O som da coruja parecia até um canto sobre a noite, comparado ao gato preto que miava a imensa lua cheia. As lápides velhas e rachadas cheias de teias de aranha, com as flores já ressecadas e podres, um corpo era prensado sobre um muro com folhas secas que cobria o chão, com o leve ruído que foi ouvido com os pés da garota que pisou sobre elas, o rapaz de cabelos longos castanhos escuros selou um beijo nos lábios da moça.
Os olhos vermelhos dele lhe fitavam com bastante luxúria, levou uma das mãos acariciando o rosto dela, percorrendo até o pescoço juntamente com os lábios até as presas fincarem na pele de seu pescoço. O sangue carmesim que escorria pelas feridas feita pelas presas, foi contido pela língua que passeava saboreando o sangue adocicado ao paladar do rapaz.
A escuridão tomou conta dos olhos bicolores, que se fechavam fitando apenas a aquela pessoa que sorria, até adormecer completamente.
–Dimitry. –Madalena murmurou até abrir os olhos, a maciez havia tomado conta do desconforto daquele muro de pedra, estava deitada sobre a cama de seu quarto. Tocou aos próprios lábios como se aquele beijo tivesse sido real.
Levantou-se, estava apenas de blusa e calcinha, ambas brancas. Os cabelos brancos estavam bagunçados e os olhos inchados por causa do sono, fitou-se no espelho mal conseguia abrir os olhos, o da direta de cor verde e o da esquerda de cor dourada. A água da torneira caia por suas mãos que foram levadas ao rosto o lavando, até retirar totalmente a cara de sono, Madalena conseguia ver melhor... Até demais, pois em seu pescoço havia dois furos, como se fossem sulcos.
–Impossível. –Arregalou ao olhos fitando a “recente” ferida.
Sentia arder e coçar, como se fosse feito muito recentemente, seria mesmo um sonho?Ou seria mais do que isso?
Madalena retirou as suas roupas jogando-as no cesto de roupa suja, ligou o chuveiro entrando debaixo dele, fechando a porta do Box. Fechou aos olhos relaxando, deixando a água quente cair sobre seu corpo, lavando a qualquer traço de sujeira sobre sua pele. Era muito relaxante e gostoso, como as mãos que imaginava percorrer por seu corpo, as mãos masculinas passeavam até chegar aos seios delicados e pequenos, apertando-os de leve. Se imaginando com o rapaz de seu sonho que não se deu conta que era ela mesmo quem estava fazendo isso, recostou-se sobre a parede do Box levando dois dos dedos a boca, com os olhos fechado imaginava chupando os dedos do homem que ela chamava “Dimitry”.
A outra mão foi levada até a intimidade, acariciando ali e emitindo gemidos baixos e abafado pelos próprios dedos em sua boca, os dedos da outra mão adentraram a sua vagina fazendo movimentos de vai e vem.
–Ahn... Dimitry ahnn... –Gemeu baixo sussurrando o nome que não saia de sua mente, nem de seu coração ao que parecia.
Continuava a se masturbar daquela maneira tão, intensa. Mal conseguia se manter de pé, arqueando a cabeça pra trás deixando um gemido mais alto e sonoro escapar de seus lábios, os dedos ficaram molhados não pela água e sim pelo líquido da garota, havia gozado. A água lavava os dedos melados. Balançou a cabeça negativamente com os olhos fechados fortemente voltando a se lavar. Terminou seu banho se enrolando na toalha e indo pro seu quarto.
–Maddy. –Lysandre entrava no quarto da irmã, este tinha pele branca, cabelos brancos e olhos também bicolores, o direito dourado e o esquerdo verde. Trajava um sobretudo preto e branco, calça cinza e botas, uma gravata verde por cima da camisa social branca que ficava embaixo do sobretudo, fazendo parecer um estilo vitoriano. –Você ainda não está pronta?
–Estou quase pronta. –A garota botava uma saia preta de pregas, combinado com a blusa preta com algumas estampas xadrez vermelha, meia calça preta e botas.
–A mãe teve que sair mais cedo pra fazer compras, mas deixou o café da manhã.
–Okay.
Após se aprontar, Madalena pegou uma torrada com geléia saindo porta a fora, pondo a mochila nas costas desceu o elevador. Fitando ao ferida no espelho, tentando disfarçar, pois não havia contado a Lysandre sobre aquilo e nem sobre o sonho que teve. Saiu do elevador caminhando até fora do prédio, o sol brilhava no céu e o céu estava azul sem nuvens, a gostosa brisa dava um ar mais fresco. Um tempo tão agradável, tão agressivo pra Madalena que deu um grito de dor caindo no chão, o sol estava fazendo mal a ela.
