O preço dos traumas do passado
O preço dos traumas do passado
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Capítulo Único - O preço do Passado.

Acordei sobressaltada, mais uma vez. Droga. Eu já perdi a conta de quantas noites eu perdi com esses malditos pesadelos. Estou ensopada de suor, todo o meu corpo está molhado. Minha respiração está aumentada, meu coração bate acelerado no meu peito. Parece que eu acabei de correr uma maratona.
— Rin? Escutei uma voz grave me chamar. Sim, era meu Lorde. Ele pousou suas enormes mãos em meu rosto. Limpou parte do suor da minha testa. Ele me encarava com seriedade e preocupação. Aqueles olhos hipnotizantes cor de âmbar. Como ele carregava mistério e tensão. Estávamos deitados juntos em nosso quarto. Ah droga, eu acordei ele dessa vez.
— Está tudo bem, Senhor Sesshoumaru. Volte a dormir, por favor.
Menti. Forcei um falso sorriso para ele. Mas ele não se deu por convencido.
— Não, não está. Ele me encarou mais seriamente. Eu já estava acostumada com os olhares frios do meu marido. Mas, naquele momento, ele estava se superando em me penetrar com seus gélidos olhos.
— Você está tendo pesadelos todas as noites. Pensa que não percebi? Você acorda em pânico. Suada, com medo. Tremendo. E tem escondido isso de mim todas as noites.
Ele disse pousando a mão em minha testa, e verificando minha temperatura. — Você está queimando em febre. Disse ele com uma voz fria, porém nitidamente preocupada.
— É bobagem, meu senhor. Menti novamente.
Eu não queria preocupá-lo com meus traumas bobos de um passado distante ao qual eu nem o conhecia ainda. Pensava comigo mesma enquanto segurava suas mãos grandes e retribuía o carinho.
— Volte a dormir, meu senhor. Eu estou bem. Novamente, eu menti para ele.
— Não. Ele foi ríspido em sua resposta. Levantou-se da cama, revelando seu peitoral musculoso, e seu corpo escultural que apenas o moko-moko tampava as partes mais íntimas e belas daquele homem. Ele se enrolou em um quimono branco e saiu por alguns instantes do nosso quarto, e voltou minutos depois com um copo de água. Me entregou calmamente. Eu bebi em silêncio. Tentei recuperar o controle da minha respiração. Que sorte eu tenho. Eu, uma simples camponesa de 32 anos, casei-me com Sesshoumaru, o grande Lorde das terras do Oeste. Um Daiyōkai poderoso. Tenho a proteção mais invejável 24 horas por dia. Moro em um castelo flutuante no meio das nuvens com um dos mais poderosos youkais como companheiro. Cercada por guardas. Por que, eu me sinto tão estupidamente fragilizada nesse momento? Pensava comigo mesma enquanto tentava segurar algumas lágrimas. Que desastre. Não quero chorar na frente dele. Vai dar trabalho demais explicar o porquê de todo o meu desespero.
— Rin, pode começar a falar. Eu sei que algo está incomodando você. Disse Sesshoumaru, enquanto retirava o copo vazio de minhas mãos e o colocava sobre a escrivaninha. Ele logo voltou a atenção para mim, cruzou os braços aguardando uma resposta minha. Ele me encarava como um general que dá ordens aos seus subordinados soldados.
— Senhor, não é... — Fale. Ele me interrompeu. — Eu não sou idiota. Completou já irritado. — O que está acontecendo? Você está preocupada com minha mãe? Ela disse algo pra você? Eu pensei que você já tivesse se acostumado a morar em nosso castelo. Oh, que pensamento distante o do meu marido, embora Inu-Kimi me desse arrepios, a tempos nós já tínhamos resolvido nossas diferenças. Ela, uma poderosa monarca do reino dos cães demônios, me aceitou como sua nora, sem discutir, sem nem mesmo me menosprezar. Era até engraçado. Mas ela era grata por eu ter-lhe dado duas lindas netas. Towa e Setsuna. Puxei o lençol e tentei cobrir meu rosto e meus seios. Eu estava envergonhada. — Não meu Lorde. Sua mãe não me incomoda de forma alguma. Mordi os lábios inferiores. — O que é então? Está preocupada com nossas filhas? Disse me encarando, tentando me decifrar. Mas naquele momento, eu era um livro de códigos e quebra-cabeças confusos. Embora Towa e Setsuna tivessem partido para uma aventura em outro país, eu não me preocupada. Minhas filhas eram meio-youkais poderosas, filhas de Sesshoumaru. E também, elas tinham Moroha, sua prima, para protegê-las também. Aquelas três eram imbatíveis juntas. Eu não tinha em meus pensamentos nada além de saudades. — Não senhor, nossas filhas são poderosas, puxaram o pai. Eu não me preocupo com elas. Disse tentando desviar o olhar dele. Baixei a cabeça tentando segurar uma lágrima que estava prestes a descer.
Sesshoumaru, já sem paciência, sentou-se ao meu lado. Puxou o lençol de minha mão, e agarrou meu rosto com suas mãos firmes e quentes. — Olhe para mim, não abaixe a cabeça. Ordenou ele.
Aqueles olhos dourados me encaravam com preocupação e raiva. — Vamos, o que foi? Sou eu? Eu fiz alguma coisa? Machuquei você? Disse ele já sem alternativas para meu comportamento. Nossas noites sempre foram quentes. Sesshoumaru, embora tímido e reservado a maior parte do tempo, mudava completamente quando estávamos sozinhos entre quatro paredes. Ele é um amante quente na cama. Ele gostava de fazer amor pelo menos 4-5 vezes na semana. Às vezes, duas ou três vezes durante a mesma noite. Ele dizia que eu era sua droga. E que ele adorava explorar meu corpo das mais diversas posições. Era um tanto quanto violento em suas penetrações as vezes. Mas, isso nunca foi problema para mim, eu adorava satisfazer meu lorde. Transar com Sesshoumaru era mais uma benção do que uma obrigação ou fardo. Que absurdo ele pensar algo assim. — Oh, não, meu senhor, não pense algo assim. Nossos momentos são especiais. Eu os adoro. Você não fez nada de errado. Tentei tranquilizá-lo. Mas ele estava nitidamente incomodado.
— Se não sou eu, não é minha mãe, nem sua vida aqui, não é nossas filhas. O que é então, Rin? Disse ele sem entender.
Coloquei uma das minhas mãos em seu rosto e fiz carinho. Beijei sua testa para tranquilizá-lo. Mas ele me encarou esperando uma resposta, e ele não iria a lugar nenhum até que eu respondesse algumas perguntas.

