The Wolf's Redemption
The Wolf's Redemption
Capitolo 13 min di lettura

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É impressionante como após 133 anos ainda posso sentir o cheiro das flores de minha vila. Zarr’k. Este é o nome de meu lar. Repleta de árvores com altas copas, cachoeiras afiadas que cortam, cruzam, abrem caminhos. O lugar mais belo que meus olhos já se puseram a ver. E olha que já vi muitos lugares. Suas pessoas também são as melhores, mais acolhedoras e amistosas. Queria nunca ter saído de lá, ter ficado e lutado, lado a lado com todos os outros bravos guerreiros, mas não foi de minha escolha. O ódio me guiou.

Lembro-me como se fosse ontem. Aconteceu no dia do meu décimo sétimo aniversário. Aquele dia jamais sairá de minha memória. Clair havia idealizado minha festa a um bom tempo, convidou cada um de meus amigos, chamou cada um de meus parceiros de treinamento e até Kalfimor, meu mestre espadachim. Como eu a amava.

- Pare! Identifique-se! – Bradou uma sentinela ao alto da torre de vigia que fica sobre os portões do vilarejo.

Apesar de todo este tempo, Zarr’k manteve-se constante como o centro dos ataques da Bruxa Fanala. Ela foi uma bela princesa antes de ser corrompida pelo mal. Seus hipnotizantes olhos lilás matavam qualquer um que os via, ou quase. Ali se encontra a única jazida de Eternium de todo o continente. A partir dele temos a liga mais resistente conhecida pelos homens. O que o difere dos outros materiais é sua dureza altíssima e sua rigidez, praticamente impossível de se quebrar. Sua aparência esverdeada lembra-me os olhos de Clair. Muitas vezes algozes mandados pela maldita bruxa invadiram a vila e fizeram as cachoeiras se tornarem rubras de sangue. Sempre por causa do raro minério. Surpreende-me até onde vai à ganância dos homens. Porém preocupação do rei Thaon é entendível, ainda não sabem que saímos vitoriosos.

- Yfrigsir Ulfsark, trago boas notícias! – Retruquei

Apesar de tentar manter meus pensamentos distantes, olhar para os portões surrados e velhos me incomodou. Faltando apenas alguns passos até ter a confirmação de como estaria minha bela residência eu me perdia nessa dúvida.

Com todos ao meu redor, Clair segurou minhas mãos. Pude, mais uma vez, olhar para aquele rosto angelical. Sua pele alva como a neve, seus olhos verdes profundos, seus lábios delicados, seus fios dourados. Tudo estava lindo até que a bruxa decidiu atacar mais uma vez. Minha marca de nascença doía um pouco, mas não fazia a menor ideia de que era um sinal de alerta.

- Não pode ser – Sussurrou o guarda, quase não pude ouvi-lo.

Minha família descende diretamente dos lobos. Somos os Ulfsarks. Em uma lenda local, os mais valorosos pertencentes a essa linhagem teriam a capacidade de se tornarem seus antepassados. No meu caso a coragem e o amor me transformaram. Fizeram-me uivar, de raiva e de dor. Talvez os piores sentimentos a se ouvir.

O chão tremeu quando os portões foram arrastados. Lembranças me tomaram naquele instante. Eu já havia sentido aquele tremor. As imagens do grande Troll atropelando tudo o que estava em sua frente fisgaram meu coração. Bateu, soltou e levou. Aquele maldito arrancou-a de minhas mãos e a vida de sua dona. Como uma marionete, o corpo foi destroçado enquanto seguia, e nada além de vermelho apareceu, foi tudo que eu vi.

Foi a primeira vez que senti meus instintos primais aflorarem. Vendeta. Era tudo o que passava em minha mente. Fazer com que aquele carrasco verde se tornasse vermelho, cor de vísceras. Fragmentar cada pedaço daquele corpo gigante. Fazer com que a queda fosse, no mínimo, colossal.

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