–Maddy. –Lysandre socorreu a irmã que rastejava tentando voltar, leve fumaça saia sobre sua pele como se estivesse se queimando, tirou seu sobretudo o pondo sobre ela ajudando-a se levantar e levando pra dentro do prédio até manter ela segura. Longe do Sol.
Os dois entraram no apartamento, Madalena foi posta sobre sua cama.
–Agora me conte, o que foi aquilo?-O rapaz pediu.
–Deve ter sido um mal estar. –Pôs a mão sobre a testa se virando pro outro lado, escondendo os sulcos apoiando a cabeça sobre o travesseiro. –Eu preciso descansar um pouco só isso.
–Tudo bem, eu vou pra escola agora. –Se levantou. –Vai ficar bem sozinha?
–Sim eu vou. –A garota respondeu sem se virar. –Ah Lysandre, deixe as cortinas fechadas.
–Está bem.
O rapaz saiu do quarto da irmã deixando-a sozinha. O sonho veio rapidamente pesando sobre seus olhos, fechando aos poucos até adormecer completamente.
A noite havia chegado mais depressa, Madalena abriu aos seus olhos se sentando na cama, espreguiçou. Sentia-se renovada, nova em folha.
–Esse cochilo foi bom. –Se levantou da cama abrindo a janela, o frescor da noite lhe fazia bem.
–Vejo que já se sente melhor. –Lysandre entrou no quarto.
–É, como eu disse devia ter sido só um mal estar. –Respondeu. –Ah, você pegou meu trabalho
–Não, era pra pegar?
–Lysandre eu vou...
–Espera aí eu esqueci tá... Err... –Arregalou os olhos, recuando aos poucos. –Você tá zangada né?
–Corre. –Andava em direção ao irmão. –Corre agora porque se eu te pegar eu vou...
–Fui. –Saiu correndo entrando em seu quarto batendo a porta.
–Idiota. –Madalena suspirou. –E agora?Vou ter que eu mesma ir buscar. Mas, está de noite. –Questionava a si mesma. –O que eu to pensando, foda-se que está de noite, é melhor resolver isso de uma vez.
Madalena saiu do prédio, caminhando pelas ruas curtindo a rua noturna que estava bastante movimentada por adolescentes. Estava renovada e a noite lhe fazia bem, sentia uma sensação gostosa só de poder sair daquele prédio sabendo que teria que voltar em pouco tempo, a escola não levava 10 minutos dali.
O caminho pra Sweet Amoris passava por um cemitério perto dali, um cemitério cheio de ruínas, se perguntava se devia entrar lá, parte do seu subconsciente dizia não, mas outra parte dizia sim e essa parte falava mais alto e com mais curiosidade a garota entrou.
Novamente se encontrava naquele cemitério, aquele cenário velho e abandonado lhe causava um leve arrepio na espinha, ou talvez pelos ventos que eram trazidos e o barulho dos carvalhos eram ouvidos e o som de uma coruja levou o olhar de Madalena até em cima de uma das árvores a fitando.
–Eu sabia que não iria me deixar. –Uma voz masculina surgiu.
–Dimitri?-Se virou para o rapaz atrás dela, ele possuía cabelos longos castanho escuro, pele branca e olhos vermelhos. Usava um sobretudo marrom de veludo com bordados dourados, colete ocre, calça bege escura listrada e botas, um cinto preto com fivela dourada e uma pedra vermelha cravada no meio, pedaço de tecido vermelho bordado estavam presos na lateral da calça, uma gravata vitoriana de babados com um broche vermelho no meio.
–Mary Magdalaine, meu amor.
–Calma aí, não sou Mary Magdalaine. –A de cabelos brancos recuava.
–Desculpe, é que você se parece com ela. –Aquietou-se. –Como você se chama?Você sabe meu nome, mas eu não sei o seu.
–Maria Madalena.
Dimitry arregalou os olhos, além de afirmar semelhança em Madalena com sua amada, até o nome era parecido.
–Tudo bem?
–Só me deixe sozinho. –Pediu.
–Como?Você quem me trouxe aqui. –Madalena reclamou. –Ah eu preciso te perguntar uma coisa. –Mostrou a marca das presas em seu pescoço. –Foi você não foi? –Somente o sorriso no rosto do rapaz expressava muita coisa. –É. –Confirmou. –Por quê?
–Eu tirei conclusões precipitadas achando que você era minha amada. –Dimitry respondeu. –E a transformei em vampiro.
–Tô vendo, quase torrei no Sol.
–Então as mudanças então acontecendo hein?-Deu de ombros. –Eu quero te fazer uma proposta.
–Diga. –A garota parou pra ouvi-lo.
–Fique aqui comigo nesse cemitério, viva ao meu lado para sempre. –Dimitry propôs.
