Cap 1.
Eu olhava os flocos de neve cairem no chão a minha frente. Sentada em minha poltrona em frente a janela, não demonstrava nenhuma expressão ao ver as crianças brincarem na neve, se divertindo com a chegada de dezembro, um mês que para a maioria das pessoas traria a realização de sonhos a união de famílias e todos os finais felizes dos filmes. Tudo besteira.
Finais felizes não existiam. Minha vida era a prova disso. Quando fui afastada da única pessoa que fazia minha vida ter sentido eu descobri que todos os contos de fadas não passavam de uma farsa da mídia hollywoodiana para fazer encher seus bolsos com o dinheiro de gente que se iludia, achando que um dia teria um final tão feliz como o dos filmes. “Bullshit”. Virei meus olhos e parei de refletir sobre essas besteiras. Fui em direção a meu armário e peguei meu suéter verde, o suéter dele. O seu cheiro continuava impregnado ali. Suspirei. Eu tinha que dar um jeito de voltar até aquela casa. Era a única maneira.
Depois de minha mãe conseguir finalmente vender a nossa antiga casa, nós nos mudamos para a casa de nossa tia Lilly, ainda na mesma cidade, até nos restabelecermos como minha mãe Vivian sempre dizia. Ela e meu pai se separaram, mas eu sabia que eles ainda tinham muitos sentimentos um pelo outro. Isso me deixava triste, pois eu sabia que por mais que eles tenham cometido erros, eram apenas humanos. E humanos erram, muito. Coloquei o suéter de Tate e desci as escadas, era a hora do jantar.
– Hey Vi, finalmente resolveu deixar aquele quarto huh? Já estava pensando que você tinha entrado em depressão. Tia Lilly dizia enquanto colocava as travessas na mesa. – Vem cá, sente-se ao lado de sua mãe. Deu leves palmadinhas na cadeira ao seu lado.
Puxei a cadeira e me sentei. — Eu não estou em depressão, eu só estou triste. E você sabe o por que mãe. Lhe dei um olhar autoexplicativo. Ela suspirou.
– Violet, você sabe que não dava mais para eu e seu pai vivermos dentro daquela casa depois de tudo que ele fez. E nós estávamos quebrados, então precisamos vender a casa, e foi melhor assim. Aquele lugar nunca fez bem para nós. Me olhou com pesar.
– Você e meu pai me dão vontade de me matar com todo esse drama. Rolei os olhos.
– Violet!! Minha tia me repreendeu.
– Mas é o que eu sinto, não dá pra mentir. Aquele lugar era o único lugar que me fez realmente feliz desde sempre.
– Ok filha, nós já discutimos sobre isso e você sabe como eu me sinto mal por você, mas não tinha outro jeito. Assim continuamos o jantar sem tocar mais nesse assunto, e eu esperei até todos terminarem de comer para fazer um pedido a Vivian.
–Mãe? Chamei.
– Sim querida? Ela parou no meio do seu caminho até a cozinha.
– Posso dormir na casa de uma amiga hoje? O nome dela é Leah, os pais dela viajaram em uma “2° lua de mel” e ela não quer ficar sozinha hoje. Desculpa perfeita.
– Claro filha, acho ótimo você ter feito pelo menos uma amiga por aqui, vá, mas qualquer coisa, me ligue, de acordo?
– Fechado. Abri meu maior sorriso, e corri escada acima. Coloquei uma roupa melhorzinha, peguei o suéter de Tate e corri em direção a saída da casa. Eu iria finalmente encontrar ele. Dois meses depois.
O caminho até a minha antiga casa não demorou muito, uns 30 minutos a pé mais ou menos. Não tinha mais noção do tempo. Quando finalmente avistei a fachada da casa meu estômago se revirou de ansiedade. Caminhei pelo gramado e tentei ser o mais invisível possível para a nova família que residia ali não pudesse me ver, olhei de relance pelas janelas e vi uma garota de mais ou menos a minha idade caminhar entre os cômodos. Ah, se Tate ousasse me trocar por ela... será que ele teria me esquecido tão rápido? Meu coração doeu só de imaginar essa possibilidade. Adentrei o porão.
– Tate? Chamei enquanto caminhava no porão escuro. Nada. Caminhei cautelosamente pelo cômodo e vi uma movimentação em um canto escuro. Era Tate... e uma mulher estava em cima dele. Gelei. Me escondi atrás de uma pilastra e fiquei observando.
– O fato de eu estar morta me deixa tão excitada. Ela passou suas pernas e se sentou no colo dele. – Vamos lá Tate, você não quer provar? Ela tentou puxá-lo para um beijo mais Tate a afastou.