Meu senhor, eu não quero ser ingrata. Nossa vida é perfeita. Temos filhas lindas, eu tenho um lar maravilhoso ao lado de um homem maravilhoso. Tenho amigos maravilhosos. Tudo está perfeito agora... Respirei fundo.
— Mas? Ele completou, aguardando-me completar a frase.
— Me perdoe meu lorde. Eu desabei a chorar. Sesshoumaru não estava entendo absolutamente nada que estava passando em minha mente confusa. Ele me abraçou. E eu molhei seu peito com minhas lágrimas. — Vamos, Rin. Você está me deixando preocupado. Completou ele. Ele acariciou meus cabelos com suas garras.

Eu respirei fundo, pronta para contar-lhe algo que nunca havia contado antes. Sobre meu doloroso passado.

Senhor, o motivo de meus pesadelos não é nosso presente. É meu passado. Eu nunca lhe contei. Mas eu tenho algumas lembranças dolorosas. Que voltaram mais vívidas do que nunca após a borboleta dos sonhos ser destruída. Parece que eu não consigo mais sonhar coisas boas, e só me restaram os pesadelos dolorosos.

Sesshoumaru me encarou com curiosidade. Como, uma criança de 8 anos poderia ter tido algum tipo de passado trágico? Mas sim, eu tive. Em tão pouco tempo de vida, eu já havia passado por situações bem dolorosas.
— Me conte. Eu quero saber. Ordenou ele.

Eu suspirei fundo.

