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Capitolo 17 min di lettura

Capítulo único

Meu corpo parecia estar em queda livre. Como se meus propulsores estivessem pifados.

O céu era noturno, porém sem estrelas, só escuridão. O chão estava próximo, mas quem se importava? A queda seria violenta e talvez eu nem fosse sentir dor.

Pra quem já morreu tantas vezes, mais uma não seria nada demais.

A chuva acompanhava minha queda e se espatifavam no chão assim como seria comigo.

Então chegou.

Não senti dor. Ainda estava vivo e molhado.

Eu não respirava e então abri os olhos.

Agora eu estava a mil pés de distância da superfície do mar.

Um mar sem peixes, sem brilho, sem vida.

Apenas meu peso me levando cada vez mais para o fundo, a pressão esmagando meus ossos, mas ainda não sentia dor.

Minha morte parecia tranquila, entretanto ouvi sua voz como um eco.

“- Tony?”

Meu corpo começou a queimar e meus pulmões iriam explodir a qualquer momento. Eu me debatia e tentava subir. Eu não queria mais morrer. Eu queria estar vivo, queria chegar a superfície e voltar para casa.

Porém não havia mais tempo. Tentei chama-lo, mas minha voz não saia.

Senti minhas costelas quebrarem e uma dor aguda tomou meu corpo de uma vez.

Então eu acordei...

“Quando eu me perco é quando eu te encontro
Quando eu me solto, seus olhos me veem
Quando eu me iludo é quando eu te esqueço
Quando eu te tenho, eu me sinto tão bem”

Estava em minha cama e não sei como não acordei o Steve ao me debater sobre ela.

Steve?

Olhei para o lado e ele estava ali, dormindo exausto depois do dia corrido.

Meu coração não se acalmava, mas pelo menos pude respirar aliviado por tudo aquilo ter sido só mais um pesadelo. E um dos piores.

Sentei-me na cama e esfreguei meus olhos. Meu rosto estava molhado com lagrimas e suor... ou seria água do mar? Não importa. O quarto estava um calor infernal e não tive forças para tomar qualquer atitude que pudesse refrescar o ambiente.

Cai como uma pedra de volta na cama e torci para não acorda-lo. Eu não queria incomoda-lo de novo. Não queria preocupa-lo, muito menos tirar seu precioso sono. Afinal, era isso todo dia, quase a todo momento. Eu já não aguentava mais estragar nosso dia com minhas crises. Então preferi me calar mais uma vez.

Virei-me de costas para ele e meus olhos não focavam em nada. Estavam embaçados e deixava fugir lagrimas angustiadas que não paravam de cair e faziam meus olhos arderem.

Eu queria gritar e pedir ajuda, chama-lo, implorar para que me ajudasse e por favor Steve não desista de mim...

Tentei respirar fundo. Mas o ar não supriu o desejo dos meus pulmões e apesar do caos explodindo dentro de mim, meu corpo não tinha forças nem sequer para limpar as lagrimas escorrendo e causando cocegas insuportáveis.

Vai ficar tudo bem.

Mas não ficava. Nunca ficava bem.

O medo toma conta do meu ser e faz com que eu queira morrer ao invés de lutar e aquela bola de angustia na garganta sufoca querendo sair.

Steve... socorro...

Vire-me para ele e parecia que eu chorava ainda mais ao ve-lô. Tive que tapar minha boca para os soluços não escaparem.

Por favor...

Ameacei toca-lo. Não! Não irei envolve-lo nisso. Eu mereço sofrer e sentir medo. Tudo isso é culpa só minha e ele não merece um homem fraco como eu ao seu lado.

Eu mereço a solidão. Mas é disso que tenho tanto medo.

Tentei respirar fundo, talvez o cheiro dele fosse capaz de me acalmar. Porém lá se foi meu faro e minha cabeça começou a dor.

Seja forte, Tony. Seja forte.

Comecei a tremer. Prender o choro sempre era o início do processo mais difícil que era tentar relaxar. Deixar sair sem pensar. Ninguém quer acordar com gritos de dor e desespero.

