Sweet Child O Mine
Sweet Child O Mine
Capitolo 15 min di lettura

Doce Criança

-O senhor já se apaixonou,padre D.?

Foi com essas palavras que Suzannah o lembrou de uma garota que há muito ele lutava para esquecer.

E foi por isso,que no segundo seguinte,apenas um som baixo e débil saiu de sua boca.

-Hã....

Dominic sentiu ânsia de fumar.Era um péssimo hábito,principalmente vindo de um padre com mais de sessenta anos.Mas ele não gostava de lembrar de coisas antigas.Não de coisas antigas que o frustraram tanto e que – piegas mas verdadeiro – partiram seu coração.

Mas não dava para mentir,não quando Suzannah erguia os interrogativos olhos verdes,curiosíssima.Ele gostava da garota,como gostaria de uma sobrinha,afilhada,ou talvez até mesmo de uma filha,por mais que não parecesse as vezes.Dominic precisava colocar juízo na cabeça dela;era fundamental.

-Houve uma jovem,acho – soltou,desistindo de achar cigarros.Era inútil;ele não colocava um na boca há muito – Há muito tempo.

Não achava.Algo dentro dele tinha certeza.

–O senhor conheceu ela antes de...é...ser ordenado,ou sei lá como chamam isso?Ou depois.

–Antes,claro! – exclamou,chocado.Suzannah não podia estar insinuando que ele...ah,deixa pra lá – Pelo amor de Deus,Suzannah!

–Eu só estava pensando.Quero dizer,a gente não precisa falar nisso,se o senhor não quiser.Ela era...

Somente a educação e a maturidade de Dominic impediram que ele desse um berro dizendo : “Então não quero falar sobre isso”.No fim,preferiu tentar acabar com o assunto:

–Eu tinha a sua idade.Estava no segundo grau,como você.Ela era um pouco mais nova.Foi... – doloroso? Isso ele não iria falar – Bem... nunca teria dado certo.

–Eu sei.Ela era um fantasma,certo?

Infelizmente.

E falando em fantasmas,lá vinha um.

–Ah,olha – disse Dominic,aliviado – Aí vem o Jesse.

Dominic nunca sentiu tanta felicidade em ver o jovem rapaz.Talvez não tão jovem,levando em conta que tinha nascido lá pra 1830,mas jovem porque morreu ainda tendo muito o que viver.Mas isso não era a questão principal.

A questão principal talvez fosse,o porquê de esse alívio de não ter que tocar naquele assunto.Décadas e décadas haviam se passado,mas falar de um amor perdido não era fácil para Dominic.Ele tinha certo receio de que a dor de Suzannah ao perder Jesse – porque ele teria que ir um dia – fosse tão grande como a dele ao perder Violet.

É,era esse o nome dela.Violet.

Era a garota mais bonita da cidade.Ou,o fantasma da garota mais bonita da cidade.Tinha morrido em um incêndio trágico,que devastara boa parte da propriedade em que morava.Ela só tinha catorze anos,uma vida toda para ser vivida e precisava de ajuda para poder seguir em frente.E como Dominic poderia não ajuda-la? Era seu trabalho,seu dom especial,algo que ele jurava que nunca iria arrepender de possuir.

Mas se arrependeu no instante em que a viu.Ele já sabia como ela era;todos sabiam.Porém,havia algo mais,algo que talvez fizesse toda a diferença,e que ele não demorou para notar.

Violet tinha um sorriso que o fazia lembrar todas aquelas memórias de infância,quando tudo era mais fácil.Tinha o rosto que o fazia perder completamente o controle,fazendo o olhar vagar por cada um dos traços firmes,porém suaves.E os olhos dela... Os olhos dela eram de um azul-claro como o céu,com traços acinzentados como se esperassem chuva.Ou,nos casos mais comuns,lágrimas.Seu cabelo era um lugar quente e seguro,com todas aquelas ondas castanhas sobre o vestido com a barra queimada. Ele não poderia parar de citar tudo o que a tornava especial.Ela era maravilhosa ,gentil,delicada,meiga.

E ele era um garoto que estava irrevogavelmente apaixonado.

Qualquer idiota perceberia isso,só de olhar para ele.Mas nunca poderiam adivinhar.Ele estava apaixonado por uma garota morta.Aquela que nos últimos anos deixara vários garotos abobados;vários adultos admirados. A doce garotinha que o conquistara tão intensamente mas que não poderia ficar junto dele; que ele deveria ajudar e abandonar quando chegasse a hora.

Foi exatamente o que Dominic fez.

Ao longo de todos aqueles meses de convivência,Violet tinha deixado tão claro sua gratidão pela ajuda do mediador,que ele quase ficava feliz em ajuda-la.Quase.Porque quando ela acabou indo embora,rápido demais,a dor chegou próximo do insuportável.

Seria drama excessivo dizer que tinha sido como se arrancassem seu coração e obrigassem a começar sua vida do zero.Seria poético demais dizer que não havia mais vida.Porque havia.Havia vida,havia todas aquelas coisas que ele gostava de fazer,havia sua família.Mas havia também uma dor.Suportável,mas tão intensa que o obrigava a chorar e sofrer em um canto,mesmo que isso não fosse adiantar em nada.E havia também a saudade daquela menina.

De certa forma,Dominic resistiu.Ele vivera,certo? Terminara os estudos, tornara-se padre. Mas faltava tanta coisa,mesmo que faltasse só ela. Violet era o complemento que ele nunca percebera que precisava,mas precisava. E não tinha sentido olhar para outra pessoa,mesmo que amores adolescentes sejam facilmente curados quando tentamos nos esquecer deles. Aquele não era um amor adolescente;era o único amor verdadeiro que ele poderia ter,e ele continuara amando-a através dos anos. Com sua alma,suas memórias,por inteiro.

Por mais doloroso que fosse.

Quando tudo na praia tinha se resolvido,ele passou no cemitério. A conversa com Suzannah,mesmo que ela não tivesse feito de propósito, desencadeara tantas lembranças que Dominic precisava ficar sozinho e pensar. E um lugar dedicado a ela parecia perfeitamente certo.

Chegou em frente a lápide,passando os olhos pelas inscrições:



“Para sempre no coração de quem te amou”

“Violet Rosario McLean”

04/07/1937

08/09/1951

Estendeu os dedos,já meio frágeis pela idade,e acompanhou o contorno das letras com os dedos. Ela estaria sempre em seu coração.

Sua doce criança.



Commenti & Reazioni

Condividi i tuoi pensieri, applica timbri collezionabili e interagisci con l'autore e la community.

Hai raggiunto l'ultimo capitolo disponibileTorna alla storia
Indice della Storia