Eu nasci em uma aldeia distante de onde o Senhor me encontrou. Lá, eu morava com minha mãe, meu pai e meus dois irmãos mais velho. Eu era a caçula. Quando eu nasci, eu sabia que não era desejada. Minha mãe sempre dizia que eu era uma criança má. Eu sempre era a última a comer as raras refeições que nós tínhamos. Às vezes, eu tinha que comer a água suja do arroz para poder sobreviver. Minha mãe gostava mais dos meus irmãos do que de mim. Eu nunca entendi direito o porquê. Mas acredito que o motivo seja porque eu nasci mulher. Por algum motivo, mamãe me olhava de uma maneira diferente. Ela sempre me tratou como uma pilha de lixos. Então, durante toda a minha vida, eu aprendi a sorrir de uma maneira falsa. Para esconder a minha dor. Na esperança de fazer algo certo e tentar agradá-la. Mas, por mais que eu tentasse, parecia que eu sempre fazia algo errado. Ela sempre falava para todos da aldeia que eu era uma criança má, e que eu deveria morrer.
Papai, por outro lado, me tratava muito bem. Ele sempre me trazia presentes. E eu acredito que era isso que enfurecia minha mãe, e principalmente meus irmãos. Meus dois irmãos mais velho, davam duro trabalhando na plantação de arroz, e meu pai nunca os elogiava, ou lhes dava carinho e apoio. Ele sempre falava: Trabalhar é mais do que obrigação para os homens dessa família. A Rin não precisa trabalhar. Ela é uma menina. Então, quando eu estava sozinha com eles, eles me batiam. Me batiam de raiva e frustração.
Soltei um longo suspiro e fiz uma pausa para Sesshoumaru absorver todas as informações que havia lhe contado. Eu o encarei, e ele devolveu um olhar sério, frustrado, porém atento as minhas palavras. Ele segurou minha mão. — Continue. Ele ordenou.- Meus irmãos me espancavam todos os dias quando papai não estava por perto. E minha mãe sabia, ela via, e deixava acontecer. Eles descontavam a raiva e a frustração em mim, diziam que eu era uma criança mimada, que não precisava fazer nada, pois tinha nascido com buceta. Eu não tinha amigos, e minha família me odiava. Um dia, quando decidi contar para meu papai os abusos que eu sofria. Ele sorriu de maneira assustadora. Ele disse que me levaria para trabalhar com ele, e assim, eu ficaria protegida dos abusos dos meus irmãos. Mas esse falso sentimento de proteção durou muito pouco. Todas as noites, quando mamãe não estava por perto, e meus irmãos estavam dormindo. Papai me pedia para ficar de quatro. Feito um cachorrinho. E fazia coisas comigo.
Nesse momento, senti os punhos de Sesshoumaru cerrarem de raiva. Eu o encarei com triste nos olhos, mas meu marido me lançou um olhar de confiança. Ele me abraçou mais forte. E sussurrou em meu ouvido. — Eu sinto muito, Rin. Ele me beijou timidamente nos lábios. Eu forcei um sorriso. — Bom, ainda não acabou. Sorri falsamente. Sesshoumaru me olhou assustado. — Quando mamãe descobriu que papai estava fazendo aquelas coisas comigo, ela me bateu muito, e me chamou de vagabunda, ela disse que eu estava me oferecendo para ele. E que a culpa era minha. Ela disse que eu deveria morrer. E me expulsou de casa. Eu tinha apenas 6 anos. Sesshoumaru me encarou incrédulo, pensando que a história terrível havia chegado ao fim, mas eu continuei a desabafar. Eu respirei fundo, deixei que rolassem mais algumas lágrimas em meu rosto. Limpei a minha garganta, e continuei a contar: Eu não tinha para onde ir, então, eu procurei abrigo na aldeia próxima da minha. O chefe daquela aldeia, permitiu que eu vivesse em uma cabana abandonada. Eu conseguia sobreviver por pouco, colhendo algumas raízes e frutas pela floresta. Um dia, eu estava procurando o que comer na floresta, até que, eu acabei esbarrando com alguns humanos bandidos terríveis. Eles carregavam facas e muita comida saqueada do vilarejo. Eu estava faminta. Então, tentei roubar um pedaço de pão sem que eles percebessem. Mas fui pega. Aqueles bandidos horríveis adoravam saquear aldeias. Matavam e torturavam os homens, e estupravam as mulheres. Quando eles me encontraram, eu sabia que aquele seria meu fim. Mas...
Eu pausei a história. Sesshoumaru me encarou curioso e horrorizado. Pois eu estava sorrindo.