– Sai de cima Hayden. ....Eu estou apaixonado. O rosto dela que mostrava um sorriso dócil e persuasivo de repente se enfureceu.
– Ah é? Pela Violet? Ela foi embora com a mãe dela seu idiota. Você nunca mais vai a ver de novo! Ela gritou em cima dele.
– Eu sei ok? Eu sei! Ele gritou de volta. – Mas se eu não ficar com ela eu não fico com mais ninguém, sabe por que Hayden? Eu amo a Violet, e somente a Violet pode me fazer feliz. Ele disse com lágrimas nos olhos, coloquei minhas mãos no rosto e escondi um soluço. Ele ainda me amava. E sofria tanto quanto eu.
Hayden gargalhou. – Mas é um idiota apaixonado mesmo, vá escrever seus poemas emo e passar a eternidade sozinho então. Ela disse e desapareceu. Não conti minhas lágrimas e comecei a soluçar audivelmente.
Tate enxugava suas lágrimas com a barra de seu casaco, mas pelo que parece ele conseguiu ouvir meus soluços e levantou seu olhar até onde eu estava. Ele me encarava como se eu fosse uma miragem e fosse desaparecer a qualquer momento. Alguma coisa dentro de mim de repente se ligou e meus músculos conseguiram se mover me deixando livre para correr pros braços de Tate. O abracei muito forte em meio a soluços e colei meu nariz em seu peito sentindo o seu cheiro, o perfume que foi feito para mim.
Tate me abraçou e sussurrava “ você voltou”, “você voltou pra mim” todo o tempo. Soltei seu corpo e encarei seus olhos – eu voltei pra você Tate. Sorri.
– Eu não consigo acreditar. Pensei que você tinha esquecido completamente da minha existência. Ele sorriu.
– E eu pensei que você tinha me trocado pela filha da nova dona da casa. Cruzei os braços e o encarei. Ele gargalhou e sorria do meu ciúmes repentino.
– Nunca, ela não curte Morrisey, Kurt Cobain, se automutila... e o mais importante. Ele se aproximou colocando suas mãos de cada lado do meu rosto. – Ela não é você. Ele disse e puxou meu rosto em direção ao seu, nossos lábios se tocaram com fome e saudade depois de tanto tempo separados. Eu agarrei o pescoço de Tate o mais forte que podia e ele segurava minha cintura com força, o que sempre me deixava louca. Logo Tate puxou minhas pernas e eu as joguei envolta de seu corpo, ele apertou minha bunda e me arrastou para outra parte daquele porão que eu ainda não conhecia. Era uma espécie de quarto em meio a tanta coisa esquisita e poeira, então era ali que ele dormia, quando não ficava no meu quarto... meus pensamentos foram interrompidos por Tate levantando minha blusa devagar por meu corpo encarando meus seios. Levantei os braços e fiquei o encarando enquanto tirava cada peça do meu corpo bem devagar, como se quisesse prolongar o momento. Quando ele terminou o seu “trabalho” o puxei pela gola do casaco e o empurrei na cama. Voltamos a nos beijar, mas dessa vez mais devagar, só matando a saudade e curtindo o nosso momento. E quando eu o senti dentro de mim novamente, foi como se Tate nunca tivesse sido afastado de mim.
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Quando eu acordei ainda estava de madrugada. Eu ainda estava nos braços de Tate. E não queria mover um dedo para longe dele.
– Eu sei que você está acordada Vi. Apoiei meu queixo em seu peito e olhei em sua direção. Ele riu. – Tão preguiçosa... encostou seu nariz no meu e me deu um selinho.
– Não quero sair daqui. Gemi. – Estou confortável demais no meu travesseiro humano. Ri. Tate me abraçou pela cintura e ficamos alguns minutos ali, sem dizer nada. Foi um paraíso por alguns minutos, e aí eu voltei a realidade.
–Tate... falei baixinho e com cautela
– Oi? Ele suspirou em meu pescoço. Me arrepiei. Me soltei de seus braços e me sentei na pequena cama. Ele me olhou com curiosidade.
– Minha mãe comprou uma casa. Falei e me preparei para terminar a frase. – Em Chicago.
Não esperei pela sua reação e despejei todas as notícias sobre ele. – Nós vamos nos mudar daqui a 3 dias.
Silêncio
– Violet... mas como.. o que a gente vai fazer? Você não pode me deixar outra vez. Eu não vou aguentar... eu não vou aguentar passar minha existência sem você ao meu lado. Ele falou transtornado e lágrimas já enchiam seus olhos. Coloquei minhas mãos em cada lado de seu rosto e o fiz olhar para mim.
– Calma Tate. O encarei. – Eu tenho um plano.
