acontecendo?
- vamos. Eles pediram para te levar até lá.
- eles, quem??
- o pessoal da ambulância. Estão levando sua mãe pro hospital.
Tom levou Lee até onde a ambulância estava. Como Tom era vizinho de Lee, ele foi correndo avisar sua mãe do que tinha acontecido. Amy, mãe de Thomas, conversou com alguns paramédicos e eles pediram que ela levasse Ellen até o hospital, pois o estado da mãe dela era bem grave.
- tia Amy, o que aconteceu com minha mãe? – Lee dizia choramingando sendo abraçada por Tom no banco de trás do carro.
- minha querida, parece que sua mãe estava cozinhando e se distraiu. O gás da cozinha vazou e ela acabou se sufocando.
- e ela vai ficar bem?
- eu não sei querida, mas vamos rezar para que fique, ok?
Lee chorava baixinho e Tom a consolava. No hospital, Amy deixou as crianças na sala de espera e entrou em outra sala para conversar com um médico. Quinze minutos depois ela voltou e parecia muito triste.
- Ellen, sua mãe quer ver você.
- eu quero vê-la também.
- Thomas, meu filho, ela também quer ver você.
Amy era grande amiga de Jane, mãe de Ellen. Desde que os dois amigos se conheceram, há 2 anos, suas mães se tornaram amigas inseparáveis.
Acompanhando as duas crianças, Amy entrou no quarto onde sua amiga estava deitada respirando por aparelhos.
Lee correu para os braços da mãe, que fazia força para se manter alerta e viva.
- mamãe!!
- oh, minha filhinha. – Jane tirou a máscara e respirava com dificuldade.
- Jane, não fale muito. Você precisa descansar. – Amy disse.
- eu só... só preciso pedir um favor a vocês dois. – ela disse olhando para Amy e Thomas.
- o que a senhora pedir. – Tom disse do outro lado da cama.
- eu preciso que... – ela tomou um novo fôlego antes de recomeçar a falar. – preciso que você Amy, me prometa que irá cuidar bem da minha filha.
- ah, minha amiga, não fale assim. Você vai ficar bem.
- infelizmente, eu não vou. – ela disse com lágrimas nos olhos e Lee voltou a chorar.
- tia, minha mãe ta certa. A senhora vai ficar bem. – Tom dizia também com lágrimas.
- Thomas, meu querido, cuide bem da minha filha por mim, ok? Prometa-me que irá cuidar dela... pra sempre, sim?
- mamãe, a senhora não vai me deixar. Por favor... – Lee segurava o braço da mãe com força.
- querida, você precisa ser forte agora. A tia Amy vai cuidar de você, ok? – e olhando pra Amy e Tom, ela continuou. – prometam-me... por favor.
- nós prometemos, Jane. – Amy disse muito abalada.
- eu prometo, tia Jane. – Tom choramingou e passou para o lado de Lee.
- obrigada aos dois. – Jane sorriu triste, os olhos se perdendo no vazio.
- mamãe...
- não chore, minha pequena. A mamãe vai sempre te amar. – ela disse fechando os olhos.
- mamãe...
E então ela se foi.
Lee chorava muito e Amy a tirou do quarto quando enfermeiros entravam às pressas. Amy levou o filho e agora, sua filha ‘emprestada’, para a sua casa. Tom passou o dia consolando a amiga, tentando alegrá-la mesmo se sentindo do mesmo jeito que ela. Jane era como uma mãe para Tom, assim como sua mãe gostava tanto de Lee. A morte de Jane foi sem dúvida, a coisa mais triste pelo que os dois tiveram que passar na infância.
O enterro de Jane foi bem triste. Lee se recusava a falar muito sobre a morte de mãe e sempre que precisava chorar, Tom estava ao seu lado fazendo de tudo para que ela voltasse a sorrir. Foi por ele que ela decidiu superar a tristeza e voltar a ser uma criança feliz.
Na escola, Tom e Lee se tornaram inseparáveis. Andavam de mãos dadas, se abraçavam a todo instante, mas nunca passavam disso. Era uma amizade linda, onde cada um sabia o mais secreto segredo do outro. Lee passou a morar na casa de Tom durante esses anos e os dois se tratavam como verdadeiros irmãos.
Personagens: (Ao longo da história irei postando novos personagens)