— Eu acho que sempre fui uma criança má, como minha mãe sempre disse. Em troca de não ser molestada e morta pelos bandidos, eu concordei em revelar o esconderijo da minha antiga aldeia, o armazém de comida, contei o ponto fraco da vigia durante a noite. E a localização da aldeia da minha família. Os bandidos me amarraram e me levaram junto deles. Me usaram de isca para pegar todos da aldeia de guarda baixa. Meu senhor, eu entreguei minha família em troca de liberdade, e um pouco de pão. Os bandidos queimaram o vilarejo, mataram todos os homens bem na minha frente. Decapitaram todos eles. E alguns eles torturaram bem na minha frente. Incluindo meu papai. Eles trancaram meus irmãos e todas as crianças do vilarejo em uma cabana de palha e colocaram fogo. E estupraram todas as mulheres do vilarejo, tudo bem na minha frente. Estupraram minha mãe e mataram ela bem na minha frente. Ela morreu me odiando. E desejando a minha morte. Ela sussurrava com seus lábios cheios de sangue. “criança má”. Enquanto era penetrada por vários homens. Quando eles cansaram. Eles me entregaram um pedaço de pão, e disseram. Corra garota.
Eu corri. E nunca mais olhei para trás. Desde aquele dia, eu não consegui mais falar.
E me isolei ainda mais. De tudo e todos. Eu não confiava em mais ninguém.
Mais uma dolorosa pausa. Sesshoumaru me encarava com um olhar de tristeza.
Eu respirei fundo, e continuei a contar a minha trágica história.
Eu vivi naquele vilarejo por 2 anos, comendo restos, caçando frutas e raízes na floresta para sobreviver. Os aldeões não me ajudavam. Eles me achavam uma “menina estranha”, pq eu não falava, não chorava, não sentia mais dor, nem medo. Nem frio. Nem fome. Eu havia me transformado em um robô. Eu sou mesmo uma garota horrível meu Lorde, porquê, no fundo eu me sentia livre e limpa pelo que eu fiz com minha família. Toda a minha vida até aquele presente momento, era apenas uma ilusão dolorosa. Eu sempre fazia tudo de errado. E um dia, quando eu estava prestes a dar um fim , na minha miserável vida. Eu ouvi um barulho na floresta.
Outra pausa longa. Sesshoumaru arregalou seus olhos se lembrando daquele dia. — Sim meu lorde, foi o dia em que eu conheci você. Você me salvou do suicídio. Quando eu vi o senhor pela primeira vez, eu pensei que um anjo havia caído do céu. E tentei ajudá-lo. Você estava ferido, vulnerável e sozinho. Assim como eu. E na sua dor, eu encontrei um igual. E desejei salvar a sua vida antes de dar um fim a minha. — Aquele dia... aquele dia em que seu rosto estava machucado. Perguntou Sesshoumaru. — Sim meu lorde. Eu apanhei dos aldeões. Eles me espancaram pois eu estava roubando peixes para oferecer para o senhor. Sesshoumaru me encarou com um olhar de tristeza. — Rin... — Ah, por favor, não me olhe assim. Eu Sorri, dessa vez, foi um sorriso sincero. Eu já estava acostumada com tanto sofrimento. Que quando você perguntou o que tinha acontecido com meu rosto. Eu sorri. Eu gargalhei de alegria. Porque foi a primeira vez, em toda minha vida. Que alguém verdadeiramente se preocupou comigo. Eu pausei a história novamente para abraçar Sesshoumaru com força. — Naquele dia, Senhor Sesshoumaru. Não foi eu quem salvou você. Foi você quem salvou a minha vida. Admiti com lágrimas nos olhos. — Sua tola. Ele sussurrou. E me abraçou forte. — Você também Rin, foi a única que se aproximou de mim, e tentou me ajudar mesmo que eu fosse um demônio. Todos tinham medo de mim. Mas você nunca demostrou medo ao se aproximar de mim. Você sempre foi uma garota corajosa. Disse, Sesshoumaru, enquanto limpava as lágrimas do meu rosto. — Eu não me arrependo de ter voltado naquele dia, quando senti seu cheiro de sangue e lobos. Eu não me arrependo de maneira nenhuma de ter voltado e ter devolvido a vida a você. Nunca em 500 anos, eu iria suspeitar, que aquela garotinha, iria se transformar na mulher mais importante na minha vida. Ele disse me encarando com brilho nos olhos. Nós dois nos beijamos. Foi um beijo de cura de feridas. Conversar com Sesshoumaru, foi como mil anos de terapia.— Rin, eu sinto muito por toda a merda que você passou. Ele continuou a falar. — Infelizmente, eu não posso mudar o passado. Mas eu posso garantir seu futuro. E eu prometo. Esse Sesshoumaru aqui, fará de você a mulher mais feliz do mundo. Ele me segurou com força, e me olhou no fundo dos olhos. — Rin, eu te amo. Finalmente ele disse em sussurros. Antes de me dar mais um intenso beijo. Eu encarei assustada as palavras sinceras de Sesshoumaru. Ele nunca havia falado que me amava antes. Nem mesmo na nossa primeira vez, nem mesmo quando eu estava grávida de Towa e Setsuna. Sesshoumaru nunca disse tais palavras antes. Ele sempre foi um homem de demostrar seus sentimentos apenas pelo olhar ou atitudes, mas nunca em palavras. E ouvi-lo dizer que me amava. Me fez perceber, que eu não estava sozinha. Meu coração foi preenchido por uma chama de esperança e amor. — E-Eu também amo você, meu lorde. Eu disse com lágrimas nos olhos, dessa vez, lágrimas de felicidade.
— Muito obrigada por me ouvir. ♥

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