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Capitolo 14 min di lettura

Elevador

Era apenas mais um dia de trabalho. Saí de casa um tanto quanto apressado. Ansiava pelo instante que o veria chegando. Não era um stalker, longe disso, eu era mais um admirador antes de tudo. O que me deixava deveras encantado era o seu jeito educado e gentil de tratar as coisas. Ele não me olhava torto ou atravessado. Ele me tratava como uma pessoa igual a ele.

Temia chegar atrasado. Eu queria tanto vê-lo. Mesmo que não fôssemos tão chegados, vê-lo no início de todas as manhãs de trabalho me deixava muito feliz. Sentia-me, inclusive, animado para enfrentar os olhares hostis dos meus colegas de setor.

Assim que cheguei, vi-o esperando o elevador. Meu caminho era o mesmo, mas eu o considerava tão perfeito que não ousava sequer pegar o mesmo elevador que ele. Tentei discretamente ir pelas escadas, mas fui surpreendido por ele que, de repente, percebera que eu estava ali. Não quis parecer esquisito ou que sentisse algo contra ele. Então, respirei fundo e me dirigi ao elevador.

– Ohayou gozaimasu. — disse um pouco nervoso, acho que era a primeira vez que nos falávamos.

– Ohayou. — respondeu-me educadamente.

O elevador tardava a chegar. Eu estava nervoso demais e temia que ele iniciasse um diálogo comigo. Era óbvio que imaginava isso acontecendo várias vezes, mas apenas em pensamentos e em devaneios.

– Você acredita que quase não vinha trabalhar hoje? Droga de vida!

Senti-me atordoado ao ouvir aquelas palavras... Um pânico tomou-me de súbito. Ele odiava aquele trabalho? Se um dia se aborrecesse iria embora e eu nunca mais o veria? Comecei a suar frio. Segundos pareciam uma eternidade. Ele falava aquilo sem esperar uma resposta minha. Mas eu necessitava de uma certeza, de uma tranquilidade, ele poderia deixar aquele emprego?

– Onegai, Takahashi-san, não diga isso!

Soltei aquele apelo, de repente. Estava surpreso com a minha falta de controle.

Takahashi-san sorriu amavelmente. Talvez estivesse achando que eu era um baka. Por que um desconhecido estaria gritando assim? Afinal, o que eu sabia sobre a vida dele?

Senti-me extremamente patético e envergonhado.

Finalmente, o elevador chegara. Fiquei receoso de entrar com o Takahashi-san. Não conseguia sequer olhar-lhe nos olhos.

– Não vai entrar, Motosuwa-kun?

Percebi que estava parado enquanto ele segurava o elevador para mim. Estava surpreso e ao mesmo tempo contente, ele sabia o meu nome e me tratara com tanta intimidade que me senti, pela primeira vez, acolhido por alguém.

Trabalhávamos no sétimo andar, porém em setores diferentes. Eu trabalhava na parte burocrática e administrativa do escritório e ele trabalhava na edição final da revista. Talvez ele estivesse cansado daquela correria. Estávamos às vésperas da Golden Week e ainda tínhamos muito trabalho para fazer.

– Você acha que a minha vida é perfeita, não é?

– A de ninguém é — falei de repente, sem pensar em uma resposta melhor.

– É verdade... pensando por esse lado, você tem razão, Motosuwa-kun. Talvez eu esteja sendo egocêntrico demais...

– Não! — gritei repentinamente. A ideia de ele ser imperfeito me ofendia. — Você deve se sentir grato. A vida é difícil pra todo mundo. Sentir-se triste e pesaroso é normal, mas não podemos deixar que isso se torne mais importante. Ganbatte!

– Arigatou, Motosuwa-kun. — disse isso e sorriu-me. O sorriso mais doce que já vi. Senti meu coração acelerado. Ele estava tão próximo, tinha-o tão perto que poderia abraçá-lo ali mesmo. Só de imaginar, sentia um gozo de contentamento. O fato de saber que ele não me odiava, foi a maior alegria que eu poderia ter.

– Douitashimashite...

Senti-me corar imediatamente. Ele estava grato a mim. Aquilo fora maravilhoso. Não conseguia evitar ou esconder a minha alegria.

– Do que estás rindo? Compartilha comigo, temos tempo ainda. — disse e parou o elevador no quinto andar.

Gelei de surpresa. O que estava acontecendo?

– Sempre percebi que você me observava de longe, Motosuwa-kun. Doushite?

Ele segurou-me pelas mãos, aproximando-se cada vez mais de mim. Praticamente, ele estava me encurralando contra a parede do elevador. Ele insistia na pergunta, "doushite", "doushite"... Eu estava nervoso, acuado... Ele insistia, insistia... até que não pude esconder, gritei-lhe a resposta:

– Aishiteru!

Ele riu. Parecia mais feliz do que nunca. Senti sua mão acariciar o meu rosto, a segurar a minha nuca e a puxar levemente os meus cabelos:

– Eu sempre soube disso, Motosuwa-kun.

E então, beijou-me. Era uma sensação maravilhosa. Seus lábios nos meus, sua língua na minha. A pressão do seu corpo contra o meu. Senti que estava tão excitado quanto eu. Poderíamos fazer ali, naquela hora e lugar. Mas ele recuou, meio transtornado... Ele parecia assustado, como que não acreditando no que fizera. Olhou-me e tentou sorrir... Meu coração estava aos frangalhos. Antes de sairmos do elevador, ele me dissera que era casado.

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