Me abracei e mordi meu travesseiro. Aquilo ia acabar. Eu sei que vai.

A sensação de quase morte havia voltado. Só que ela não era tranquila como quando eu estava caindo, nem quando estava afundando.

Fechei meus olhos com força, o escuro era assustador, mas perder o Steve parecia bem pior.

A dor estava insuportável, eu não ia resistir, iria gritar, iria acorda-lo, precisava urgentemente dele.

E foi no exato momento em que meus lábios se abriram que senti o corpo forte me envolvendo como um cobertor e os lábios quentes encostados em meu ouvi.

— Tony, respire fundo, eu estou aqui...

“Quando eu te invado de silêncio
Você conforta a minha dor com atenção
E quando eu durmo no seu colo
Você me faz sentir de novo o que eu já não sentia mais”

Foi então que desabei. Não segurei mais o choro, os soluços, o tremor e nem mesmo a falta insuportável de ar.

Meu porto seguro estava comigo agora, então não tinha mais por que segurar. Ele tinha a opção de me abandonar, mas não, estava bem ali, cuidando de mim em um momento tão frágil.

Suas mãos tocavam meus cabelos e seus lábios sempre me dando beijos carinhosos e sussurrando palavras de conforto no meu ouvido.

Era por ele que eu não queria morrer. Era por ele que eu sempre voltaria para casa.

— Vamos enfrentar isso juntos...

Aquilo fez minha pele se arrepiar e o choro angustiante foi dando lugar aos soluços entrecortados, aos poucos silenciando meu pranto e só deixando as lagrimas involuntárias.

Apertei seus braços ao redor de mim. Não era só mais um sonho, não é?! Era o meu marido de carne, osso e o perfume que amo aqui comigo?

— Não tenha medo. – Ele me segurou pelo rosto e me encarou com aqueles lindos olhos que me amoleciam. – Estou aqui e irei te proteger.

Sorri e parei de ofegar tão alto quando engoli a enorme bola de saliva que havia se formado em minha boca. Eu havia aprendido a ler o meu Steve e sabia que aquele olhar não era de decepção ou raiva. Apesar da sonolência ele me olhava com todo o amor do mundo.

— A-amor... – Minha voz quase não saia, mas ele entendeu e me apertou novamente contra si. – E-eu...

— Shi... Jamais vou abandonar você. — Como amo as mãos dele afagando meu cabelo. – Está protegido agora.

Eu não sentia mais aquele calor insuportável. Pelo contrário, agora era o calor dele que me aquecia de forma acolhedora.

Consegui fechar os olhos. Não estava tendo mais visões e lembranças ruins. Só aqueles olhos azuis cheios de doçura me vinham a mente.

Ele estava sonolento, mas seus dedos não paravam de me fazer carinho e aquilo foi me acalmando, mais e melhor do que qualquer tarja preta que me derrubava.

Meu corpo foi amolecendo, meus olhos estavam pesados. Eu estava quase dormindo enquanto meu salvador permanecia fortemente acordado para me proteger. Me senti egoísta ao mesmo que enfim em paz... pelo menos em paz por aquela noite.

O medo de perde-lo, de ver ele me deixar, ainda prevalecia mesmo quando a crise ia embora. E eu nunca tive medo de perder ninguém antes.

Aquilo não importava agora. Ele estava cuidando de mim, não me aturando como eu temia.

Eu estava apagando. Minha mente ficava turva novamente e a última coisa que ouvi antes de dormir de vez foi “eu te amo, Tony”.

“Você me faz tão bem...”

Meu corpo parecia estar em queda livre mais uma vez. Porém agora o céu estava estrelado, eu podia ver a cidade ao longe. Meus propulsores voltaram a funcionar e eu pousei em segurança na beira da praia onde o Capitão América me esperava sem a máscara e um lindo sorriso no rosto.

— Você deveria parar de brincar com coisas sérias, Tony. Desligar seus propulsores de proposito pode ser perigoso,

— Você briga comigo, mas ama a emoção que causo em sua vida... não é?!

Eu estava sonhando e estava ao lado do homem mais incrível do mundo.

Realmente estava tudo bem agora.

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