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Capitolo 13 min di lettura

Único

Eu caminhava tranquilo pela Deputado Emílio Carlos, próximo ao Centro Cultural da Juventude. Teria uma longa caminhada até chegar em casa, mas isso não me incomodava. Era um fim de tarde, com céu bonito e tempo bom; seria uma espécie de peregrinação contemplativa de meu íntimo, e do macrocosmo à minha volta. Bem, momentos do tipo geralmente nada trazem de essencialmente digno para se contar numa estória, fora as possíveis reflexões malucas que viria a ter. Mas no caso, aconteceu. O inesperado veio correndo até mim, e sem preocupar-se com apresentações ou encontros elegantes, me envolveu em seus braços e me beijou, como se quisesse devorar-me o corpo, começando pelos lábios. Esse inesperado era uma garota, e que garota! Quando a vi correndo em minha direção, julguei que iria desviar e seguir caminho. Ela sorria, mordendo o lábio inferior e, pior que isso, olhando para mim. O que podia ter feito? Poderia ela, de longe, ter me visto e se apaixonado pelo meu caminhar desnorteado, minha fronte suada e postura irregular? Julguei que sim, e fui passível ao seu beijo faminto, doce, como nunca havia provado... Aliás, foi a primeira vez que... Enfim. Depois de sugar deliciosamente todos os meus sentidos, e parte da minha alma, ela me abraçou. Sentia seu seio pulsando contra meu peito, e seu ar ofegante em meu pescoço. Admito que fiquei inerte a tudo aquilo. Meu olhar saiu dos olhos, e os deixaram esbugalhados, perdidos no canto da calçada.

–Guilherme! Que saudades meu amor! — Ela disse, ainda abraçada a mim. Acredito que ficaria bastante tranquilo, continuando a gozar daquele momento único, se meu nome fosse, realmente, Guilherme.

– Quanta saudade... — Ela repetiu, desatando o seu aconchegante nó do meu corpo, e me fitando apaixonadamente! — Espera um pouco.... — Naquele momento, orei em silêncio, pedindo a Deus pela troca da minha identidade. Mas o mau já estava feito. — Não é você, né? Quer dizer... Você não é o Guilherme... — Ela parecia constrangida. Bastante diferente da fêmea desejante que havia me atracado, levada pelo instinto fervoroso de copula. Já eu, havia saído do meu corpo à algum tempo; e o que restava de mim, frente a ela, se esforçava ao máximo para mostrar uma inocente expressão de susto, incompreensão e medo; quando na verdade, havia adorado tudo aquilo!

– Desculpa... — Ela pediu. Aceitei tranquilamente, com a cabeça. Ela tirou as mãos dos meus ombros, e seguiu caminho. Não olhei para trás, e também segui o meu.

Quanto a peregrinação contemplativa... Foda-se. Eu fui beijado aquela tarde!


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