–Você me mordeu agora quer que eu viva ao seu lado só porque é um gato... –Madalena tentava falar, mas a aparência de Dimitry a enfeitiçava, praticamente estava encantada por ele... Caiu em si balançando a cabeça fazendo não. –Mesmo sendo o maior gato, é arrogante e não pode fazer isso só porque é gato, charmoso, lindo, atraente... Eu disse gato?
–Não terá muitas escolhas, não será pra sempre e como ficará a escola?Sei que tem dois irmãos e uma mãe. –Perguntou. –Simplesmente chegará pra eles e falará, “mãe um vampiro me mordeu num sonho?”
–Sonho?É isso. –Madalena caiu em si. –É só um sonho, você é só um sonho.
–Uma lembrança pra falar a verdade. –O vampiro respondeu. –Tire suas próprias conclusões e veja que tudo que está acontecendo aqui é real.
–Como eu verei você de novo?-Perguntou ao rapaz.
–O anel.
–Que anel?-Madalena fitou suas mãos e não viu anel nenhum, um leve choque percorreu todo seu corpo e uma tontura começou embaçando a sua visão. A imagem do vampiro estava ficando turva e ia escurecendo aos poucos, até Madalena fechar os olhos completamente. –Dimitry... –Indagou como um sussurro antes da última imagem do rapaz desaparecer. –Dimitry. –A garota acordou no meio do corredor da escola, uma pequena luz azul brilhava no dedo de Madalena, um anel com uma pedra azul cravada no meio.
–O anel. –A voz de Dimitry ecoou na cabeça da jovem. –O anel...
Precisava tirar aquilo a limpo e faria isso já. Se dirigindo pra casa esquecendo do trabalho na escola.
–Você deixou ela ir sozinha?-A mãe de Lysandre lhe dava uma bronca.
–Ela é quem quis ir.
–Seu irresponsável.
–Pega leve com ele mãe. –Madalena entrou no prédio, mal chegando e já foi abraçada pela mãe.
–Nunca mais me dê um susto desses. –Falou abraçando a garota.
–Sim mãe. –Riu baixo. –Ah, eu queria te perguntar uma coisa. –A garota se soltou. –Eu queria saber por quê... –Suspirou. –Por que eu me chamo Maria Madalena.
–Porque é um nome bíblico e é bonito.
–Maria Madalena foi uma prostituta perdoada por Jesus. –Lysandre respondeu. –De acordo com a bíblia.
–E você lá lê Bíblia?
–Não, mas a história dela é conhecida. –O de cabelos brancos respondeu.
–Tá bom sabichão, você sabe sobre Mary Magdalaine?-Perguntou com alguma esperança que o jovem soubesse.
–Nossa avó não falava muito sobre ela, mas eu vi um retrato dela pendurado na parede. –Lysandre comentava. –Dizia que era a nossa tataravó.
–Ah sim, aquele retrato. –A mãe de Lysandre tentava pensar. –Ele era muito bonito, parecia mais um auto retrato seu.
–Então é por isso que minha avó me odeia?-Madalena arregalou os olhos. –Evita me ver porque eu pareço com ela?
–Olhando de perto vê certa semelhança sim. –O de cabelos brancos observou.
–Como se a própria Mary Magdalaine estivesse na minha frente. –A mulher comentou.
–Ah não. –Madalena saiu correndo as pressas. –É isso, ele espera sua amada até hoje.
–Maddy. –Lysandre correu atrás dela segurando seu pulso. –Aonde você vai?
–Eu preciso ir Lysandre, ele está esperando por mim. –A garota tentava se soltar.
–Ele quem?
–Dimitry, por favor... Ele precisa de mim. –Madalena conseguiu se soltar. –Ele precisa de mim.
–Maddy do que está falando?-Lysandre estranhava.
–Por favor, só confie em mim. –Pediu abraçando ao irmão, se afastando rapidamente sem olhar pra trás.
Maria Madalena se dirigiu ao cemitério, o lugar estava destruído e ao chão totalmente vazio... Mais destruído que em seu sonho.
–Você veio mesmo. –Dimitry estava sentado em cima de uma árvore, pulou parando de pé na sua frente.
A jovem praticamente pulou em cima dele, tocando os lábios dele com os seus selando um beijo, o beijo que ele havia dado em seu sonho estava retribuindo. Já era tarde demais para Madalena, os caninos haviam crescido e os olhos mudaram pra um vermelho escarlate.
–Para sempre meu amor. –Sussurrou.
O anel começou a brilhar, ela se soltou do rapaz, mas sem deixar de segurar sua mãos os dois desapareceram para o castelo que se reergueu, juntamente com o cemitério mostrado no sonho de Madalena.
Dimitry finalmente havia encontrado novamente com sua amada.

