A menina acordara sabendo, logo naquele dia, estaria acabada. Estava certa. A sentença do rei saíra a alguns minutos, e havia sido bem clara “Você, Celaena Sardothien, está condenada a nove vidas de trabalhos forçados nas Minas de Sal de Endovier”. Seria certo que tudo já estivesse preparado para sua partida, alias a sentença do rei parecera bem planejada, mas os guardas andavam de um lado para o outro, carregando de suprimentos a carruagem em que seria transportada. Talvez estivessem fazendo isso para brincar com ela, deixando-a ainda mais apreensiva.
Seus grilhões haviam sido trocados — acorrentaram os braços um ao outro, deixando o espaço de uma mão, provavelmente para acorrentá-la a carruagem, na extremidade encontrava-se pesos de ferro, o mesmo se podia ver em suas pernas – de certo, acorrentaram-na para a segurança dos guardas, malditos tolos, essa era Celaena Sardothien, ninguém estaria seguro em sua presença. A não ser, é claro, se estivesse morta.
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Passado algum tempo, doparam-na e a conduziram até a carruagem de prisão. Após acordar, percebeu que estava em movimento, só podia estar dentro da carruagem, que era muito escura por dentro, e havia uma pequena janela com barras de ferro ao seu lado esquerdo. Levou alguns minutos para a visão se adaptar, logo percebeu que tinha companhia, estava encarando três guardas corpulentos e visivelmente armados.
Decidiu olhar pela janela, estavam passando por sua antiga casa, a Fortaleza dos Assassinos, onde conhecera Sam, e provavelmente seu corpo ainda esperava para ser enterrado por ela. Tinha falhado consigo mesma, e pior ainda, falhado com Sam, não só uma, mas duas vezes.
Logo a frente, semiescondidos por alguns telhados, encontravam-se duas figuras, uma Celaena reconheceu, era seu antigo mestre. Era Arobynn. Ele estava ali por ela. Talvez estivesse planejando solta-la. Se sentiu aliviada por vê-lo, sua presença ali era sinal que a tinha perdoado.
Para sua total descrença, Celaena reconheceu a segunda figura, era Farran. A traição de Arobynn a atingiu como cortes de laminas em todo o corpo e na alma. Ao se lembrar de como seu antigo mestre a contatou sobre a morte de Sam, sentiu uma grande vontade de vomitar. Essa era a gota d’agua. Precisava encontrar um jeito de fugir dali. Não se permitiria falhar com Sam novamente.
— Estou com muita sede – disse a assassina, tentou parecer frágil e inofensiva – podem me arrumar um pouco de água?
Os três guardas se entreolharam por um momento, estavam cogitando se seria sábio atender ao pedido da menina. Depois de vários minutos houve um aceno de cabeça, aquele parecia ser o responsável pelos outros, então os outros dois se levantaram para ir até ela. Um ficou em pé encarando-a, enquanto o outro se abaixou para entregar-lhe o cantil. Ela bebeu da água, pois estava realmente com sede, fingiu se engasgar para que o outro guarda se aproximasse e então atacou.
Achou que seria difícil atacar os guardas, mas com um movimento dos braços acertou os dois pesos dos grilhões na cabeça de cada um, que facilmente desmaiaram.
— O que você fez? – perguntou o terceiro guarda incrédulo, enquanto se aproximava.
— Pode ficar tranquilo – respondeu a assassina se levantando – eu só os desmaiei.
O guarda veio furioso para cima dela, estava brandindo duas espadas, em desvantagem a menina acabou sofrendo alguns cortes. Nada muito preocupante. Mesmo presa, conseguiu usar os grilhões ao seu favor, em um instante de medo o guarda parou de atacar, foi o momento perfeito para a menina, que passou os braços em volta do pescoço do mesmo e o desmaiou.

